A disciplina trata do modelo macroeconômico novo-keynesiano IS-PC-TR (IS-Phillips Curve - Taylor Rule), de acordo com o qual os bancos centrais de vários países formulam e acompanham sua política monetária. Devido à aceitação quase que mundial desse novo paradigma macroeconômico, que inclui elementos keynesianos, monetaristas e novo-clássicos, é considerado um "consenso" na academia, no mercado profissional e na política.
A teoria parte dos seguintes pressupostos:
1) Uma economia de mercado é estável no longo prazo, e políticas fiscal e monetária são neutras nesse tempo. A política fiscal discricionária pode ser ela própria uma fonte de instabilidade no sistema econômico, pelo efeito de crowding out.
2) A política monetária deve ser utilizada como meio de estabilização econômica no curto e no médio prazos. A política fiscal é desrecomendada devido a sua menor flexibilidade no processo político. Contudo, no longo prazo, a política monetária só é capaz de afetar a taxa de inflação da economia.
3) O principal objetivo da política monetária é obter baixas taxas de inflação, vistas como essenciais para um crescimento econômico sustentado. Como sabe-se que os políticos têm o incentivo de manter a política frouxa para atender seus interesses eleitorais, o controle monetário deve ser realizado por especialistas, através de um banco central independente.
4) A consistência da política monetária depende fundamentalmente da sua credibilidade, isto é, da interação entre as decisões tomadas no banco central e as expectativas dos agentes econômicos, tidas como racionais (isto é, os agentes conhecem o funcionamento da economia e das regras de política monetária, e tentam antecipá-las em suas decisões).
5) O mecanismo de política monetária são as metas de inflação, atingidas por parte do banco central pela manipulação de uma taxa de juros. O modelo supõe que a oferta de moeda é endógena pelas instituições financeiras (ao contrário dos antigos paradigmas monetarista e novo-clássico, mas se aproximando com a visão keynesiana), e que a demanda por moeda é instável (ao contrário do que defendia o monetarismo), de modo que o controle dos agregados monetários é muito difícil. As metas de inflação são definidas pelos políticos, e não pelos dirigentes do banco central, em um sistema de política monetária discricionária restrita. Esse sistema é visto como um meio termo entre a política discricionária, que pode ser capturada por interesses políticos ou particulares dos seus formuladores, e a política de regras (defendida pelos novos-clássicos) que, por supor estabilidade da economia de mercado no curto prazo, engessaria os instrumentos de ação das autoridades econômicas.
6) O nível de produção econômica agregado oscila em torno de um nível compatível com a NAIRU, isto é, uma taxa de desemprego não-aceleradora da inflação, e definida pelo lado da oferta agregada. Para reduzir o desemprego, o governo não deve utilizar políticas macroeconômicas, mas sim políticas de inclusão social e de treinamento.
7) A lei de Say vale. No curto prazo, o produto pode ser influenciado pela demanda agregada devido à informação imperfeita dos agentes, ou por falhas de mercado que produzem rigidez de preços (como os Custos de Menu) e de salários (como a Histerese e os Salários-Eficiência). No longo prazo, no entanto, a demanda só afeta os preços, e o nível de atividade é definido pela oferta agregada (investimentos, avanço tecnológico, capital humano). O papel da política fiscal, nesse sentido tem um caráter qualitativo: deve procurar corrigir essas imperfeições para minimizar a perda de bem-estar na economia.
8) A abertura dos mercados financeiros internacionais tende a eliminar qualquer possibilidade de política macroeconômica autônoma por parte dos países. Os fluxos de capital a procura de melhores rendimentos tendem a neutralizar o impacto de políticas que deixem os juros muito baixos, por exemplo.
Em termos formais, o modelo consiste basicamente de seis equações (derivadas de micro-fundamentos) e forma reduzida:
1) Curva IS: O gap de produto no curto prazo é função do gap passado, da taxa de juros, da taxa de câmbio real e das expectativas de produto e de inflação no futuro.
2) Curva de Phillips: A inflação é função do gap de produto, da inflação passada e das expectativas de inflação futura e de variação cambial.
3) Regra de Taylor para Política Monetária: A taxa de juros é fixada pelo banco central como uma função da taxa de juros natural da economia (formada no mercado financeiro privado), das expectativas de inflação, do gap de produto passado, da meta de inflação fixada e da credibilidade do banco central.
4) Taxa de Câmbio: é vista como uma função da rentabilidade dos ativos domésticos e estrangeiros (juros menos inflação), do saldo em conta corrente da economia e da expectativa de variação no futuro.
5) Conta Corrente: é vista como função da taxa real de câmbio e dos gaps de produto doméstico e estrangeiro.
6) Taxa de Câmbio Nominal: como nos tradicionais modelos macroeconômicos, o câmbio real equivale ao câmbio real somado ao diferencial inflacionário estrangeiro e doméstico.
Tais modelos são utilizados em economias como o Brasil, os Estados Unidos, o Reino Unido e a zona do Euro, com algumas diferenças sutis entre eles.
É uma temática bastante importante para a compreensão dos problemas macroeconômicos contemporâneos, e não vejo porque não é incluída nos manuais e nos programas de ensino das graduações em Economia no Brasil.

8 comentários:
Ricardo;
Acabei de sair da prova de macro, onde caiu, entre outras coisas, IS-MP, taylor e phillips. A LM só apareceu no começo do curso... Taylor já tomou conta.
Mas, de fato, e infelizmente, não tratamos disso tudo de forma conjunta. Só agora, aliás, soube que isso tudo podia se juntar, de forma tão explícita.
Abraço.
Eu também estudei na minha macro, com o manual do Romer, as teorias mais particulares. E só no final do curso, já que a Macro I daqui do Cedeplar é meio HPE, que cobre os principais modelos desenvolvidos ao longo do século XX. Mas as teorias novo-keynesianas mais recentes foram as mais interessantes, para mim.
Mas a cadeira foi bem interessante. Se quiser pegar os textos dela, é só digitar "Philip Arestis" no Google Acadêmico
O "consenso" é derivado de alguma linha específica,como novo-keynesianos?
Abraços.
Fernando Gonçalves
É praticamente inteiro novo-keynesiano. Só essa parte de crowding-out da política fiscal vem mais dos novo-clássicos, já que não está presente na bibliografia original dos autores do ramo (tipo o artigo de menu costs, do Mankiw).
Ricardo;
Como anda tua agenda? Será que a partir do dia 26, sexta-feira, tu terá um tempo livre para um "turista" em BH? No máximo na segunda, te garanto, ele vai embora. Hehe..
Abraço, e espero retorno!
Entendi...obrigado
Abraços
Fernando
Blz, Gordinho!
Pode aparecer q estou te esperando.
Abraço
Postar um comentário