Minha apresentação em Power Point durou cerca de meia hora, seguido por comentários da banca (igualmente de meia hora para cada membro) e comentários finais dos meus orientadores. Falei brevemente da motivação e dos objetivos gerais do meu trabalho, assim como a discussão teórica em economia da pobreza. Em seguida, comentei sobre as hipóteses teóricas e as evidências empíricas dos principais trabalhos relacionando o bem-estar social com o desempenho macroeconômico dos países. Em relação à metodologia, descrevi a intuição geral sobre o método de pseudo-painel, e suas vantagens em relação ao de mínimos quadrados empilhados. Depois, exibi alguns gráficos de estatística descritiva e os resultados gerais e específicos das 24 regressões que rodei. Nas considerações finais, apontei as respostas que a minha análise teórica e empírica encontrou para as perguntas realizadas na introdução.
Ciclos Econômicos e a Composição da Pobreza no Brasil
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O prof. Fernando Mattos, do IPEA-RJ (o membro externo da banca) não fez nenhuma crítica direta ao meu trabalho, mas sim me propôs sugestões de pesquisa futura, seja de artigos a serem montados a partir da dissertação, seja uma futura tese de doutorado. Por exemplo, me sugeriu fazer uma ponte entre a literatura do crescimento pró-pobre a da economia da pobreza contemporânea com a tradicional economia do desenvolvimento, incluindo autores como Kaldor, Myrdal e Hirchmann. Além disso, questionou por que eu não incluí o valor real do salário mínimo entre as variáveis macroeconômicas do meu modelo economético. Mas foi um debate tranqüilo. Inclusive, quando achei que ele iria reclamar do tamanho da dissertação (pouco mais de 200 páginas), ele mesmo comentou que "sofre do mesmo problema de escrever muito", mas como o trabalho estava "bem escrito e organizado", isso é uma vantagem, e não um defeito.
Em relação à prof. Ana Flávia (membro interno da banca), fiquei um pouco ansioso logo que ela começo a falar, já que uma vez eu vi ela bater forte na dissertação de um colega meu. Ela comentou que o meu trabalho é "um diamante a ser lapidado", isto é, pode render bons frutos no futuro se for devidamente ajustado. Principalmente, criticou a pouca consideração que tive com as linhas de pobreza estaduais que defini para montar a variável dependente de probabilidade de ser pobre. Segundo a professora, eu deveria ter explicado melhor as vantagens e limitações desse cálculo, ao invés de simplesmente compará-lo com os critérios multidimensionais de pobreza. Além disso, ela destacou que eu deveria ter me preocupado mais, na minha análise de resultados, em descrever os impactos específicos de cada ciclo macroeconômico no Brasil, ao invés de me deter nos impactos sobre os grupos demográficos, que já são rasoavelmente conhecidos de acordo com a bibliografia sobre o tema. Ela me criticou com bastante entusiasmo, mas seus elogios tiveram impacto ainda maior para mim e para o público. Segundo a professora, meu trabalho é "de alto nível acadêmico" posso tirar tranqüilamente uns três artigos dela, e, para o burburinho do público, superei o artigo do Marcelo Neri (o professor de traços germânicos e cara de mau da FGV-RJ, que é considerado o bam-bam-bam da Economia do Bem-Estar Social no Brasil), que me inspirou, junto com outros.
Em seguida, meus orientadores encerraram o debate exaltando os resultados do "Projeto Ciclos" do CEDPLAR-UFMG, do qual faço parte, assim como as dificuldades em realizar trabalhos que dialoguem o instrumental analítico avançado da microeconomia com as discussões mais relacionadas ao desenvolvimento sócio-econômico características da macroeconomia. Segundo eles, nesse ano haverá a elaboração de duas teses de doutorado com temas similares.
Após a defesa, tirei fotos com minha família e meus colegas, e comemorei minha aprovação erguendo minha orientadora no colo, de pé (!), e fui com todo o pessoal para um bota-fora no famoso boteco Clube da Esquina, com direito à música ao vivo, cerveja e petiscos típicos de Minas. De resto, passei o fim-de-semana apresentando para minha família os pontos turísticos de BH.
