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quinta-feira, julho 05, 2012

Gráfico do Dia

Preços das commodities nos mercados internacionais e taxa de crescimento do PIB brasileiro.



Dica do Leonardo Monastério.

terça-feira, maio 22, 2012

Sinopse Internacional - Abril de 2012

Foi publicada na internet a Sinopse Internacional n. 17, a carta de conjuntura macroeconômica semestral do BNDES. Ela é uma publicação conjunta entre a Assessoria Econômica da Presidência, a Área de Comércio Exterior e a Área Internacional do banco, e destaca os principais acontecimentos do panorama macroeconômico mundial, as tendências do investimento externo global e do comércio exterior.

A publicação pode ser conferida neste link.

Deu trabalho montar essa sinopse, principalmente de coletar os dados em várias fontes internacionais e comparar nossas interpretações com as de outras cartas de conjuntura divulgadas pelas demais instituições (como a do FMI, do IIF, do IPEA, etc.). Mas o resultado final ficou bom.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

As Causas dos Altos Juros de Mercado no Brasil

O Cristiano Costa publicou um excelente post explicando por que os juros bancários são tão altos no Brasil. De todo o spread bancário apropriado pelos bancos públicos e privados (que é a diferença entre os juros que cobram dos consumidores e a taxa básica de juros da economia), dois terços cobrem os seus custos administrativos e operacionais e os impostos. A margem líquida dos bancos equivale a, portanto, um terço do spread, o que, nos cálculos do autor, dá cerca de 12% ao ano. Essa é uma taxa relativamente elevada frente aos demais setores da economia, e é explicada, dentre outros fatores, pela elevada concentração do mercado de bancos comerciais no Brasil e pela inadimplência do devedor.

No post original, tem tabelas bastante demonstrativas.

terça-feira, janeiro 17, 2012

História da Divisão Territorial Brasileira

Para quem (como eu) gosta de ver mapas antigos, o IBGE divulgou nessa semana um estudo sobre a história da divisão territorial brasileira (estados e municípios) de 1872 a 2010. Os mapas estão divididos por década.

Apenas um comentário para quem abrir os mapas: a explosão municipalista do país nas décadas de 80 e 90, que criou muitos municípios sem capacidade de geração própria de renda para se manter, ficando dependentes dos repasses da União, não parece uma rubéola tomando conta do país?

quinta-feira, dezembro 22, 2011

A Percepção Social da Pobreza no Brasil

O IPEA divulgou hoje um estudo empírico sobre a percepção social da pobreza no Brasil. Eu fico cada vez mais entusiasmado com estudos da área de bem-estar social baseados em pesquisa de opinião popular. Nossa realidade política, que para o bem ou para o mal, influencia os rumos do país passa por aí, pela cabeça do eleitorado mediano. Comecei a me interessar por esses estudos quando li o livro "A Cabeça do Brasileiro" durante o mestrado.


(clique no gráfico para ampliar)

Segundo o estudo do IPEA, e ilustrado pelo Gráfico 1, o principal problema do Brasil, na cabeça dos brasileiros, é a violência. Desagregando por nível de renda, os mais pobres se preocupam mais com o desemprego; os mais ricos, com a corrupção. Poucos acreditam no fator que a ciência (pelo menos a ciência econômica) aponta como um significativo determinante de longo prazo desses problemas: a educação. Ou seja, as pessoas se importam mais com um fator que está se deteriorando há pouco tempo (segurança pública) do que com outro que há muito tempo vai mal (a qualidade da educação).

Em relação especificamente sobre as causas da pobreza, a maior parte dos brasileiros acreditam que são os fundamentos do mercado de trabalho, sobretudo o desemprego. A educação vem em segundo lugar. Aqui, a desagregação por nível de renda tem o resultado esperado: os mais pobres acreditam mais na redução do desemprego (isso explica o resultado das últimas eleições), enquanto que os mais ricos ligam mais para a educação. Além disso, brasileiros de todas as classes acreditam que as causas da pobreza são mais estruturais (falta de oportunidades) do que individuais (falta de esforço). Contudo, regionalmente, os sulistas tendem a ser mais individualistas do que os demais.

Por fim, em relação às ações que o governo poderia relizar para mitigar a pobreza, os brasileiros se dividiram entre os que defendem o aumento do salário mínimo e a promoção de cursos profissionalizantes. Novamente, os mais pobres ficam na primeira opção; os mais ricos, com a segunda e com investimentos em moradia. Nesse último ítem da pesquisa, o que mais me incomodou não é o fato da maioria dos brasileiros desejar que o governo adote políticas que podem ter conseqüências indesejadas de acordo com a teoria econômica, ou mesmo que beneficiem mais os aposentados e pensionistas do que os trabalhadores mais pobres, mas sim que a opção "investimentos na educação básica", que criria o background para que todas as demais ações tivessem maior efeito, sequer foi considerada pelos pesquisadores.

domingo, setembro 18, 2011

O Aumento do IPI para os Automóveis Importados

O assunto recente mais comentado pelos economistas na última semana é a elevação em 28% do IPI sobre carros produzidos fora do Mercosul. Os resultados esperados por esse tipo de política são conhecidos por todos os iniciados em teoria econômica: no curto prazo, elevação de preços ao consumidor; no longo prazo, a barreira à entrada de novas firmas no mercado interno (devido à exigência de que 65% das peças sejam produzidas em território nacional) reduzirá a oferta de automóveis, inibindo a geração de empregos e diminuindo a competitividade internacional da indústria automotiva brasileira. Em resumo, haverá uma transferência de bem-estar do consumidor para as montadoras de carros instaladas no país.

Mas o que fez com que o governo tomasse essa medida? Acredito que seja a combinação de dois fatores: um de relacionado à economia política, e outro de natureza puramente fiscal.

Em primeiro lugar, as montadoras de automóveis no Brasil estão organizadas em uma associação, a ANFAVEA (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores). Essa organização defende os seus interesses perante o governo, e como essas empresas são importantes para o financiamento de campanhas eleitorais, seu poder de barganha é alto. Ou seja, há aquilo que na economia política é chamado de rent-seeking, isto é, a captura das políticas de estado por grupos de interesse.

Em segundo lugar, todos sabemos que o processo orçamentário do Brasil é caótico. Parlamentares do Congresso têm o poder de redigir emendas no orçamento da União que extrapolam os planos de gastos e as metas fiscais estipuladas pelo Ministério da Fazenda. Por isso, há muito tempo o governo federal precisa aumentar impostos para manter o superávit primário dentro da meta, e evitar (mais) pressões inflacionárias. É sempre uma alíquota do IPI sendo reajustada para cima aqui, uma alíquota do IOF acolá. Como não vejo nenhuma solução para a ineficiência do Congresso brasileiro, a tendência é isso continuar acontecendo.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Estados Brasileiros como Países

Segundo mapa divulgado pela The Economist, eu nasci no Gabão. Aos 22 anos, migrei para o Líbano não fugindo da fome, da guerra civil ou do vírus do ebola, mas em busca de oportunidades educacionais. Pós-graduado, fui ser consultor das Nações Unidas e professor universitário em Portugal. Há três meses atrás, fui convocado em um exame de seleção para trabalhar no Banco de Desenvolvimento da Rússia.

Essa história bem poderia dar um filme, ou descrever algo parecido com a biografia do Barrack Obama, mas é o resultado do estudo da Economist, que comparou os estados brasileiros com países equivalentes de acordo com o seu PIB, população e PIB per capita.

O resultado final do mapa do PIB per capita é o seguinte: os estados brasileiros mais ricos não são tão ricos assim internacionalmente. Equivalem aos países do leste europeu. Os estados mais pobres também não estão tão mal na foto, estão próximos aos demais países latino-americanos as nações do Oriente Médio. É claro que a base de comparação inclui países institucionalmente caóticos, mas que exportam petróleo, o que infla sua riqueza sem distribuí-la à população, como Gabão e Venezuela. Isso atrapalha um pouco a interpretação, mas não muda o padrão.

Para controlar o problema da distribuição de renda, assim como os efeitos da valorização do câmbio real, eu bem que queria ver um mapa desses para o índice de desenvolvimento humano (IDH).

quarta-feira, agosto 31, 2011

Evolução dos Rendimentos Médios Reais no Brasil Recente

Na semana passada, o IBGE divulgou dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) referentes ao mês de julho. Essa pesquisa aborda uma amostra de trabalhadores, ocupados, desocupados ou inativos, em seis metrópoles brasileiras (Porto Alegre, Sâo Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador e Recife). Um dado que sempre me chama a atenção em pesquisas de mercado de trabalho é o salário médio real, isto é, o poder de compra do rendimento do trabalhador, que considero o melhor indicador de bem-estar. Nessa pesquisa, a evolução desse índice é o seguinte:



Para controlar os efeitos de sazonalidade, já que o mercado de trabalho é sempre mais aquecido no início do ano e mais retraído em julho, considerei na tabela apenas os meses de julho desde o início da série histórica, em 2002. A tabela mostra um resultado surpreendente: na maior parte das grandes regiões metropolitanas, o ciclo de crescimento econômico iniciado em 2004 mal conseguiu repor para os trabalhadores as perdas acumuladas pela crise de 2002-2003. Marquei em amarelo o ano em que o indicador, para cada série, é superior ao patamar de 2002. Em São Paulo e em Recife, isso ainda não aconteceu. As exceções foram Belo Horizonte e Salvador, onde o rendimento médio real do trabalho principal foi acima de 25% maior no final da série do que no seu início.

É importante destacar que a amostra compreende apenas essas seis regiões metropolitanas. Regiões que aparentaram ter desempenho econômico mais próspero na última década, como o Centro-Oeste e a cidade de Vitória, no Espírito Santo, ficaram de fora. Contudo, dado o peso populacional das maiores regiões metropolitanas do país, esse resultado indica que a situação do mercado de trabalho no país está menos cor-de-rosa do que muita gente divulga por aí.

terça-feira, agosto 23, 2011

Antônio Barros de Castro (1938-2011)

Nesse fim-de-semana faleceu, em um acidente em sua casa, o economista Antônio Barros de Castro. Ele foi presidente do BNDES no governo Itamar Franco, e era professor emérito da UFRJ. Seu livro "A Economia Brasileira em Marcha Forçada", sobre o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) é um clássico, leitura obrigatória para alunos de graduação em economia.

No mês passado, assisti a uma ótima palestra sua sobre o impacto da China no mercado internacional de manufaturas, tema o qual ele estava trabalhando no momento. Sim, aposentado, aos 73 anos, Barros de Castro continuava trabalhando e contribuindo à academia.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Hipóteses sobre a Balança Comercial de Futebolistas Brasileiros

O Flamengo contratou o Ronaldinho Gaúcho (que leilou seu contrato com o Grêmio e o Palmeiras) e o Thiago Neves. O Fluminense contratou o Araújo e o Diego Cavalieri. O Inter acertou com o argentino Cavenaghi. O Santos buscou o Elano de volta. O Vasco importou o Eduardo Costa e o Elton. O Corinthians se reforçou (ainda que tardiamente) com o Liédson. E todos esses times só exportaram suas revelações do ano passado para times desconhecidos de campeonatos desconhecidos, como a Ucrânia, a China e os países do Oriente Médio, salvo raras exceções.

Nesses últimos meses, a imprensa esportiva vem nos brindando com informações sobre as transações dos times de futebol brasileiros com os times do exterior. Ao contrário do que qualquer torcedor com mais de 10 anos de idade está acustumado a ler e ouvir, agora são os times brasileiros que estão importando (ou repatriando) os jogadores do exterior. Para explicar esse fenômeno, levanto três hipóteses para serem testadas, caso alguém tenha uma boa planilha de dados a respeito.

Em primeiro lugar, a hipótese mais provável: a crise financeira e fiscal que assola os países europeus contagiou o mercado do futebol. Por isso, os clubes estão investindo menos em reforços, e se desfazendo de jogadores de alto salário. Contudo, cabe lembrar que uma parte significativa das cifras futebolísticas de vários grandes times europeus não é proveniente de geração própria, mas sim de repasses diretos de seus proprietários, muitos deles com negócios escusos em países da antiga União Soviética e do Oriente Médio. Por isso, acredito que esse fator, por si só, não explica o atual déficit em conta corrente futebolística da economia brasileira.

A segunda hipótese é a valorização cambial. O real valorizado está fazendo com que a compra de jogadores de futebol brasileiros por parte dos clubes europeus não valha a pena, pois esses têm que arcar com o risco da não-adaptação dos jogadores a sua realidade (risco entendido como saudade da praia, da cerveja gelada, do carnaval e do samba), afetando negativamente o seu desempenho. Por outro lado, o real valorizado significa a valorização dos salários no Brasil, incentivando alguns jogadores a procurar empregos nos clubes nacionais pelos mesmos motivos expostos anteriormente.

Por fim, levanto uma terceira hipótese, mais pessimista que as duas anteriores. Talvez o futebol brasileiro tenha perdido o seu brilho em relação às décadas passadas. Nos anos 90, Romário, Ronaldo Nazário, Rivaldo, Leonardo, e mais recentemente, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, eram os melhores jogadores do mundo. Atualmente, qual jogador brasileiro é considerado incontestavelmente um grande craque de reputação internacional, a não ser os veteranos como o zagueiro Lúcio? O Felipe Melo? Não se pode descartar a hipótese de que o mau futebol desempenhado pela Seleção Brasileira na última Copa do Mundo seja proveniente (não estou eximindo de culpa a escalação do ex-técnico Dunga) de uma crise de renovação dos jogadores brasileiros. Por isso, os clubes europeus podem estar querendo abrir vagas nas suas cotas de jogadores extrangeiros em benefício de africanos e hispano-americanos, às custas dos brasileiros.

Tudo isso são hipóteses, gostaria de ver dados mais concretos para ter uma opinião mais sólida a respeito do que está acontecendo. Provavelmente, o déficit na balança comercial do futebol brasileiro se deve a combinações entre as três hipóteses, mas qual delas seria a mais importante?

terça-feira, dezembro 28, 2010

RS: Economia & Conflitos Políticos na República Velha - Pedro C. D. Fonseca

O livro "RS: Economia & Conflitos Políticos na República Velha" é a dissertação de Mestrado do professor da UFRGS Pedro Cezar Dutra Fonseca, defendida em 1980 junto ao IEPE/UFRGS. Seu objetivo, em resumo, é explicar os determinantes econômicos dos conflitos políticos do Rio Grande do Sul (os chimangos, no governo, e os maragatos, na oposição) durante o período que é denominado de República Velha no Brasil (1889-1930).

A economia rio-grandense, desde os primórdios de sua colonização no final do século XVIII, sempre foi periférica em relação ao Brasil, baseada na provisão de gêneros alimentícios para os mercados centrais, na região Sudeste do Brasil. Durante o período do Império, o principal produto de exportação do estado era o charque, produzido na região da Campanha (as planícies ao sul do estado, próximas à fronteira com o Uruguai), e destinado à alimentação dos escravos e dos trabalhadores de baixa renda no Sudeste brasileiro.

Contudo, nas últimas décadas do século XIX, a economia charqueadeira entrou em um processo de estagnação, devido a dois motivos principais. Primeiro, à característica de bem inferior associada ao charque. Isto é, sendo o charque um produto de consumo da população mais pobre do país, sua demanda é inversamente proporcional à renda do consumidor. Por isso, o volume de produção e de exportação não conseguia acompanhar os ciclos de crescimento econômico do país, mais especificamente da economia cafeicultora do Sudeste. Em segundo lugar, o charque gaúcho sofria com a concorrência da produção vinda dos países platinos (Uruguai e Argentina), que contavam com melhores terras e infra-estrutura física. A adoção de medidas protecionistas em benefício do charque gaúcho não era de interesse do governo central brasileiro, uma vez que qualquer elevação do preço do produto significava uma elevação do custo de reprodução da mão-de-obra barata no país.

Paralelamente ao enfraquecimento da economia do charque, ao final do século XIX iniciou-se o processo de colonização do norte do Rio Grande do Sul, dividido em duas sub-regiões: o Planalto, ao oeste, e a Serra, ao leste. Em ambas sub-regiões desenvolveu-se uma economia agrícola diversificada, baseada em pequenas propriedades, e, particularmente na Serra, na mão-de-obra familiar dos migrantes europeus.

Durante o Império, a política rio-grandense foi dominada pelo Partido Liberal, que representava os interesses dos grandes proprietários de terras da região da Campanha, isto é, os fazendeiros charqueadores. Com a proclamação da República, parte desses políticos passa para o lado da oposição, formando do Partido Federalista (os maragatos), em contraste ao governo formado pelo Partido Republicano Rio-grandense (os chimangos). Nesse sentido, o principal foco do livro de Fonseca é procurar identificar os componentes econômicos dos discursos de ambos os partidos naquilo em que mais divergiam, isto é, sobre as causas da crise da economia charqueadora, suas possíveis soluções e o papel do Estado em propiciar meios para que essas soluções pudessem ser alcançadas.

O Partido Republicano Rio-grandense via como causa da crise da economia da Campanha uma conseqüência natural de sua estrutura especializada e exportadora. Dessa maneira, essa crise decorria do contágio dos ciclos da economia central brasileira e da dependência que o ritmo do crescimento da produção de charque tinha do desempenho desta. A solução, nesse sentido, seria o apoio do Estado a iniciativas de investimentos na diversificação da produção, com fins de se atingir a auto-suficiência produtiva. O autor destaca que, em hipótese alguma, os chimangos eram contrários aos interesses do charque. Isso era impensável para qualquer partido com intenções políticas na época. O objetivo era defender a economia charqueadora com o desenvolvimento de uma economia regional auto-sustentada. Os maragatos, por sua vez, associavam a crise com um descaso praticado pelo governo em relação ao setor, que teria sido deixado em segundo plano no que diz respeito às políticas públicas.

O papel do Estado para a definição de políticas com o objetivo de superar estruturalmente a crise da economia da Campanha, para os chimangos, seguia ideologicamente o Positivismo de Auguste Comte, que Fonseca caracteriza como um "intervencionismo conservador". De acordo com o Positivismo, era admitida a intervenção do Estado na economia como modo de corrigir falhas de mercado e de acelerar o crescimento econômico desde que essa intervenção não beneficie determinados indivíduos, classes e setores em detrimento de outros, e desde que o governo preserve o equilíbrio de seu orçamento (que Comte denominou política de finanças sadias). Por esse motivo, o PRR rejeitava políticas específicas a favor do setor do charque, e procurava exercer medidas que pudessem beneficiar o Rio Grande do Sul como um todo, tais como obras de infra-estrutura, estradas e incentivos à migração européia. Assim, a colonização da região norte do Rio Grande do Sul, aliada a essas políticas generalistas, permitiu um grande crescimento econômico dessa região.

Os chimangos, por sua vez, defendiam uma ideologia que Fonseca denomina de "liberalismo conservador", um liberalismo um tanto ambíguo em suas convicções. Isto é, os políticos do Partido Federalista utilizavam argumentos baseados na teoria das vantagens comparativas para defender a especialização da economia gaúcha na produção pecuária-charqueadora, se opunham ao autoritarismo do governo positivista e criticavam a existência de impostos inter-estaduais que restringiam a circulação de mercadorias no país. Por outro lado, ao mesmo tempo defendiam uma maior centralização das competências políticas nas mãos da União, em detrimento dos governos estaduais, e a adoção do regime parlamentarista de governo, como forma de propiciar maior influência política das províncias no governo central, de modo a facilitar a simplificação da estrutura tributária nacional e a adoção de medidas protecionistas.

Por fim, Fonseca diferencia os grupos sociais que davam apoio a cada um dos partidos. Por um lado, os maragatos tinham ao seu lado os fazendeiros charqueadores da Campanha, os maiores beneficiários de suas pretensões políticas. Por outro lado, os chimangos tinham ao seu lado o Exército, a Brigada Militar, importantes órgãos de defesa estatal e repressão política, os políticos de grande influência sub-regional, independentemente de suas posses econômicas (os "coronéis burocratas", na terminologia do autor) e os agentes com pouca representatividade, mas cujos interesses estavam atrelados aos do governo, como a classe média urbana e os colonos europeus da região da Serra.

Fonseca encerra sua obra relatando o desfecho dos conflitos políticos rio-grandenses nessa época. O desenvolvimento econômico gaúcho nos últimos anos da República Velha, com a complexização da sociedade e a diversificação da economia, assim como o avanço da industrialização em São Paulo, fizeram com que os interesses de chimangos e maragatos perdessem significado frente ao surgimento de novos arranjos sociais, políticos e econômicos. Nesse sentido, ambos os grupos se fundiram no que se chamou de Aliança Libertadora, órgão político que apoiou Getúlio Vargas ao poder, em 1930.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Palestra Ontem

Ontem, na Secretaria de Assuntos Estratégicos, tivemos palestra com o professor do CEDEPLAR José Alberto Magno de Carvalho. Parafraseando meu ex-colega (e aluno dele) Diego Rodrigues, quando eu crescer quero ser igual a ele.

Em resumo, o professor apresentou a tendência da taxa de fertilidade (média de filhos por mulher) no Brasil nas últimas décadas. Destacou a sua brutal queda desde a década de 70, assim como a convergência entre as diferentes regiões do país. Segundo o professor, o número atual de filhos por mulher no país é de 1,9, o que provocará um rápido envelhecimento da população e uma tendência de queda no número de habitantes do Brasil nas próximas décadas.

A redução rápida da taxa de fertilidade está reduzindo a razão de dependência da população brasileira (entendida como a razão entre a população fora da idade ativa - idosos e crianças - e a população em idade ativa). Isso permite que, no presente, o Brasil possa direcionar sua poupança para investimentos produtivos (e não para sustentar inativos), acelerando o crescimento. Contudo, a falta de capital humano de qualidade pode restringir esses investimentos, e limitar o crescimento e a melhoria dos padrões de vida esperada em países com essa realidade demográfica. Essa realidade, chamada de "bônus demográfico" deve durar até meados de 2030, quando o envelhecimento da população elevará novamente a rezaão de dependência, e boa parte da poupança nacional será direcionada para custear sistemas de previdência.

Por isso, o professor afirma a necessidade do país gastar menos com previdência social no período presente e investir mais na qualidade da educação, especialmente no ensino pré-escolar e primário. Mas é pessimista com a possibilidade de tais medidas serem postas em prática, já que as próprias instituições políticas de representação dos estudantes tendem a se opor a reformas na previdência (pois têm a ilusão de que os atuais benefícios são sustentáveis e durarão até chegar a sua vez de se aposentar), e defendem que a prioridade da educação pública seja o ensino superior.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Os Maiores Aglomerados Urbanos do Brasil, segundo o Censo 2010


(clique na tabela para ampliar)

A tabela acima, que mostra a evolução populacional dos maiores aglomerados urbanos brasileiros nos últimos dez anos, parece confirmar algumas hipóteses que levantei anteriormente. Tanto Salvador como Belo Horizonte, que cresceram muito pouco como municípios na última década, cresceram como aglomerados urbanos em um ritmo similar à média nacional. Isso vai ao encontro à hipótese da conurbação, isto é, a população dessas metrópoles está crescendo em direção às cidades periféricas, que se transformam cada vez mais em cidades-dormitório cada vez mais economicamente periféricas ao grande centro.

A tabela também mostra que os aglomerados urbanos que cresceram mais de 20% nessa década são aquelas nas regiões de maior imigração recente, isto é, as regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil e o estado de Santa Catarina.

Por fim, os dois aglomerados urbanos com crescimento bastante inferior à média são Porto Alegre e o Rio de Janeiro. Em relação à Porto Alegre, já expliquei minhas hipóteses para isso: baixas taxas de fertilidade e emigração de jovens trabalhadores qualificados. Já no caso do Rio de Janeiro, permaneço em dúvida. Será que a violência nos morros está atingindo proporções demográficas? É fácil testar isso: basta montar uma pirâmide demográfica e ver se estão faltando homens jovens, mais vulneráv eis a mortes violentas. Ou será que os migrantes de outros estados estão retornando as suas raízes?

sexta-feira, novembro 05, 2010

As Maiores Cidades Brasileiras, Segundo o Censo 2010

O IBGE divulgou, nesses dias, alguns resultados preliminares do Censo 2010. Uma das informações que mais me chamaram a atenção foi o ranking populacional das maiores metrópoles brasileiras. A tabela abaixo mostra a evolução das 11 maiores cidades do país em relação à população do Censo passado (2000).



A tabela mostra o massivo crescimento de Brasília e Manaus em relação as demais cidades. Além disso, mostra a estagnação de Porto Alegre e de Belo Horizonte, assim como a estabilização populacional do Rio de Janeiro e de Salvador. No caso de Brasília, o inchasso da capital federal certamente está relacionado com a retomada dos concursos públicos nos últimos anos. No caso de Belo Horizonte, e provavelmente também de Salvador, conforme conversei com habitantes locais, o baixo crescimento dessas cidades se deve à saturação de seu espaço geográfico. Isto é, essas cidades já ocuparam todo o seu território físico, de modo que as novas residências são construídas nas cidades vizinhas, que se trnasformam em cidades-dormitório em um processo acelerado de conurbação (esse é o caso evidente de Belo Horizonte, que está emendada com os municípios de Contagem, Nova Lima e Vespasiano).

Em Porto Alegre, o motivo de sua estagnação deve ser, em primeiro lugar, as baixas taxas de natalidade locais. Quando passo as férias na minha cidade natal, sempre noto que há cada vez menos crianças e mais idosos nos espaços públicos. Contudo, também não deve ser esquecida a importância da estagnação econômica da cidade nas últimas décadas, que incentivou muitos jovens trabalhadores qualificados a migrar para centros com mais oportunidades, como São Paulo, Rio e Brasília. Esse é o meu caso pessoal, assim como de muitos de meus colegas de graduação e de colégio.

Já em Manaus, não sei o que pode estar estimulando o crescimento da sua população. Porém, segundo um mapa divulgado pelo UOL, nota-se que o crescimento populacional dos estados do Norte e do Centro-Oeste é muito maior do que o dos estados do Sul (fora Santa Catarina, provavelmente por motivos migratórios), do Sudeste e até mesmo do Nordeste, cujas famílias são estereotipadas pelo seu grande número de integrantes. O país, portanto, parece estar em um processo de desconcentração populacional do litoral para o interior, o que pode contribuir para aliviar a pressão sobre a infra-estrutura das grandes cidades.

Agora, estou muito curioso para ver a evolução da renda familiar nos estados brasileiros ao longo da última década. Será que irá acompanhar o movimento populacional?

sexta-feira, outubro 29, 2010

Clipping Eleitoral

O que a blogosfera econômica vê sobre as perspectivas do Brasil pós-eleições?

O Duílio acha que, do ponto de vista dos cidadãos, nada de relevante vai mudar, independentemente da eleição de Dilma ou Serra:
convenci-me que -ceteris paribus- tudo ficará igualzinho, ou seja, não será apenas o que desejaríamos manter constante é que assim se manterá. seguiremos tendo "A Voz do Brasil", interferência do estado na vida feminina (intestina, uterina, intrauterina, nada saudável), serviço militar obrigatório, voto obrigatório, impostos concentracionistas, dilema de prisioneiros entre os estados, e por aí vai. além, claro, de salários nababescos (marajoaras?) para governantes de todos os níveis (contei uns oito...).


O Oreiro propõe uma agenda de políticas macroeconômicas para o Brasil manter uma trajetória de crescimento maior do que vem seguindo até então. Segundo ele, o candidato que propor medidas em convergência com essa agenda tem o seu voto.
No nosso entendimento são cinco os compromissos com a produção que devem ser assumidos publicamente pelos candidatos para garantir a prosperidade com justiça social:

1. Aprovar uma reforma tributária com diminuição, simplificação e progressividade dos impostos e praticar a desoneração imediata das exportações e dos investimentos produtivos.

2. Praticar uma política cambial inteligente e bem administrada que favoreça a competitividade global da produção brasileira.

3. Baixar mais rapidamente os juros para equiparar as taxas do Brasil às de nossos concorrentes.

4. Lutar por uma reforma trabalhista que atualize as relações das pessoas com as suas organizações.

5. Praticar uma gestão pública eficiente, que faça mais com menos e elimine o desperdício e a corrupção.


O NPTO segue fazendo campanha pró-Dilma.

O Adolfo Sachsida e o Irineu de Carvalho Filho seguem fazendo campanha anti-Dilma. Seus argumentos, no entanto, são não-econômicos: Dilma representaria uma ameaça à democaracia e às liberdades individuais no Brasil.

O Leondardo Monastério postou uma planilha detonando a tese (dilmista) de que a redução da inflação no Brasil pós-Plano Real foi conseqüência da conjuntura internacional, e não da condução da política macroeconômica no país no governo FHC.

O blog O Indivíduo não postou nada sobre as eleições, mas postou um texto excelente sobre a religião e a busca da verdade, o que tem tudo a ver com os atuais rumos da campanha eleitoral.
A questão toda é piorada pelo fato de que nossos irracionais, ilógicos e em última análise injustificáveis (e por vezes inconstantes, incompreensíveis, contraditórios e por vezes mesmo insondáveis e inacessíveis) instintos, sentimentos e impulsos são apesar disso tudo insufocavelmente e sufocantemente REAIS. Podemos diante disso aceitar que nossas motivações são completamente arbitrárias e abrir mão da ilusão de que sequer faça sentido falar em agir apenas racionalmente (isso seria buscar… o quê?) … ou podemos construir uma fantasia totalmente irracional (religiosa ou não) sobre por que nossos queridos preconceitos e fantasias são na verdade maravilhosamente bem fundamentados… e então agir “racionalmente” dentro do paradigma dessa fantasia. Em qualquer caso, a lógica permanece o melhor guia em termos de estimar o que é real. A questão é que “o que é real” absolutamente não é a única coisa que importa, aliás longe disso. O mundo real é árido e vazio de significado, e profundamente insatisfatório como residência de nossa psique.


Mas quem melhor sintetizou os debates e as campanhas em uma frase foi o "Malvado" André Dahmer:
Meus porcos acharam a campanha eleitoral suja.

terça-feira, outubro 26, 2010

Os Dois Planos Reais - A Política Econômica no Governo FHC

Texto que escrevi em 2005, e foi esquecido numa pasta do meu computador.

O política econômica do primeiro governo FHC foi dominada pelo tema da manutenção da estabilidade macroeconômica conquistada com a implementação do Plano Real, ao final do governo de Itamar Franco. A estratégia de manter a estabilidade consistiu, em primeiro lugar, em manter uma taxa de câmbio valorizada, controlada pelas autoridades monetárias em um sistema de bandas - no qual é permitida a flutuação do câmbio dentro de um limite estipulado pelo Banco Central. Com o câmbio valorizado, abriu-se um estímulo às importações de bens, principalmente de consumo, o que, por aumentar a oferta interna de produtos, foi capaz de satisfazer o crescimento da demanda da população por esse tipo de bens, característico dos períodos de estabilização (como conseqüência do fim do imposto inflacionário, que restringe a renda disponível das pessoas). Assim, com o crescimento das importações, a expansão da demanda não exercia pressão contra os preços internos, tal como aconteceu durante o plano Cruzado. O câmbio era ajustado com minidesvalorizações decididas pelo Bacen.

A política monetária do período consistiu na manutenção de elevadas taxas de juros internas, para que o diferencial das taxas internacionais atraísse para o país investimentos estrangeiros em portfólio, de modo a compensar os déficits comerciais provocados pelo câmbio valorizado. Além disso, mantia-se um aperto creditício como uma outra forma de segurar a expansão da demanda interna, preservando assim a estabilidade de preços.

Contudo, o primeiro governo FHC apresentava dois graves desequilíbrios econômicos:

Desequilíbrio externo - os déficits na balança comercial, devido à manipulação do câmbio em níveis valorizados, exigiam que o país, para não perder reservas, atraísse fluxos de capitais estrangeiros. Esses capitais vinham, em parte, de investimentos diretos, estimulados pelas privatizações. Mas a maior parte desses montantes vinha de investimentos em portfólio, isto é, em capitais voláteis de curto prazo. Desse modo, a preservação da política econômica tornou-se vinculada às condições dos mercados financeiros internacionais e à credibilidade do país frente aos seus credores. Isso sem falar que os investimentos estrangeiros, de curto ou de longo prazos, provocarvam saídas de capitais do país pela conta de serviços, na forma de remessas de lucros e de juros, o que agravava a situação da conta corrente.

Desequilíbrio fiscal - a política de alta taxa de juros pressionava as despesas financeiras do governo, prejudicando dessa forma as suas contas. Mas, fundamentalmente, destacava-se o fenômeno "Efeito Tanzi-às-avessas", em que a estabilização da economia, por desindexar as receitas do governo e não permitir a desvalorização inflacionária de seus gastos orçados, acabava por prejudicar a situação fiscal do Estado brasileiro. Mesmo as políticas restritivas adotadas no período (como o PAI e as desvinculações de recursos) se mostraram insuficientes para equilibrar as contas públicas.

Ora, com déficit público constante e desequilíbrio externo crescente, foi natural que um plano econômico tão fundamentado na credibilidade perante os investidores internacionais (para atrair capitais externos) começasse a sofrer com o ceticismo por parte desses, o que passou a complicar a entrada de nocos capitais na economia brasileira. Assim, o Real passou a sofrer uma série de choques e ataques especulativos, provenientes de contágios das crises externas (1995, 1997 e 1998), manifestados pelo receio que os investidores internacionais tinham de uma súbita desvalorização da moeda brasileira. Como esses choques eram combatidos com elevações da taxa de juros (para segurar os capitais no país), a situação fiscal agravava-se cada vez mais.

Por isso, a desvalorização do Real em 1999, no início do segundo governo FHC, se tornou inevitável, dada a queima de reservas do país com os ataques especulativos. Ou seja, o choque econômico brasileiro apresentou dois componentes "clássicos" de crise - desequilíbrios externo e fiscal - e um componente comportamental dos intestidores internacionais, que tornaram a desvalorização do Real uma profecia auto-realizada . Isso porque, com a com a perda de credibilidade da política econômica em termos de risco percebido de desvalorização cambial, houve ataques especulativos contra as reservas nacionais. Como, com isso, o governo perdia recursos para intervir no câmbio, a desvalorização tornou-se inevitável.

Assim, em 1999, quando Armínio Fraga assumiu a presidência do Bacen, as novas diretrizes de política econômica consistiram em:

- Sistema de metas de inflação: o COPOM passou a definir metas de inflação a serem atingidas em cada ano e a taxa de juros passou a ser usada para fazer convergir a inflação real com a meta;

- Câmbio flutuante: agora, o câmbio é a variável para alcançar-se o equilíbrio das contas externas;

- Superávits primários: para contornar o desequilíbrio fiscal, o governo buscou traçar metas crescentes anuais para o seu resultado primário. Este ítem foi aprovado em acordo com o FMI, em troca de repasse de US$ 43 bilhões em empréstimos.

- Reformas institucionais, como a Previdência e a Lei de Responsabilidade Fiscal, conseguidas via novas alianças políticas.

É importante lembrar que o câmbio flutuante desvalorizado conseguiu equilibrar a conta corrente brasileira, o que tornou a economia nacional menos dependente de Investimentos Diretos Estrangeiros para se equilibrar e, conseqüentemente, "esfriou" o programa de privatizações.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Breve Panorama Macroeconômico para o Brasil Pós-Eleições

Analisando alguns indicadores macroeconômicos, a trajetória da economia brasileira no futuro próximo independenderá de quem for eleito presidente. Acredito que a primeira medida de qualquer um que ocupe o governo será a contenção fiscal e monetária.

Explicando melhor, diante da crise financeira de 2008, o governo brasileiro dez uma política fiscal bastante agressiva - e correta a meu ver dadas as circunstâncias. Só que, aparentemente, os impactos dessa crise foram superestimados para o país, de modo que o resultado da política foi um superaquecimento da demanda doméstica e um over-gasto público, elevando a dívida bruta do governo. Além disso, optou-se por não fazer o ajuste fiscal no ano eleitoral, certamente para não prejudicar a Dilma e os candidatos aliados nas eleições subnacionais. Para não deixar a inflação ficar acima da meta, já que se acelerou no início desse ano, o Banco Central deu uma breve elevada nos juros.

Porém, o resultado de todos esses fatores - política fiscal expansionista, aquecimento da demanda efetiva - potencializados pela grande expansão do crédito, é o crescimento da demanda por importações. E como os mercados consumidores das nossas exportações ainda estão em crise (EUA e Europa, já que a China continua comprando minério de ferro da Vale), vejo um déficit eminente do balanço de pagamentos do Brasil para o ano que vem. A solução mais fácil para qualquer candidato é a restrição da demanda efetiva interna, com aumento dos juros, restrição ao crédito ao consumidor e corte de gastos públicos. Essas políticas elevarão o desemprego e reduzirão o consumo das famílias (as únicas variáveis que considero realmente importantes para explicar a popularidade de um governo no Brasil). Com um governo de menor popularidade, o espaço para uma "Venezuelização do Brasil", tal como é temido pelos blogueiros tucanos e libertários, enfrentará maiores resistências por parte da sociedade.

Por outro lado, há o risco da Dilma mandar o Meirelles embora, colocar algum economista alternativo no Banco Central e manter as atuais políticas expansionistas. Para isso, ela poderia combater o problema na balança de pagamentos por meio de controle quantitativos às importações, o que seria a pior escolha possível de ser tomada. Mas acho isso pouco provável devido a dois fatores: primeiro, a mudança dos rumos da política monetária causaria pânico (mas não igual a 2003) nos mercados financeiros, causando fuga de capitais e deteriorando ainda mais o balanço de pagamentos; segundo, a política de fechamento do país às importações teria um impacto negativo sobre o consumo das famílias ainda pior do que a restrição de crédito, causaria concentração de renda, e seriam muito difíceis de serem eliminados em um posterior período de crescimento, já que criariam grupos de interesse político.