domingo, julho 19, 2009

Setembro Será Agitado

O mês de setembro será bem ativo para minha vida acadêmica. Emplaquei o artigo sobre o Imre Lakatos no Congresso da ABPHE, em Campinas, e o artigo de modelos hierárquicos no encontro da ENABER, em São Paulo. Um congresso é emendado no outro, na semana do feriado do dia 7.

Sinal de que Estou Ficando Velho

Hoje eu estava olhando CDs na livraria Cultura, no Bourbon Country, aqui em Porto Alegre. Não vi nenhum que me interessasse.

terça-feira, julho 14, 2009

O Que Aprendi como Professor Substituto?

Sexta-feira passada entreguei as notas finais dos meus alunos de Economia II (Macroeconomia para Administração) na UFMG. Dos meus 54 rebentos, 5 ficaram com conceito A, 9 com B, 11 com C, 19 com D, 6 foram reprovados por falta de pontos, e 4 foram reprovados por falta de freqüência. Nesses quatros meses de atividade docente, sinto que aprendi tanto, ou até mais, do que meus alunos. Sinto que estou entendendo melhor a psicologia, ou em economês, a estrutura de preferências, dos alunos de graduação.

- Em primeiro lugar, como muito bem me avisou minha orientadora de mestrado, nunca se deve subestimar os alunos. Meu programa de disciplina foi muito ousado em termos de carga de conteúdo, e minhas provas tiveram, em geral, nível superior em relação a grande parte das disciplinas de macroeconomia que fiz na graduação. Contudo, muitos alunos corresponderam ao exigido, e sei que eles aprenderam muito nesse semestre.

- A dica no Enoch de corrigir questões dissetativas por ficha de correção, atribuindo pontuações diferentes para cada tipo de resposta a uma mesma pergunta, ajudou muito a diferenciar os As dos Bs e dos demais. Quanto mais completas forem as respostas, maior é a nota do aluno; quem souber identificar os conceitos, mas sem muito raciocínio, pode ficar com C ou D.

- Questões de verdadeiro ou falso facilitam a correção e agilizam a prova. Contudo, elas tem o poder maléfico de derrubar os alunos que estudam muito, os quais tendem a ver ambiguidades em qualquer proposição, em benefício dos que estudam pouco. Para contornar esse problema, exigi que os alunos corrigissem as alternativas falsas, e só coloquei na prova os exercícios dados (e corrigidos) em sala de aula.

- A maior parte dos alunos só respeita aquilo que teme. O pessoal que matava aula descaradamente e tomou um laço no primeira prova, de repente se tornou bom aluno. Quem foi "ajudado" na primeira prova, ganhando arredondamento para não ficar abaixo de 6, passou a se dedicar ainda menos. Inclusive, 2 dos 6 alunos reprovados por falta de pontos, foram mal (e muito mal) apenas na terceira prova do semestre. Por isso, na próxima vez que eu der aula, pretendo ser muito mais "carrasco" na primeira avaliação do semestre, para o benefício dos próprios alunos. Também , no dia da prova de recuperação, achei divertido olhar a cara daquele aluno que me tratava do mesmo modo que um veterano da graduação trata um calouro. Sim, ele foi reprovado.

- Nesse semestre, não cobrei chamada. Os alunos podiam escolher se compareciam à aulas ou não. Fiz isso pensando no benefício do pessoal que trabalhava o dia inteiro, que era auto-didata, ou que simplesmente fazia bagunça na sala de aula. Contudo, algumas vezes a turma mal passava de 10 pessoas, e me aborrecia muito pelo trabalho de ter preparado cuidadosamente a aula durante uma tarde inteira. Por outro lado, nunca tive problemas com bagunça ou conversas entre os alunos. Por isso, ainda não estou decidido se a cobrança de presença é importante para o aprendizado

- Minha turma era dividida entre um grupo de alunos recém-saídos do colégio, e um pessoal mais maduro, acima de 23 anos, que já trabalhavam, já eram formados em outros cursos, ou já tinham passado por outros cursos de graduação. Minha relação com eles era excelente, eles se mostravam interessados no conteúdo da disciplina mais do que os mais novos, e controlavam o comportamento destes ("pssssit!" "silêncio!") melhor do que eu.

- Em relação aos casos de amizade entre professor e aluno, fiquei satisfeito que em pouquíssimos casos o aluno tentou tirar vantagem disso fazendo provas cada vez piores ao longo do semestre. E, mesmo nesses raros casos, notei que se tratavam de alunas. Coincidência?

- Desafios de lógica e exercícios em sala de aula parecem entreter os alunos. Também, ajuda o aprendizado.

- Esqueçam a crítica de Lucas sobre a modelagem das expectativas de Friedman. Ou a briga entre a Johan Robinson e o Robert Solow sobre a divisibilidade do capital. Ou a dicotomia entre Estado e Mercado em Keynes e Friedman. Esses devaneios intelectuais são maçantes, e até mesmo meio toscos, para os não-economistas. Minhas duas aulas de HPE ficaram muito prejudicadas por isso. Melhor é seguir uma linha de pensamento durante todo o semestre, e assumir como se fosse o pensamento geral da Ciência Econômica, ainda que passível de críticas. No meu caso, escolhi a escola novo-keynesiana do manual do Blanchard. Na próxima vez que der a disciplina, pretendo adotar um único texto de história, ao invés de fazer um apanhado geral das idéias.

- Passar volumes de livros e artigos originais dos autores em sala de aula não despertam muito a atenção dos alunos. Por outro lado, passar notícias de economia e outras novidades, como o balanço de pagamentos brasileiro calculado pelo Banco Central, parecem estimular o pessoal.

- Por fim, como já me comentaram professores mais experientes, corrigir homogeneamente as provas dos alunos não é a alternativa mais correta. No meu caso, corrigi de modo mais light os alunos mais velhos, acima dos 40 anos, e de um rapaz que tinha dislexia, isto é, dificuldade em escrever. No caso dessas pessoas, a reprovação não daria nenhuma lição pedagógica. Talvez eu devesse também corrigir mais bondosamente as provas dos alunos mais freqüentes às aulas.

segunda-feira, julho 06, 2009

Opinião dos Meus Alunos sobre o Impacto da Copa do Mundo na Economia Brasileira

Na minha última prova de Macroeconomia para Administração, curso de graduação que ministro aqui na UFMG, incluí uma questão extra, valendo um ponto para além dos dez pontos que a prova valia. Essa questão consistia em ler uma reportagem de uma página sobre o orçamento que o governo de Mato Grosso divulogou para as obras que serão realizadas em Cuiabá tendo em vista que a cidade foi escolhida para sediar a Copa do Mundo em 2014 (mais de um bilhão de reais), e comentar sobre o impacto disso para o crescimento da região.

Essa questão não tinha uma resposta exata definida, eu apenas queria ver a capacidade de análise, reflexão e de argumentação dos meus alunos utlizando as principais teorias macroeconômicas, conforme apresentado em sala de aula. Conforme o nível do texto, dei notas iguais a zero, 0.3, 0.5 e 1. Porém, eis que os textos que li foram bastante intrigantes.

Das 49 provas que corrigi, 9 alunos (18,37%) não responderam a questão, ou escreveram coisas sem nenhum conteúdo econômico, e ficaram com zero nesse ítem. Um aluno (2,04% da turma) criativamente afirmou que a Copa incentivaria a acumulação de capital humano pelos trabalhadores cuiabenses, para que melhor atendam aos consumidores turistas estrangeiros. Como seu texto foi muito bom, dei um ponto para o aluno. Dois alunos (4,08%) questionaram as obras, afirmando que seria melhor investir em projetos mais relacionados ao crescimento de longo prazo, como educação, saúde e pesquisas tecnológicas. 4 alunos (8,16%) se preocuparam com o risco de déficit público elevado, o que poderia, no médio prazo, elevar as taxas de juros no mercado financeiro, e restringir investimentos privados (pelo efeito crowding out, que eu expliquei para eles no início do mês de junho). 5 alunos (10,2%) viram na Copa do Mundo um risco para a aceleração inflacionária no país, conforme muito bem explicaram pelo modelo AS-AD de equilíbrio de médio prazo. 12 alunos (24,49%) afirmaram que o melhor da Copa vão ser os investimentos de infra-estrutura que o governo vai realizar nas cidades-sede, de modo que muitos gargalos devam ser eliminados.

Até aí tudo bem. Agora vem o grande choque: nada menos que 16 alunos, 32,65% do total da turma argumentaram que a Copa será favorável ao crescimento da economia brasileira porque incentivará os gastos dos governos no país, aquecendo a economia no curto prazo. Desses alunos, dei no máximo 0,3 para aqueles que, pelo menos explicaram a lógica IS-LM corretamente. E isso que todos eles tiveram contato com os modelos econômicos de médio prazo (AS-AD) e longo prazo (Solow, Capital Humano e Economia das Idéias). E, muitos desses 16 alunos responderam corretamente as questões da prova que tratavam especificamente desses temas.

Ou seja, o pensamento econômico estatista e míope continua predominando nas mentes brasileiras, inclusive em uma turma de uma das melhores universidades do país. Mesmo sabendo das limitações das políticas fiscal e monetária no médio prazo, e da capacidade dos trabalhadores e empresários de promover o crescimento, pelos investimentos em tecnologia e em capital humano, quase um terço da minha turma ainda vê o desenvolvimento apenas como uma questão de vontade política. Parece que muitas pessoas ainda estão vivendo o Regime Militar. É uma pena.

Novas Cores

Atendendo a inúmeros pedidos, resolvi mudar as cores do layout do blog.

Sai aquele preto "heavy metal", entra um verde e branco ecológico e pacifista.

Espero que todos gostem.

domingo, julho 05, 2009

Como Identificar Truques Retóricos em Textos?

Continuando o meu post "O Que Mudou com o Mestrado?", sobre como meus últimos dois anos e meio de jornada acadêmica melhoraram minha leitura de textos de economia, aproveito para citar dois posts relevantes. Ambos citam técnicas para identificar truques retóricos em posts de blogs, isto é, artifícios para "ganhar-debates-sem-necessariamente-estar-certo". Saber lidar com esse tipo de discurso ajuda muito a filtrar nosso conhecimento e nosso aprendizado, assim como a escolher melhor os autores que lemos (ou mesmo nossos companheiros de bar).

Segundo o Léo Monastério, em seu post sobre como identificar besteiras em textos de economia, é sembre bom ficar de olho nas seguintes características:

- Recomendações de política econômica abundam e há pouca evidência empírica; (principalmente baseadas em "evidências históricas" evidentemente manipuladas, e com pouca ou nenhuma aplicação à realidade atual).

- Muitas referêncais aos economistas mortos. Sua otoridade é central no argumento. Além disso, o autor e sua patota se mostram como quem finalmente entendou o Livro Sagrado; (isso é particularmente interessante. Alguém mais já reparou que todo pensador medíocre, economista ou não, adora se mascarar em uma determinada "escola de pensamento", na qual todos os seus membros são vistos como indivíduos iluminados, e toda a discussão intelectual se resume a uns deles bajulando outros, vivos ou não?)

- Poucas referências às evidências e teorias recentes que contradizem o autor. Estas, quando aparecem, são tratadas com desprezo ou sarcasmo. Em geral, quem discorda é burro ou mal intencionado; (isso se chama argumentação "ad hominem". É um dos artifícios retóricos mais básicos, e também mais baixos.)

- Linguagem colorida. As taxas "explodem" ou "despencam", as reservas são "corroídas", "derretem" e assim por diante. O tom é panfletário e catastrofista. O catastrofismo também é um truque retórico dos mais baixos; tenta fazer com que qualquer pessoa que discorde do texto se passe por um colaborador do apocalipse.

No blog O Indivíduo, de orientação ideológica liberal, foi postado um texto auto-crítico, mas que também pode ser estendido a artigos de qualquer panfletagem ideológica. Dentre os principais pontos apresentados pelo autor eu destaco os seguintes:

- Censura. Referir-se à ausência de reprensentatividade de certas idéias ou pessoas na imprensa como “uma forma de censura mais insidiosa, e por isso pior, do que aquela praticada na ditadura”. (os socialistas são barrados pela mídia "elitista"; os liberais são barrados pela mídia "que beija a mão do Estado"; os conservadores são barrados pela mídia "libertina", ou mesmo "comunista"; o que acontece é que, na maioria das vezes, as empresas da mídia só querem preservar seu mercado, não ofendendo seu público leitor e seus anunciantes; qualquer teoria da conspiração não faz sentido).

- Ditadura & opressão. Direita — e esquerda — tratam sua sensação subjetiva de marginalidade cultural como opressão de facto. Estar no Brasil de hoje e sonhar comparar-se aos perseguidos de URSS, Cuba, Camboja, Alemanha nazista etc. é um insulto a esses perseguidos. (gostei muito da última frase, parece que as discussões sobre economia, política e sociedade provocam a banalização dos genocídios).

- Insistência em culpar o Brasil por tudo. Isso serve como crítica a qualquer teoria social baseada em determinismo cultural. São débeis, baseadas em hipóteses completamente ad hoc e não falsificáveis, as tentativas de buscar explicar problemas dinâmicos (como o desenvolvimento sócio-econômico) com base apenas em parâmetros puramente estáticos, como a religião, os hábitos e costumes populares, etc.

- Pronunciamentos categóricos. Dos esquerdistas, eu já cansei de ler "a desigualdade social no Brasil atinge parâmetros moralmente inaceitáveis.". Dos liberais, já não agüento mais "não existe almoço grátis" em cada post.

- Fetichismo intelectual inviabilizador da vida. Quem não leu o autor X é um completo ignorante a respeito do tema em discussão. Se X é totalmente desconhecido, a culpa é do viés ideológico (qualquer um) das editoras, que censuram suas obras. É um artifício para tentar fazer com que o debatedor adversário passe por ignorante, principalmente se ele não for.

- Amor incondicional por determinados governos. Conservadores idolatram George W. Bush. Liberais idolatram Reagan e Thatcher. Esquerdistas preferem, em geral, opções latino-americanas, de diferentes níveis de radicalismo. Mas todos partem do princípio de que se alguma coisa de bom aconteceu no país (ou até mesmo no mundo) durante o governo idolatrado em questão, há uma relação confiável de causalidade entre a honestidade e a sagacidade do nobre líder e esses fatos.

Particularmente, eu considero que a análise desses recursos retóricos nos permite separar o joio do trigo em nossos estudos.

quarta-feira, julho 01, 2009

Sobre a Absolvição do Deputado do Castelo

O deputado federal Edmar Moreira, famoso (apenas) pelo seu castelo no interior de Minas, foi absolvido pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Até aí, nada de surpreendente, afinal, como já disse outro deputado, conterrâneo meu, eles estão se lixando para a opinião pública. Na verdade, eles nem precisam se lixar: o nosso poder Legislativo parece representar muito bem o seu eleitorado. A maior parte das pessoas no Brasil, se consultadas sobre sua opinião a respeito da corrupção na política, responderiam que "se estivessem em Brasília, estariam fazendo a mesma coisa". A maior sanção que um político corrupto no Brasil pode receber é estampar algumas reportagens de jornais e revistas, raramente chegando à matéria de capa. Talvez, alguns políticos vejam essa publicidade com um certo orgulho, a malandragem de se dar bem em negócios escusos e não ser punido.

A novidade nesse caso do "deputado do castelo" é que tive acesso à lista dos deputados que foram favoráveis a sua absolvição.

Hugo Leal (PSC-RJ)

Mauro Lopes (PMDB-MG)

Nelson Meurer (PP-PR)

Sérgio Moraes (PTB-RS)

Wladimir Costa (PMDB-PA)

Moreira Mendes (PPS-RO)

Urzeni Rocha (PSDB-RR)

Sérgio Brito (PDT-BA)

Lúcio do Vale (PR-PA)

Cicando no nome de cada um deles acima, é possível conhecer um pouco mais sobre suas trajetórias políticas. Algumas são surpreendentes.

terça-feira, junho 23, 2009

Ainda sobre a Mobilidade Socio-Econômica

Uma abordagem mais metodológica a respeito da mobilidade é realizada por Gary Fields, em seu livro “Distribution and Development – A New Look at the Developing World”. Para o autor, a análise econômica da mobilidade envolve a sua quantificação pela distribuição de bem-estar entre os indivíduos ao longo do tempo, e a comparação entre a sua posição presente e a posição passada, assim como o estudo de experiências particulares de mobilidade e a sua influência por incentivos específicos. O autor aponta três aspectos metodológicos importantes nesse sentido. Em primeiro lugar, a importância dos dados em painel, como forma de se mensurar a mobilidade dos mesmos indivíduos ao longo do tempo. Em segundo lugar, deve-se utilizar diferentes unidades de observação (como indivíduos, domicílios e famílias) para abordar diferentes formas de mobilidade. Por fim, deve-se utilizar diferentes medidas de bem-estar, para se ter uma abordagem mais completa, como, por exemplo, o nível de renda per capita, o nível de consumo per capita, os salários e a taxa de emprego.

Fields cita cinco conceitos de mobilidade econômica. Primeiro, o conceito de dependência temporal, isto é, em que medida o bem-estar passado afeta o bem-estar presente, em nível tanto intergeracional, como também intrageracional. Segundo, o conceito de movimento posicional, que refere-se à variação na posição econômica dos indivíduos na distribuição, principalmente de renda, da população (como o posto, o decil, o quintil, etc.). Nesse caso, a mensuração de grupos agregados de indivíduos é mais simples. Terceiro, o movimento distribucional, que refere-se à variação na participação da renda dos indivíduos na renda total da sociedade. Quarto, o conceito de movimento simétrico de renda, segundo o qual o que vale para fins de estudo é a magnitude da variação da renda dos indivíduos, e não a sua direção. Essa técnica é muito aplicada para a decomposição da variação da renda individual entre um parcela causada pelo crescimento econômico e uma parcela causada pela mudança da posição dos indivíduos em uma estrutura social. Quinto, o conceito de movimento direcional de renda, segundo o qual a variação de renda positiva e negativa são tratadas separadamente. De acordo com esse conceito, uma situação de mobilidade é considerada melhor do que outra se a variação percentual de indivíduos que movem-se positivamente é maior do que a de indivíduo que movem-se negativamente, se a mobilidade positiva é maior na média, ou se a mobilidade negativa é menor na média.

Supondo que x é um vetor de rendas iniciais, e y é um vetor de rendas finais para um conjunto de n indivíduos, e que m(x, y) é uma função de mobilidade, o autor apresenta cinco medidas para a mobilidade observada:

a) O coeficiente de correlação entre x e y;
b) O coeficiente de correlação de posto, referente à matriz de índices de renda;
c) A razão de imobilidade quantílica, entendida como a proporção de indivíduos que permanecem no mesmo quantil da distribuição de renda;
d) O índice de rigidez de Shorrok para dois períodos, em que I(.) é um índice de desigualdade invariante por escala:

e) O índice de Fields & Ok:


Dadas essas cinco medidas, o autor faz uma série de observações. Primeiro, se houver uma equalização de renda na sociedade que não mude o posto dos indivíduos na distribuição populacional, o coeficiente de correlação de posto não captará essa mobilidade, já que é uma medida de movimento posicional. Em segundo lugar, se os indivíduos mudarem de posição em um mesmo quantil, isso não será captado pelo índice de imobilidade quantílica, o qual é uma medida de movimento posicional entre os grupos. Terceiro, se houver uma variação de renda proporcional para todos, a mobilidade só será captada pelo índice de Fields-Ok. Quarto, se houver uma mudança fixa de c dólares para todos os indivíduos, a mobilidade equivalente só será captada pelos índices de Fields-Ok e de Shorrok. Quinto, por último, se houver um ganho de renda para todos, a mobilidade resultante será plenamente captada pelo índice de Fields-Ok; será captada pelo coeficiente de correlação e pelo índice de Shorrok se o ganho de renda não for uniforme para todos os indivíduo; e será captada pelos indicadores de correlação de posto e de imobilidade quantílica se os indivíduos mudarem de posição ou de quantil.

segunda-feira, junho 22, 2009

Uma História Contada por Vários Ângulos

Como seria noticiada a história de Chapeuzinho Vermelho na imprensa?

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem..'.
(Fátima Bernardes): '... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'..

PROGRAMA DA HEBE
(Hebe Camargo): '... que gracinha gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'

BRASIL URGENTE:
(Datena): '.... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva.... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de
lobo, não.'

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo para salvar menor de idade carente.

AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu..

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade ?

DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver

domingo, junho 21, 2009

Estudos sobre Mobilidade Sócio-Econômica

Um dos mais importantes trabalhos realizados no período presente sobre os problemas relacionados à mobilidade socioeconômica foi a coletânea de artigos organizada por Stephen Morgan, David Grusky e Gary Fields, chamada “Mobility and Inequality – Frontiers of Research ina Sociology and Economics” (2007). O objetivo desse trabalho, em síntese, é discutir os fundamentos intelectuais comuns sobre a mobilidade para as disciplinas de economia e sociologia, relacionar esses fundamentos com os estudos mais recentes sobre o tema, e apontar perspectivas de pesquisa futura na área, sobretudo sobre a relação entre mobilidade e desigualdade, nas ciências sociais.

Morgan (2007), no primeiro capítulo da coletânea, diferenciou a abordagem da mobilidade para a sociologia e para a economia. Na sociologia, a mobilidade é compreendida de acordo com duas abordagens. Em primeiro lugar, é tida como um movimento de indivíduos em relação a grupos agregados aos quais eles integram, como, principalmente, as classes sociais. Em segundo lugar, a mobilidade é vista como uma conseqüência do status socioeconômico de cada indivíduo ou grupo, de acordo com sua profissão e ocupação, seu nível de educação e sua dotação de renda e de riqueza. Nesse caso, a mensuração da mobilidade é realizada pela correlação intergeracional de status socioeconômico, cujas variáveis incluídas são decompostas em modelos de equações estruturais.

Na economia, por outro lado, tradicionalmente a questão da mobilidade vinha sendo trabalhada como uma análise da correlação intergeracional da renda dos agentes, isto é, estudos sobre as elasticidades de renda entre as gerações. Atualmente, no entanto, há uma crescente aproximação com a sociologia, de modo que a mobilidade é utilizada para explicat a estrutura da desigualdade na economia, como, por exemplo, pela distribuição da renda.

A atual tendência de aproximação entre a abordagem econômica e a abordagem sociológia a respeito da mobilidade se dá em duas frentes. Em primeiro lugar, há um consenso de que a questão da mobilidade inter e intrageracional deve ser modelada de acordo com um mesmo aparato conceitual e metodológico. Todavia, essa modelagem depende da estrutura da desigualdade na economia. Por exemplo, se o destino da mobilidade está associado a conceitos de classe social ou de decil de renda na distribuição populacional (isto é, trabalha-se com grupos agregados), tanto faz as origens individuais da mesma (tais como o status dos pais e as condições iniciais de renda, emprego e educação dos indivíduos). Em segundo lugar, os pesquisadores vêm utilizando cada vez mais métodos descritivos e análises empíricas sobre o tema, em detrimento de modelos teóricos acerca dos processos sociais da mobilidade.

O autor cita uma breve lista de tópicos relacionados com pesquisas recentes nessa área:
- A relação entre meritocracia e igualdade de oportunidades;
- A relação, dentro de modelos de capital humano, entre as escolhas e condições iniciais dos pais e as oportunidades recebidas pelos seus filhos no futuro;
- A questão da desigualdade entendida como um fenômeno entre grandes classes sociais;
- A mobilidade entendida como um processo de mudanças na carreira profissional de cada indivíduo;
- A relação entre a mobilidade e a educação individual, tanto em termos de sinalização de produtividade, como em termos de produção individual de habilidades cognitivas;
- O impacto de choques macroeconômicos sobre a distribuição de renda em uma sociedade.

Em relação a perspectivas futuras de pesquisa, Morgan (2007) aponta três grandes áreas. Em primeiro lugar, o refinamento dos métodos de mensuração da mobilidade, capazes de incluir trabalhos descritivos junto com análises de impacto de intervenções políticas. Em segundo lugar, a reavaliação, que não necessariamente significa rompimento, das tradicionais unidades de observação da mobilidade, como a análise de classes sociais e das elasticidades-renda das famílias. Por fim, é fundamental a expansão de estudos que relacionem a mobilidade com a estrutura da desigualdade social, assim como com as condições macroeconômicas específicas a cada caso e com as características de cada mercado de trabalho, levando em conta fatores como as instituições reguladoras de cada núcleo sócio-econômico, o processo de industrialização das sociedades subdesenvolvidas e de pós-industrialização das sociedades desenvolvidas, e a globalização.