quarta-feira, setembro 21, 2011

O Lado Macroeconômico da Primavera Árabe



Tunísia, Egito, Sudão, Síria, Yêmen e provavelmente a Líbia são alguns dos países cujo crescimento foi mais afetado pela crise de 2008-09. A fonte é o World Economic Outlook, do FMI.

domingo, setembro 18, 2011

O Aumento do IPI para os Automóveis Importados

O assunto recente mais comentado pelos economistas na última semana é a elevação em 28% do IPI sobre carros produzidos fora do Mercosul. Os resultados esperados por esse tipo de política são conhecidos por todos os iniciados em teoria econômica: no curto prazo, elevação de preços ao consumidor; no longo prazo, a barreira à entrada de novas firmas no mercado interno (devido à exigência de que 65% das peças sejam produzidas em território nacional) reduzirá a oferta de automóveis, inibindo a geração de empregos e diminuindo a competitividade internacional da indústria automotiva brasileira. Em resumo, haverá uma transferência de bem-estar do consumidor para as montadoras de carros instaladas no país.

Mas o que fez com que o governo tomasse essa medida? Acredito que seja a combinação de dois fatores: um de relacionado à economia política, e outro de natureza puramente fiscal.

Em primeiro lugar, as montadoras de automóveis no Brasil estão organizadas em uma associação, a ANFAVEA (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores). Essa organização defende os seus interesses perante o governo, e como essas empresas são importantes para o financiamento de campanhas eleitorais, seu poder de barganha é alto. Ou seja, há aquilo que na economia política é chamado de rent-seeking, isto é, a captura das políticas de estado por grupos de interesse.

Em segundo lugar, todos sabemos que o processo orçamentário do Brasil é caótico. Parlamentares do Congresso têm o poder de redigir emendas no orçamento da União que extrapolam os planos de gastos e as metas fiscais estipuladas pelo Ministério da Fazenda. Por isso, há muito tempo o governo federal precisa aumentar impostos para manter o superávit primário dentro da meta, e evitar (mais) pressões inflacionárias. É sempre uma alíquota do IPI sendo reajustada para cima aqui, uma alíquota do IOF acolá. Como não vejo nenhuma solução para a ineficiência do Congresso brasileiro, a tendência é isso continuar acontecendo.

terça-feira, setembro 13, 2011

Resultado do ENEM

Nesses últimos dias, foi divulgado o resultado do exame ENEM 2010 das escolas brasileiras. O resultado final mostra o predomínio dos colégios do Rio de Janeiro e de Minas Gerais sobre os dos demais estados brasileiros. Além disso, alguns dos estados mais pobres do Brasil, como o Piauí, tiveram colégios muito bem posicionados. Os rankings de cada estado foram divulgados no site da Folha de São Paulo.

O segundo melhor colégio do Brasil é o Instituto Dom Barreto, de Teresina. É uma escola de muita tradição, sempre figura entre os melhores do país em qualquer ranking. Tive um colega de mestrado no Cedeplar-UFMG que fez o Ensino Médio nessa instituição. Depois disso, se graduou em engenharia pelo ITA e está trabalhando como analista do Banco Central.

A minha decepção foi o Rio Grande do Sul. Ainda que o resultado médio dos colégios gaúchos tenha ficado acima da média brasileira, o melhor colégio do meu estado de origem foi o Colégio Militar, que só ficou entre o 80 e o 90 nacional. Além disso, o interior predominou sobre a capital. A escola que frequentei desde o jardim-de-infância até o Ensino Médio, o Colégio Anchieta, foi o n. 53 do estado.

Essas características do ensino rio-grandense - qualidade acima da média nacional, mas sem instituições de ponta - é um tema que merece ser pensado com cuidado. Uma hipótese é uma cultura de displicência acadêmica que tomou conta dos estudantes rio-grandenses pelo menos desde os anos 90. Quando morei e estudei em Porto Alegre, tanto no Ensino Médio como na Universidade Federal conheci poucos colegas que realmente tomavam gosto pelo conhecimento, que estudavam porque queriam aprender novos temas. A grande maioria via a educação apenas como a busca de títulos, isto é, o importante era apenas se formar, e de preferência fazendo o mínimo esforço possível. Mais tarde, quando migrei para Minas Gerais, notei que o compromentimento dos alunos da UFMG com sua formação era muito diferente dos alunos da UFRGS.

Outra hipótese, mais econômica, teria a ver com a má situação do mercado de trabalho no estado. É sabido que muitos jovens recém-formados no Rio Grande do Sul têm que migrar para as capitais do Sudeste em busca de melhores alternativas de empregos. Talvez essa fator, e as baixas expectativas para o futuro, faz com que os agentes envolvidos no processo de educação (alunos, famílias, professores e dirigentes das instituições) não tenham incentivos para buscar melhorias, e se mantenham, como se diz na economia, em um equilíbrio de Nash sub-ótimo.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Estados Brasileiros como Países

Segundo mapa divulgado pela The Economist, eu nasci no Gabão. Aos 22 anos, migrei para o Líbano não fugindo da fome, da guerra civil ou do vírus do ebola, mas em busca de oportunidades educacionais. Pós-graduado, fui ser consultor das Nações Unidas e professor universitário em Portugal. Há três meses atrás, fui convocado em um exame de seleção para trabalhar no Banco de Desenvolvimento da Rússia.

Essa história bem poderia dar um filme, ou descrever algo parecido com a biografia do Barrack Obama, mas é o resultado do estudo da Economist, que comparou os estados brasileiros com países equivalentes de acordo com o seu PIB, população e PIB per capita.

O resultado final do mapa do PIB per capita é o seguinte: os estados brasileiros mais ricos não são tão ricos assim internacionalmente. Equivalem aos países do leste europeu. Os estados mais pobres também não estão tão mal na foto, estão próximos aos demais países latino-americanos as nações do Oriente Médio. É claro que a base de comparação inclui países institucionalmente caóticos, mas que exportam petróleo, o que infla sua riqueza sem distribuí-la à população, como Gabão e Venezuela. Isso atrapalha um pouco a interpretação, mas não muda o padrão.

Para controlar o problema da distribuição de renda, assim como os efeitos da valorização do câmbio real, eu bem que queria ver um mapa desses para o índice de desenvolvimento humano (IDH).

quarta-feira, agosto 31, 2011

Evolução dos Rendimentos Médios Reais no Brasil Recente

Na semana passada, o IBGE divulgou dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) referentes ao mês de julho. Essa pesquisa aborda uma amostra de trabalhadores, ocupados, desocupados ou inativos, em seis metrópoles brasileiras (Porto Alegre, Sâo Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador e Recife). Um dado que sempre me chama a atenção em pesquisas de mercado de trabalho é o salário médio real, isto é, o poder de compra do rendimento do trabalhador, que considero o melhor indicador de bem-estar. Nessa pesquisa, a evolução desse índice é o seguinte:



Para controlar os efeitos de sazonalidade, já que o mercado de trabalho é sempre mais aquecido no início do ano e mais retraído em julho, considerei na tabela apenas os meses de julho desde o início da série histórica, em 2002. A tabela mostra um resultado surpreendente: na maior parte das grandes regiões metropolitanas, o ciclo de crescimento econômico iniciado em 2004 mal conseguiu repor para os trabalhadores as perdas acumuladas pela crise de 2002-2003. Marquei em amarelo o ano em que o indicador, para cada série, é superior ao patamar de 2002. Em São Paulo e em Recife, isso ainda não aconteceu. As exceções foram Belo Horizonte e Salvador, onde o rendimento médio real do trabalho principal foi acima de 25% maior no final da série do que no seu início.

É importante destacar que a amostra compreende apenas essas seis regiões metropolitanas. Regiões que aparentaram ter desempenho econômico mais próspero na última década, como o Centro-Oeste e a cidade de Vitória, no Espírito Santo, ficaram de fora. Contudo, dado o peso populacional das maiores regiões metropolitanas do país, esse resultado indica que a situação do mercado de trabalho no país está menos cor-de-rosa do que muita gente divulga por aí.

terça-feira, agosto 30, 2011

Nosso Atraso Começa na Infância

Segundo dados divulgados pela prova ABC, que mensura a qualidade da educação das crianças de até 8 anos, os problemas de aprendizado começam cedo na infância. Espero que isso sinalize para os governantes onde está o maior gargalo para o crescimento de longo prazo da economia brasileira. A notícia completa está no link abaixo:

Em Matemática, apenas 32,6% dos alunos de escolas públicas alcançaram o resultado esperado

terça-feira, agosto 23, 2011

Antônio Barros de Castro (1938-2011)

Nesse fim-de-semana faleceu, em um acidente em sua casa, o economista Antônio Barros de Castro. Ele foi presidente do BNDES no governo Itamar Franco, e era professor emérito da UFRJ. Seu livro "A Economia Brasileira em Marcha Forçada", sobre o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) é um clássico, leitura obrigatória para alunos de graduação em economia.

No mês passado, assisti a uma ótima palestra sua sobre o impacto da China no mercado internacional de manufaturas, tema o qual ele estava trabalhando no momento. Sim, aposentado, aos 73 anos, Barros de Castro continuava trabalhando e contribuindo à academia.

segunda-feira, agosto 22, 2011

Evolução dos Salários dos Professores das Federais

O blog Acerto de Contas publicou gráficos sobre a evolução do salário inicial dos professores das universidades federais desde 1998. Também a comparou com os salários dos técnicos do IPEA e dos pesquisadores do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT). O resultado é o seguinte:

Salários Nominais:


Salários Reais:


Isso ajuda a explicar porque tantos alunos de cursos de pós-graduação nas universidades federais, e falo por conhecimento próprio na área de economia, estão trocando a vida acadêmica pela vida de concurseiro. Afinal, o que é mais economicamente racional: estudar 2 anos de mestrado e 4 de doutorado para concorrer a uma vaga de professor e ganhar 7.300 reais por mês, ou estudar de 6 meses a 1 ano de cursinho para entrar no serviço público ganhando acima de 10.000 reais por mês, ainda que fazendo um trabalho meno de acordo com suas competências?

Mas eu fiquei com a seguinte curiosidade: como ficariam esses gráficos se o salário inicial fosse trocado pelo salário do topo da carreira nas três categorias?

terça-feira, agosto 02, 2011

Novidades Acadêmicas

Nesse último mês em que fiquei de "férias" do blog, tive boas notícias referentes aos meus últimos artigos.

O artigo "A macroeconomia do bem-estar social: relações e controvérsias", o capítulo 3 da minha dissertação de mestrado, foi publicado como o Texto para Discussão n. 437 do Cedeplar/UFMG. Esse trabalho já foi apresentado na AKB no ano passado e na SEP desse ano.

O artigo "Ciclos econômicos e a composição da pobreza no Brasil: uma análise para as décadas recentes", a parte empírica da minha dissertação de mestrado, foi publicado como o Texto para Discussão n. 436 do Cedeplar/UFMG. No início do mês passado, esse trabalho foi aceito no Encontro Regional de Economia da ANPEC, em Fortaleza, mas não pude comparecer para apresentá-lo. Nessa quinta-feira, por outro lado, o estarei apresentando no encontro da AKB, aqui no Rio de Janeiro.

Agora, juntando com o artigo que montei em 2009 sobre os aspectos mais teóricos da economia da pobreza, a trilogia da minha dissertação está concluída. Agora, é esperar as respostas das revistas.