sábado, dezembro 17, 2011

Estudar Economia Pode nos Tornar Free-Riders?

Sim, segundo estudo de Yoram Bauman. O experimento dele me pareceu limitado, mas não deixa de ser interessante.

Eu gostaria de ver o seguinte experimento para testar a mesma hipótese: dentre uma amostra de alunos universitários pegos dirigindo bêbados, qual seria a proporção de estudantes de economia?

quarta-feira, dezembro 14, 2011

A FIESP e os Juros Altos (Reviravolta na Blogosfera Brasileira)

Um dos principais blogs brasileiros de economia, "A Consciência de Dois Liberais", escrito pelos USPianos Fabio Kanczuk e Celso Toledo, foi descontinuado desde o início do mês após uma forte crítica ao posicionamento político da FIESP. Antes que o site deles seja apagado do domínio da Exame.com, vou transcrever o post aqui. Algumas das passagens são quase que pedagógicas para alunos de economia.


Há alguns dias, a TV Globo me convidou a comentar um estudo preparado pela FIESP sobre a questão dos juros altos no Brasil. Para quem tiver paciência de ver o vídeo, o arquivo está aqui.

É normal que as partes puxem a brasa para suas sardinhas no debate de questões econômicas. Afinal, não há verdades indiscutíveis e, convenhamos, o juro realmente é muito alto no Brasil. Não conheço brasileiro que não deseje ver as taxas menores.

Feito o comentário, há um limite a partir do qual a adoção de artimanhas retóricas para a defesa de teses reconhecidamente falsas beira o desrespeito. O estudo apresentado é um festival de equívocos que salta aos olhos mesmo quando se leva em conta o baixo nível geral da discussão cotidiana sobre assuntos econômicos por aqui.

O que leva uma entidade tradicional a arranhar a reputação de forma tão pouco lisonjeira?

O fato de os juros serem altos no Brasil é amplamente conhecido. Ao fazer alarde para o fato, a FIESP anuncia com solenidade o descobrimento da América. A parte interessante e inacreditavelmente simplória do estudo é a conclusão de que o fenômeno é obra perversa de quem não quer que a economia brasileira se desenvolva.

Na tentativa de dar credibilidade a esta preciosidade, o estudo lança mão de falácias que não sobrevivem até mesmo a uma inspeção diagonal das páginas. Uma delas é tão óbvia que foi rapidamente identificada por uma pessoa de bom senso – não economista – que estava perto enquanto passava os olhos pela obra prima antes da entrevista.

Mencionar aqui, por exemplo, o problema tão conhecido de relações espúrias seria alçar o trabalho a um patamar de seriedade que, evidentemente, ele nunca teve a pretensão de alcançar. O espetáculo vai longe e envolve seleção parcial e criteriosa de dados favoráveis ao argumento, adoção de vínculos causais inexistentes – enfim, um verdadeiro laboratório para quem quiser ver na prática a aplicação da “arte de estar correto” de Schopenhauer.

As tentativas honestas para explicar o fenômeno dos juros altos têm consumido neurônios de alguns dos melhores economistas do país – vejam, por exemplo, este texto e a bibliografia sugerida. A questão é complicada e nenhuma explicação isolada é capaz de explicar satisfatoriamente o problema.

Provavelmente, os juros são altos por uma soma de fatores como (i) o histórico de instabilidade (felizmente cada vez mais distante), (ii) a atrofia do mercado de crédito (e o fato dela estar diminuindo), (iii) as restrições à alocação livre de recursos financeiros, (iv) a atuação maciça do governo como emprestador de recursos com taxas subsidiadas, (v) a lentidão do judiciário e a precariedade das regras de proteção ao credor e (vi) a propensão a gastar do setor público.


Apesar de tudo isso, os juros têm caído sistematicamente, indicando que a superação gradual de alguns óbices e a condução da política monetária com responsabilidade (procedimento que a FIESP propõe implicitamente abandonar) têm feito com que, gradualmente, a jabuticaba deixe de existir – o ponto é corretamente frisado pelo Sardenberg no vídeo.

A questão realmente relevante – que a FIESP em momento algum procura responder – é saber por que a demanda agregada cresce tanto aqui no Brasil apesar do patamar elevado das taxas de juros (agradeço ao Bernard Appy por me fazer olhar a questão sob este prisma). Alternativamente, deve-se indagar porque a inflação resiste em cair apesar dos juros recordistas. Ou ainda, porque os juros altos não inibem a demanda de crédito.

O Genilson Santana – vulgo Totó – criticou-me por escrever textos longos e, nesta altura, passei novamente do razoável. Comentarei oportunamente estas questões em um próximo post.

Em tempo, tenho amigos de longa data que trabalham na FIESP e que, tenho certeza, não concordam com uma vírgula do que está na apresentação – independentemente de terem ou não participado do projeto.


É caso de concordar com a FIESP ou com os dois economistas? Uma coisa ficou clara: os primeiros levantaram um discurso do tipo "nós geramos empregos, renda e desenvolvimento e por isso somos moralmente superior aos outros; logo estamos certos mesmo quando estamos errados". Os últimos, por outro lado, levantaram hipóteses testáveis sobre a baixa elasticidade da inflação frente aos juros no Brasil.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Congresso da Anpec

Na semana passada, passei dois dias em Foz do Iguaçu (PR). Fui apresentar o paper empírico elaborado a partir da minha dissertação de Mestrado em economia, o mesmo que já tinha apresentado em agosto, no encontro da AKB.

Infelizmente, não foi um dos melhores congressos que já participei. A maior parte das seções estava vazia, assim como os seminários e outras atividades. Mesmo o coquetel de encerramento, do qual não participei, teve baixo quorum. O pessoal estava mais interessado em visitar as cataratas e fazer as compras de Natal no Paraguai do que em participar das atividades do encontro. Muito diferente do congresso de 2007 em Recife, o primeiro que participei, ainda que apenas para assistir.

Por outro lado, o jantar dos cedeplarianos (incluindo professores, alunos e ex-alunos) na Argentina foi excelente. Bife de chorizo ao ponto, com molho funghi e batatas noizettes , acompanhado de vinho Terrazas Malbec Reserva. De sobremesa, panquecas de doce de leite. Tudo isso por meros 60 reais.

sexta-feira, novembro 11, 2011

Cientistas Sociais Vistos por Outros Cientistas Sociais

Como economistas, cientistas políticos, sociólogos e antropólogos vêem uns aos outros?

Clique na figura abaixo para ampliar.



Dica do Selva Brasilis, com breves adaptações minhas.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Modelos Hierárquicos: Também Não

Ontem recebi mais um parecer negativo: o meu trabalho utilizando dados da POF para estimar o efeito da participação em programas sociais sobre a freqüência escolar nos estados brasileiros foi recusado por uma das principais revistas de economia do Brasil. Esse foi o meu primeiro artigo acadêmico, em co-autoria com a Helena Castanheira do mestrado em Demografia do Cedeplar-UFMG, elaborado em novembro de 2007 para a disciplina de Modelos Hierárquicos. Formatei ele em agosto de 2008, e o submeti na revista Pesquisa e Planejamento Econômico, onde foi recusado alguns meses depois. Em setembro de 2009, fizemos vários ajustes e incluímos métodos de micro-simulação, para então submetermos na Revista de Economia Aplicada, que só repassou o parecer agora, quase dois anos depois.

Esse artigo me animou muito, não só por ser meu primeiro trabalho formalmente acadêmico (o que não inclui relatórios de pesquisa de iniciação científica e monografia de graduação), mas também por ter encontrado alguns resultados interessantes. A Helena soube pilotar a POF como ninguém, e me lembro como deu trabalho montar o banco de dados. A parte teórica, incluindo a revisão bibliográfica, foi refeita várias vezes, pois minha inexperiência acadêmica na época me levou a elaborá-la com base nos trabalhos que apareciam no Google, ao invés de procurar papers nas principais revistas de economia nacionais e internacionais.

Agora é hora de re-re-refazer algumas coisas, e tentar uma nova revista.

Curiosidade: relendo, encontrei no trabalho alguns trechos que eu não me orgulharia se fossem publicados: "... como a amostra só inclui jovens de 14 anos, o fator gravidez, que afeta negativamente sobretudo os estudos das meninas, é menos comum." (me lembrou o filme "Júnior"). E também: "nos últimos anos, é notável a crescente popularidade do uso de modelos de estimação em multinível..." (alguém já leu o Manifesto da Econometria Política? Pois é...).

quarta-feira, novembro 02, 2011

Brasília News



Hoje implodiram dois velhos hotéis do Setor Hoteleiro Norte, em Brasília. Espero que construam opções melhores em seus lugares.

IDH 2011

Hoje foi publicado um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o ranking dos países de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice busca mensurar a qualidade de vida dos países ponderando indicadores de três dimensões: renda per capita, saúde e educação.

De acordo com o ranking, o Brasil é o 84o país mais desenvolvido do mundo, e o vigésimo na América Latina. Os melhores, como sempre, são os do norte da Europa. Os pioras, também como sempre, estão na África Subsaariana.