Recebi um e-mail muito divertido sobre técnicas para melhorar o currículo de quem está procurando emprego. O segredo é descrever as experiências de emprego anteriores utilizando um vocabulário pomposo.
Eis algumas dicas:
- Oficial Coordenador de Movimentação Noturna (Vigia)
- Distribuidor de Recursos Humanos (Motorista de ônibus)
- Distribuidor de Recursos Humanos VIP (Motorista de táxi)
- Distribuidor Interno de Recursos Humanos (Ascensorista)
- Diretora de Fluxos e Saneamento de Áreas (a tia que limpa o banheiro)
- Especialista em Logística de Energia Combustível (Frentista)
- Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (Operário de obra)
- Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (Servente)
- Especialista em Logística de Documentos (Office-boy)
- Especialista Avançado em Logística de Documentos (Moto boy)
- Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos (Vidente)
- Técnico de Marketing Direcionado (Distribuidor de santinho nas esquinas)
- Especialista em Logística de Alimentos (Garçom)
- Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos (Gandula)
- Distribuidor de Produtos Alternativos de Alta Rotatividade (Camelô)
- Técnico Saneador de Vias Públicas (Gari)
- Técnico responsável pela segurança de bens móveis (Guardador de carros -'Flanelinha')
- Especialista em Entretenimento Masculino (Prostituta)
- Especialista em Entretenimento Masculino Sênior (Acompanhante de luxo)
- Dublê de Especialista em Entretenimento Masculino (Travesti)
- Supervisor de Serviços de Entretenimento Masculino (Cafetão)
- Técnico em Redistribuição de Renda (Ladrão)
sexta-feira, agosto 22, 2008
Como Melhorar Seu Currículo
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sexta-feira, agosto 15, 2008
A Seca na Paisagem de Belo Horizonte
Desde meados de abril, só vi um dia chuvoso em Belo Horizonte. A seca, como de costume, afetou a cor da paisagem da cidade. A cobertura vegetal, de cor verde-escura no úmido do verão, secou, tornando os morros que cercam a cidade, assim como as gramíneas, de uma cor vermelho-telha.
As fotos abaixo ilustram bem minha observação. A região é a Praça do Papa e a Serra do Curral, no limite sul da cidade (bairro das Mnagabeiras).
VERÃO (UMIDADE):
Praça do Papa

Serra do Curral

Serra do Curral

INVERNO (SECA):
Mangabeiras

Praça do Papa

Serra do Curral

Em resumo, uma boa sugestão aos paisagistas de plantão. Tirei as fotos em janeiro e em julho de 2008.
As fotos abaixo ilustram bem minha observação. A região é a Praça do Papa e a Serra do Curral, no limite sul da cidade (bairro das Mnagabeiras).
VERÃO (UMIDADE):
Praça do Papa
Serra do Curral
Serra do Curral
INVERNO (SECA):
Mangabeiras
Praça do Papa
Serra do Curral
Em resumo, uma boa sugestão aos paisagistas de plantão. Tirei as fotos em janeiro e em julho de 2008.
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sexta-feira, agosto 08, 2008
Impressões de Fortaleza
Este post está bem atrasado... Dediquei as minhas últimas semanas transformando meu antigo trabalho de modelos hierárquicos em um artigo, e deixei o blog às moscas.
Na semana em que fiquei em Fortaleza com meus colegas do Cedeplar, ocupamos três dias com o congresso regional da Anpec, e os outros quatro dias para conhecer a cidade, principalmente suas praias e sua vida noturna.
Em primeiro lugar, a impressão geral que tive da cidade é que é uma metrópole totalmente diferente de qualquer outra que visitei no período recente (como Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Campinas e Rio de Janeiro). Isso porque Fortaleza não parece ser uma metrópole (apesar de ter a quinta maior população do país), mas sim algo como uma aglomerado de pequenos balneários e cidadezinhas de aspecto interiorano, cada qual com sua dinâmica própria. O próprio centro da cidade parece mais um bairro histórico do que um Centro Comercial propriamente dito. Não se vêem os enormes prédios comerciais como os que têm nos centros de Belo Horizonte e de Porto Alegre, mas sim uma série de sobrados de arquitetura centenária, mas em mau estado de conservação. Além disso, o próprio comércio da cidade é mais disperso do que se esperaria em uma metrópole de seu porte, mesmo nos bairros mais nobres.
Por outro lado, as praias tem um visual muito bonito. Conheci as três praias que parecem ser as principais: Iracema, Ideal e praia do Futuro. Iracema, onde se localizavam os hotéis em que pousamos durante nossa estadia, é junto ao centro da cidade. O mar é quente, mas poucas pessoas se arriscam a tomar banho, devido à poluição. A areia é grossa, e relativamente mais escura do que as das praias do sul. A chamada praia Ideal é o bairro mais chique da cidade, pelo que percebi, e o seu urbanismo, em termos tanto de infra-estrutura, como de comércio, em nada tem a dever às praias nobres do Rio de Janeiro. A praia do Futuro é mais isolada da cidade, muitos de seus prédios são recentes, ou estão em construção. O mar lá é aberto (ao contrário das praias de dentro da cidade), de modo que é muito mais agitado, ainda que seja quente. Em geral, a água do mar é de um verde-claro, algo como um meio termo entre o azul do mar pernambucano e o verde do mar do litoral catarinense.
Um ponto de destaque nas minhas impressões sobre a cidade é a proximidade entre a pobreza e a riqueza no local. Lá, quase todas as quadras, mesmo as pertencentes aos bairros mais nobres, apresentam becos com mini-favelas. Isso se torna muito mais visível a partir da terceira quadra mais afastada da beira-mar. E ainda, no trajeto de Iracema para a praia do Futuro, o ônibus (de ótima qualidade, por sinal) atravessava uma enorme favela localizada no final da chamada "avenida da Abolição", próxima a praia Ideal. Nessa favela, não se via sinais de violência, mas o que mais chamava a atenção era o contaste entre os barracos de alvenaria simples e a magnitude das igrejas evangélicas, de arquitetura clássica, espalhadas pela comunidade.
A vida noturna de Fortaleza é muito intensa, e nos consumiu até as últimas energias (e também até os últimos centavos...). A cidade tem uma região chamada "Dragão do Mar", uma espécie de cluster de boates e barzinhos (algo como uma Savassi de BH, ou uma Lima e Silva de POA). E todas as boates e barzinhos que conheci eram muito agradáveis (minha favorita se cahamava "Orbit"), e de preços em conta para estudantes. As opções eram muito variadas, de modo a satisfazer até mesmo os visitantes menos fãs dos ritmos locais (como eu).
Combinamos, entre nossos colegas de Cedeplar-UFMG, que no ano que vem, para quem conseguir colocar artigos no congresso, de procurar conhecer as paradisíacas praias do litoral cearense no entorno de Fortaleza. Um bom incentivo a continuar pesquisando!
Na semana em que fiquei em Fortaleza com meus colegas do Cedeplar, ocupamos três dias com o congresso regional da Anpec, e os outros quatro dias para conhecer a cidade, principalmente suas praias e sua vida noturna.
Em primeiro lugar, a impressão geral que tive da cidade é que é uma metrópole totalmente diferente de qualquer outra que visitei no período recente (como Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Campinas e Rio de Janeiro). Isso porque Fortaleza não parece ser uma metrópole (apesar de ter a quinta maior população do país), mas sim algo como uma aglomerado de pequenos balneários e cidadezinhas de aspecto interiorano, cada qual com sua dinâmica própria. O próprio centro da cidade parece mais um bairro histórico do que um Centro Comercial propriamente dito. Não se vêem os enormes prédios comerciais como os que têm nos centros de Belo Horizonte e de Porto Alegre, mas sim uma série de sobrados de arquitetura centenária, mas em mau estado de conservação. Além disso, o próprio comércio da cidade é mais disperso do que se esperaria em uma metrópole de seu porte, mesmo nos bairros mais nobres.
Por outro lado, as praias tem um visual muito bonito. Conheci as três praias que parecem ser as principais: Iracema, Ideal e praia do Futuro. Iracema, onde se localizavam os hotéis em que pousamos durante nossa estadia, é junto ao centro da cidade. O mar é quente, mas poucas pessoas se arriscam a tomar banho, devido à poluição. A areia é grossa, e relativamente mais escura do que as das praias do sul. A chamada praia Ideal é o bairro mais chique da cidade, pelo que percebi, e o seu urbanismo, em termos tanto de infra-estrutura, como de comércio, em nada tem a dever às praias nobres do Rio de Janeiro. A praia do Futuro é mais isolada da cidade, muitos de seus prédios são recentes, ou estão em construção. O mar lá é aberto (ao contrário das praias de dentro da cidade), de modo que é muito mais agitado, ainda que seja quente. Em geral, a água do mar é de um verde-claro, algo como um meio termo entre o azul do mar pernambucano e o verde do mar do litoral catarinense.
Um ponto de destaque nas minhas impressões sobre a cidade é a proximidade entre a pobreza e a riqueza no local. Lá, quase todas as quadras, mesmo as pertencentes aos bairros mais nobres, apresentam becos com mini-favelas. Isso se torna muito mais visível a partir da terceira quadra mais afastada da beira-mar. E ainda, no trajeto de Iracema para a praia do Futuro, o ônibus (de ótima qualidade, por sinal) atravessava uma enorme favela localizada no final da chamada "avenida da Abolição", próxima a praia Ideal. Nessa favela, não se via sinais de violência, mas o que mais chamava a atenção era o contaste entre os barracos de alvenaria simples e a magnitude das igrejas evangélicas, de arquitetura clássica, espalhadas pela comunidade.
A vida noturna de Fortaleza é muito intensa, e nos consumiu até as últimas energias (e também até os últimos centavos...). A cidade tem uma região chamada "Dragão do Mar", uma espécie de cluster de boates e barzinhos (algo como uma Savassi de BH, ou uma Lima e Silva de POA). E todas as boates e barzinhos que conheci eram muito agradáveis (minha favorita se cahamava "Orbit"), e de preços em conta para estudantes. As opções eram muito variadas, de modo a satisfazer até mesmo os visitantes menos fãs dos ritmos locais (como eu).
Combinamos, entre nossos colegas de Cedeplar-UFMG, que no ano que vem, para quem conseguir colocar artigos no congresso, de procurar conhecer as paradisíacas praias do litoral cearense no entorno de Fortaleza. Um bom incentivo a continuar pesquisando!
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quarta-feira, julho 30, 2008
Arquivo X e Mario Quintana
Segunda-feira fui assistir ao novo filme do Arquivo X (Eu Quero Acreditar). De longe, foi o filme mais enfadonho que assisti nos últimos tempos. Conseguiram transformar uma consagrada série de mistério e suspense num dramalhão cheio de clichês existenciais.
Deixo para o Mario Quintana, em "Drácula e os Pesquisadores" (1988) a crítica fundamental ao filme:
"O que chateia nos filmes de vampiros não são os ditos vampiros - em geral uns verdadeiros amores no gênero - mas aqueles dois indefectíveis personagens: um que acredita em tudo e outro que não acredita em nada... Falta-lhes o espírito de disponibilidade - que talvez não seja apenas uma característica do homem moderno, e sim do homem eterno. Ou, no mínimo, do leitor inteligente."
No filme, os "vampiros" são trocados por um padre pedófilo com visões sobrenaturais e por um casal gay de cirurgiões russos psicopatas. Pior ainda!
Deixo para o Mario Quintana, em "Drácula e os Pesquisadores" (1988) a crítica fundamental ao filme:
"O que chateia nos filmes de vampiros não são os ditos vampiros - em geral uns verdadeiros amores no gênero - mas aqueles dois indefectíveis personagens: um que acredita em tudo e outro que não acredita em nada... Falta-lhes o espírito de disponibilidade - que talvez não seja apenas uma característica do homem moderno, e sim do homem eterno. Ou, no mínimo, do leitor inteligente."
No filme, os "vampiros" são trocados por um padre pedófilo com visões sobrenaturais e por um casal gay de cirurgiões russos psicopatas. Pior ainda!
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sexta-feira, julho 11, 2008
Crescimento Econômico e Redução da Pobreza
Nas diversas disciplinas de Economia do Bem-Estar Social que venho cursando nesses últimos dois semestres, um dos temas mais interessantes é a relação entre o crescimento econômico e a melhoria das condições de vida de uma população.
Até meados da década de 70, toda a economia do desenvolvimento supunha que um crescimento econômico elevado e sustentado era condição necessária e suficiente para que a pobreza fosse irradicada das economias. Por isso, suas discussões teóricas e empíricas se concentravam nos determinantes qualitativos do crescimento (como a indistrialização, o progresso tecnológico e a eliminação de gargalos de infra-estrutura), acreditando que o progresso humano viria como sua conseqüência natural.
Contudo, em testes empíricos e econométricos, a relação entre pobreza e crescimento é muito mais complexa do que se imagina. Um famoso estudo é o de Freeman (2001) para a economia norte-americana, utilizando dados de 1969 a 1999. O autor verificou que cerca de 7% da população do país apresentam características demográficas ou econômicas (como famílias chefiadas por mães solteiras, imigrantes de baixa qualificação, etc.) que a mantém abaixo da linha de pobreza mesmo nos períodos de elevado crescimento. Por isso, o autor afirma que o crescimento só consegue reduzir a pobreza no país se conseguir gerar empregos e elevação de salários reais de modo a incluir esses 7% da população. Contudo, a relação entre crescimento e salários reais vem se enfraquecendo muito a partir da década de oitenta.
Uma outra interpretação para esses mesmos fatos foi realizada por Hines et al. (2001). Os autores defendem que a pobreza é contra-cíclica, isto é, é amenizada pelo crescimento. Mas a extrema-pobreza, por envolver indivíduos menos integrados ao mercado de trabalho, é mais imune ao crescimento.
Outros autores vêem a relação entre pobreza e crescimento como simultânea. Isto é, o crescimento econômico cria os recursos para os investimentos no capital humano, e, ao mesmo tempo, depende da qualidade desse capital humano. Essa visão parece explicar as décadas de baixo crescimento dos países latino-americanos, após passarem por um modelo de desenvolvimento baseado na acumulação de capital físico e negligenciação dos determinantes de desenvolvimento humano da ótica das políticas públicas.
Por fim, é cada vez mais freqüente nas discussões sobre Economia do Bem-Estar e nas próprias teorias do crescimento a questão da direção do crescimento econômico. Segundo essa perspectiva, o impacto do crescimento sobre os indicadores sociais depende da sua própria natureza, que determina a sua direção entre os grupos de agentes econômicos. Por exemplo, se o crescimento for viesado para setores intensivos em capital e mão-de-obra qualificada em uma economia subdesenvolvida com alta concentração de renda, acabará beneficiando apenas os mais ricos, e a pobreza poderá até aumentar. Para que a pobreza ceda, é necessário que o crescimento atinja proporcionalmente todos os agentes da economia, ou então os mais pobres, configurando-se o crescimento pró-pobre.
Até meados da década de 70, toda a economia do desenvolvimento supunha que um crescimento econômico elevado e sustentado era condição necessária e suficiente para que a pobreza fosse irradicada das economias. Por isso, suas discussões teóricas e empíricas se concentravam nos determinantes qualitativos do crescimento (como a indistrialização, o progresso tecnológico e a eliminação de gargalos de infra-estrutura), acreditando que o progresso humano viria como sua conseqüência natural.
Contudo, em testes empíricos e econométricos, a relação entre pobreza e crescimento é muito mais complexa do que se imagina. Um famoso estudo é o de Freeman (2001) para a economia norte-americana, utilizando dados de 1969 a 1999. O autor verificou que cerca de 7% da população do país apresentam características demográficas ou econômicas (como famílias chefiadas por mães solteiras, imigrantes de baixa qualificação, etc.) que a mantém abaixo da linha de pobreza mesmo nos períodos de elevado crescimento. Por isso, o autor afirma que o crescimento só consegue reduzir a pobreza no país se conseguir gerar empregos e elevação de salários reais de modo a incluir esses 7% da população. Contudo, a relação entre crescimento e salários reais vem se enfraquecendo muito a partir da década de oitenta.
Uma outra interpretação para esses mesmos fatos foi realizada por Hines et al. (2001). Os autores defendem que a pobreza é contra-cíclica, isto é, é amenizada pelo crescimento. Mas a extrema-pobreza, por envolver indivíduos menos integrados ao mercado de trabalho, é mais imune ao crescimento.
Outros autores vêem a relação entre pobreza e crescimento como simultânea. Isto é, o crescimento econômico cria os recursos para os investimentos no capital humano, e, ao mesmo tempo, depende da qualidade desse capital humano. Essa visão parece explicar as décadas de baixo crescimento dos países latino-americanos, após passarem por um modelo de desenvolvimento baseado na acumulação de capital físico e negligenciação dos determinantes de desenvolvimento humano da ótica das políticas públicas.
Por fim, é cada vez mais freqüente nas discussões sobre Economia do Bem-Estar e nas próprias teorias do crescimento a questão da direção do crescimento econômico. Segundo essa perspectiva, o impacto do crescimento sobre os indicadores sociais depende da sua própria natureza, que determina a sua direção entre os grupos de agentes econômicos. Por exemplo, se o crescimento for viesado para setores intensivos em capital e mão-de-obra qualificada em uma economia subdesenvolvida com alta concentração de renda, acabará beneficiando apenas os mais ricos, e a pobreza poderá até aumentar. Para que a pobreza ceda, é necessário que o crescimento atinja proporcionalmente todos os agentes da economia, ou então os mais pobres, configurando-se o crescimento pró-pobre.
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quarta-feira, junho 25, 2008
Mapa da Pobreza em Porto Alegre - 13 (Quilombo da Família Silva)
Tenho aproveitado minhas férias para caminhar e tirar fotos de alguns bairros de Porto Alegre.
Ontem, quando estava caminhando entre as mansões e os condomínios de luxo no bairro Três Figueiras, notei que havia, dentro das quadras, algumas ruas sem saída. E, nesses becos, passavam carroceiros, e pessoas carregando sacos de lixo. Parecia um sinal de que havia um núcleo de pobreza dentro de um dos bairros mais ricos de Porto Alegre. Cheguei em casa, abri o Google Earth e visualizei alguns casebres dentro de um grande terreno baldio na região. Pelo Google, descobri que o nome do núcleo é Quilombo da Família Silva, povoado por descendentes de um reduto centenário de escravos fugidos, e ocupa, principalmente, o leito de uma parte da rua João Caetano (aquela na frente da Savarauto, próxima ao Mc Donalds da Nilo Peçanha).
O mapa do território da vila é o seguinte:

Mesmo consistindo apenas em uma "vilinha", como os pequenos núcleos de pobreza são chamados por aqui, não se comparando em tamanho às vilas Santa Rosa e Bom Jesus, por exemplo, o Quilombo da Família Silva faz um forte contraste da desigualdade social na região.
Li que a área já foi reconhecida como demarcação quilombola, e está protegida por lei federal. Só espero que o direitos de propriedade e de mobilidade de seus moradores seja garantido. Se o terreno se valorizar muito, como parece ser o caso, acho que é melhor que eles mesmos decidam (e não os órgãos públicos de Brasília) permanecer no local, ou vender seus terrenos e se mudar para uma região da cidade mais barata, na qual eles não vivam em tanta pobreza.
OBS: a foto do Google Earth é de 2005, pelo que eu sei. Atualmente, a construção civil está muito acelerada no bairro Três Figueiras. No terreno logo ao oeste do Mc Donalds, está sendo construído um prédio com shopping center. Nos terrenos logo ao norte e leste do quilombo, estão sendo construídos novos prédios e casas de condomínios.
Ontem, quando estava caminhando entre as mansões e os condomínios de luxo no bairro Três Figueiras, notei que havia, dentro das quadras, algumas ruas sem saída. E, nesses becos, passavam carroceiros, e pessoas carregando sacos de lixo. Parecia um sinal de que havia um núcleo de pobreza dentro de um dos bairros mais ricos de Porto Alegre. Cheguei em casa, abri o Google Earth e visualizei alguns casebres dentro de um grande terreno baldio na região. Pelo Google, descobri que o nome do núcleo é Quilombo da Família Silva, povoado por descendentes de um reduto centenário de escravos fugidos, e ocupa, principalmente, o leito de uma parte da rua João Caetano (aquela na frente da Savarauto, próxima ao Mc Donalds da Nilo Peçanha).
O mapa do território da vila é o seguinte:

Mesmo consistindo apenas em uma "vilinha", como os pequenos núcleos de pobreza são chamados por aqui, não se comparando em tamanho às vilas Santa Rosa e Bom Jesus, por exemplo, o Quilombo da Família Silva faz um forte contraste da desigualdade social na região.
Li que a área já foi reconhecida como demarcação quilombola, e está protegida por lei federal. Só espero que o direitos de propriedade e de mobilidade de seus moradores seja garantido. Se o terreno se valorizar muito, como parece ser o caso, acho que é melhor que eles mesmos decidam (e não os órgãos públicos de Brasília) permanecer no local, ou vender seus terrenos e se mudar para uma região da cidade mais barata, na qual eles não vivam em tanta pobreza.
OBS: a foto do Google Earth é de 2005, pelo que eu sei. Atualmente, a construção civil está muito acelerada no bairro Três Figueiras. No terreno logo ao oeste do Mc Donalds, está sendo construído um prédio com shopping center. Nos terrenos logo ao norte e leste do quilombo, estão sendo construídos novos prédios e casas de condomínios.
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sexta-feira, junho 20, 2008
Porto Alegre News
Voltei para minha cidade natal (Porto Alegre - RS) faz pouco mais de uma semana. A volta foi difícil, devido ao problema com a neblina no aeroporto Salgado Filho. Acabei indo de avião até Curitiba, e de lá pegar um ônibus-leito (fretado pela Webjet) até Porto Alegre. Acabei chegando "apenas" umas 14 horas atrasado em casa. Mas cheguei (e é isso o que importa), e fiz amigos nessa confusão.
O clima de Porto Alegre oscila entre chuvas e frio extremo (mínimas de quatro graus). Estou na minha terceira gripe nessas duas semanas, incluindo a que eu trouxe de BH.
Aproveitei o meu tempo livre (abundante) para re-conhecer turisticamente a cidade em que nasci. Percorri o Parcão, a Redenção, a Praça da Encol, a Praça da Matriz e a Praça da Alfândega, assim como os seus entornos. Também conheci o novíssimo museu Iberê Camargo. O museu é legal pelo se design arquitetônico e pela vista ao lago Rio Guaíba e ao Centro, já que considero as telas do Iberê tão divertidas como um enterro, e tão repetitivas como as piadas do Chaves... Mas vale a pena conhecer.
Porto Alegre continua a mesma. E me chama a atenção a sua higiene, pelo menos nos bairros residenciais mais tradicionais. Quase não existe lixo jogado nas ruas, e todas as calçadas são caminháveis. Bem diferente de outros lugares que andei conhecendo. Mas, por outro lado, as opções noturnas daqui são muito menores (sobretudo nos dias mais frios) do que em BH, por exemplo.
Outro ponto que me chamou a atenção é a aceleração do processo de verticalização dos bairros residenciais da cidade, sobretudo nos bairros Mont Serrat e Bela Vista (entre as avenidas Carlos Gomes, Anita Garibaldi, Lucas de Oliveira e Nilo Peçanha). As tradicionais casas e prédios de três andares estão dando espaço a prédios cada vez mais altos. Agora, a "bela vista" é priviliégio dos andares superiores dos edifícios mais altos. E nos andares mais de baixo (como o apartamento dos meus pais), nunca mais chegou a bater sol. Ou seja, acaba sendo mais frio dentro de casa do que na rua. Uma verdadeira "Gotham City", lembrando dos filmes do Batman.
O clima de Porto Alegre oscila entre chuvas e frio extremo (mínimas de quatro graus). Estou na minha terceira gripe nessas duas semanas, incluindo a que eu trouxe de BH.
Aproveitei o meu tempo livre (abundante) para re-conhecer turisticamente a cidade em que nasci. Percorri o Parcão, a Redenção, a Praça da Encol, a Praça da Matriz e a Praça da Alfândega, assim como os seus entornos. Também conheci o novíssimo museu Iberê Camargo. O museu é legal pelo se design arquitetônico e pela vista ao lago Rio Guaíba e ao Centro, já que considero as telas do Iberê tão divertidas como um enterro, e tão repetitivas como as piadas do Chaves... Mas vale a pena conhecer.
Porto Alegre continua a mesma. E me chama a atenção a sua higiene, pelo menos nos bairros residenciais mais tradicionais. Quase não existe lixo jogado nas ruas, e todas as calçadas são caminháveis. Bem diferente de outros lugares que andei conhecendo. Mas, por outro lado, as opções noturnas daqui são muito menores (sobretudo nos dias mais frios) do que em BH, por exemplo.
Outro ponto que me chamou a atenção é a aceleração do processo de verticalização dos bairros residenciais da cidade, sobretudo nos bairros Mont Serrat e Bela Vista (entre as avenidas Carlos Gomes, Anita Garibaldi, Lucas de Oliveira e Nilo Peçanha). As tradicionais casas e prédios de três andares estão dando espaço a prédios cada vez mais altos. Agora, a "bela vista" é priviliégio dos andares superiores dos edifícios mais altos. E nos andares mais de baixo (como o apartamento dos meus pais), nunca mais chegou a bater sol. Ou seja, acaba sendo mais frio dentro de casa do que na rua. Uma verdadeira "Gotham City", lembrando dos filmes do Batman.
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sexta-feira, junho 13, 2008
Review - Permission to Land (The Darkness)
Um dos meus hábitos mais peculiares é o de periodicamente dar uma remexida nas estantes de promoção das lojas Multisom, de Porto Alegre, em busca de CDs baratos. Mesmo vivendo numa época em que cada vez menos lojas vendem discos novos, já que a divulgação de MP3 pela internet se tornou a regra geral, gosto de ter os discos originais das minhas bandas favoritas. Principalmente se forem baratos.
Na terça-feira passada, um dia depois de voltar de ônibus desde Curitiba até Porto Alegre (maldito caos no aeroporto Salgado Filho), consegui caçar por 14 reais um disco de uma das bandas contemporâneas que mais gosto, a britânica The Darkness.
O The Darkness busca resgatar traços musicais das bandas de hair rock, ou glam rock, do início dos anos 80, como Poison, Motley Crue, Kiss e Van Halen. Isso se aplica tanto nas músicas, na grande maioria das vezes rocks rápidos e enérgicos, como também no figurino de seus membros (sobretudo no vocalista Justin Hawkins, uma versão misturada de Freddie Mercury e André Mattos).
O Darkness é uma das bandas contemporâneas que eu mais gosto, principalmente por causa desse apelo retrô. Porém, reparo que está cada vez mais difícil caracterizar o que é uma "banda contemporânea". Atualmente, bandinhas de rock (não emo, ressalta-se)estouram sucessos na Internet, viram hits em vídeos no YouTube e em downloads no Emule e no SoulSeek, fazem meia dúzia de shows, lançam um disco, e somem tão misteriosamente como apareceram. Como não tenho paciência para acompanhar todos os apogeus e quedas dessas bandas novas, sinto que há muito tempo permaneço ouvindo as mesmas bandas antigas que me fizeram gostar de curtir rock and roll. Portanto, chamo o The Darkness de rock contemporâneo, mas acredito que hoje já não seja tão contemporâneo assim.
O "Permission to Land" é o primeiro CD da banda, e foi gravado em 2003. Tem dez faixas, sendo que a maioria consiste de rocks pesados, rápidos na bateria, e com riffs marcantes de guitarra, no melhor estilo Kiss ou AC/DC. Mas o melhor é que o clima das músicas é positivo, isto é, ao contrário de tantas outras contemporâneas, a banda não cai em devaneios melancólicos para tentar passar seriedade as suas composições. Isso vale também para as baladas contidas no disco, como "Love Is Only a Feeling", "Love on the Rocks with No Ice" e "Holding My Own", que mesmo sendo músicas lentas e melódicas, não relatam coisas como "dores de corno", ou "rebeldia sem-causa".
Mas, pessoalmente, prefiro as músicas mais rápidas, como "Black Shuck" e "Get Your Hands off My Woman", ou mesmo os rocks mais tradicionais, como o hit "I Believe in a Thing Called Love" e a acústica "Friday Night".
Mas o mais pitoresco da banda, sem sombra de dúvida, é o vocal. Justin Hawkins usa um falsete forçado, não tentando parecer um cantor lírico, como o André Mattos do Angra, mas sim de uma maneira quase que debochada, como no Massacration. Mas isso dá certo, diga-se de passagem, e ajuda a caracterizar a banda como algo novo, original, surpreendente, em outras palavras, e não como mais um puxa-saquismo retrô que reflete a grande falta de idéias do rock moderno, como a maioria das demais.
Na terça-feira passada, um dia depois de voltar de ônibus desde Curitiba até Porto Alegre (maldito caos no aeroporto Salgado Filho), consegui caçar por 14 reais um disco de uma das bandas contemporâneas que mais gosto, a britânica The Darkness.
O The Darkness busca resgatar traços musicais das bandas de hair rock, ou glam rock, do início dos anos 80, como Poison, Motley Crue, Kiss e Van Halen. Isso se aplica tanto nas músicas, na grande maioria das vezes rocks rápidos e enérgicos, como também no figurino de seus membros (sobretudo no vocalista Justin Hawkins, uma versão misturada de Freddie Mercury e André Mattos).
O Darkness é uma das bandas contemporâneas que eu mais gosto, principalmente por causa desse apelo retrô. Porém, reparo que está cada vez mais difícil caracterizar o que é uma "banda contemporânea". Atualmente, bandinhas de rock (não emo, ressalta-se)estouram sucessos na Internet, viram hits em vídeos no YouTube e em downloads no Emule e no SoulSeek, fazem meia dúzia de shows, lançam um disco, e somem tão misteriosamente como apareceram. Como não tenho paciência para acompanhar todos os apogeus e quedas dessas bandas novas, sinto que há muito tempo permaneço ouvindo as mesmas bandas antigas que me fizeram gostar de curtir rock and roll. Portanto, chamo o The Darkness de rock contemporâneo, mas acredito que hoje já não seja tão contemporâneo assim.
O "Permission to Land" é o primeiro CD da banda, e foi gravado em 2003. Tem dez faixas, sendo que a maioria consiste de rocks pesados, rápidos na bateria, e com riffs marcantes de guitarra, no melhor estilo Kiss ou AC/DC. Mas o melhor é que o clima das músicas é positivo, isto é, ao contrário de tantas outras contemporâneas, a banda não cai em devaneios melancólicos para tentar passar seriedade as suas composições. Isso vale também para as baladas contidas no disco, como "Love Is Only a Feeling", "Love on the Rocks with No Ice" e "Holding My Own", que mesmo sendo músicas lentas e melódicas, não relatam coisas como "dores de corno", ou "rebeldia sem-causa".
Mas, pessoalmente, prefiro as músicas mais rápidas, como "Black Shuck" e "Get Your Hands off My Woman", ou mesmo os rocks mais tradicionais, como o hit "I Believe in a Thing Called Love" e a acústica "Friday Night".
Mas o mais pitoresco da banda, sem sombra de dúvida, é o vocal. Justin Hawkins usa um falsete forçado, não tentando parecer um cantor lírico, como o André Mattos do Angra, mas sim de uma maneira quase que debochada, como no Massacration. Mas isso dá certo, diga-se de passagem, e ajuda a caracterizar a banda como algo novo, original, surpreendente, em outras palavras, e não como mais um puxa-saquismo retrô que reflete a grande falta de idéias do rock moderno, como a maioria das demais.
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sábado, junho 07, 2008
Cena Inusitada
Felinos reconhecem as pessoas que gostam invariavelmente deles. Na quinta-feira, quando fui almoçar no restaurante da FAFICH-UFMG (Faculdade de Ciências Humanas e da Informação da UFMG), um gato vadio entrou no restaurante e sentou ao meu lado, olhando para mim com aquele olhar meigo, meio triste, que só os bichanos sabem fazer.
Como gosto de gatos, dei um pedacinho do meu bife de lombo de porco para ele, que comeu apressadamente.
Mas eis que, em seguida, uma quantidade incontável de gatos entrou no restaurante pelas portas e janelas, e todos me rodearam, com miados implorantes e olhares tristes, e brigando uns com os outros. Tive que comer rápido e ir embora do restaurante.
Gatos são tão racionais e maximizadores (by Deidre McCloskey).
Como gosto de gatos, dei um pedacinho do meu bife de lombo de porco para ele, que comeu apressadamente.
Mas eis que, em seguida, uma quantidade incontável de gatos entrou no restaurante pelas portas e janelas, e todos me rodearam, com miados implorantes e olhares tristes, e brigando uns com os outros. Tive que comer rápido e ir embora do restaurante.
Gatos são tão racionais e maximizadores (by Deidre McCloskey).
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Amanhã, às 6 da tarde, volto para Porto Alegre. Resolvi adiantar um mês as férias de julho tanto por motivos familiares, como aproveitando as promoções nas passagens aéreas.
Levo comigo o meu projeto de dissertação, para terminar, o material de Microeconometria Aplicada, para estudar, e dois ensaios de Economia da Educação, para fazer.
Em julho, volto para Belo Horizonte elaborar meu artigo de Microeconometria Aplicada, e começar a dar um gás na dissertação.
Levo comigo o meu projeto de dissertação, para terminar, o material de Microeconometria Aplicada, para estudar, e dois ensaios de Economia da Educação, para fazer.
Em julho, volto para Belo Horizonte elaborar meu artigo de Microeconometria Aplicada, e começar a dar um gás na dissertação.
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