O Adolfo Sachsida fez um ótimo ensaio sobre o que a literatura econômica já disse sobre a relação entre armas de fogo e a violência, e quais as implicações dessa relação para a política pública.
De um lado, há o argumento de que a posse de armas de fogo pela população reduz a criminalidade. Segundo essa visão, a probabilidade das vítimas da criminalidade reagirem e terem sucesso na reação é maior se elas estiverem armadas, e isso pode inibir os potenciais criminosos a praticar violência.
De outro lado, há o argumento mais de acordo com o senso-comum, que diz que as armas de fogo estão positivamente relacionadas com a violência. Isso aconteceria não apenas graças ao maior risco de mortes por armas em acidentes domésticos, mas também pela lógica de que toda arma ilegal - na posse de criminosos - já foi um dia uma arma legal - na posse de um cidadão que procurava sua defesa e/ou executar suas atividades profissionais. Por isso, quanto mais armas legais estiverem disponíveis em um território, maior é a oportunidade para que criminosos venham a tomar essas armas e a torná-las ilegais.
O Adolfo Sachsida elaborou um excelente meio termo entre essas duas visões. Citando um artigo empírico de sua autoria, as armas de fogo podem estimular ou inibir a violência de acordo com onde são utilizadas. Segundo o estudo, as pessoas que possuem armas de fogo e as mantêm dentro de suas residências estão preocupadas em defender suas vidas e seu patrimônio, e com isso inibem a criminalidade. Por outro lado, quem possui armas de fogo e as carrega fora de sua residência, tem maior probabilidade de manter um comportamento violento ou de ter sua arma roubada, e com isso incentiva a violência.
Então, a melhor opção política para a questão das armas de fogo, segundo os estudos elaborados até agora, é liberar a compra e venda de armas de defesa pessoal, mas proibir a sua posse em áreas públicas.
sexta-feira, abril 22, 2011
Discussão sobre Armas de Fogo
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sexta-feira, abril 08, 2011
Ozzy Osbourne em Brasília

Nessa quarta-feira, fui ao show do Ozzy Osbourne, aqui em Brasília. Certamente, foi o melhor show da minha vida. Esse senhor de 62 anos deu uma aula de carisma e vitalidade, e comprovou que ainda tem caminho para percorrer em sua carreira. Sua voz pareceu próxima ao do que cantava no início dos anos 90, melhor inclusive do que no álbum Reunion, ao vivo com os ex-integrantes do Black Sabbath.
Em cerca de uma hora e quarenta minutos de show, Ozzy relembrou os maiores sucessos de alguns dos mais clássicos discos em que cantou, principalmente o Paranoid, com o Black Sabbath (cantou War Pigs, Iron Man, Paranoid, Rat Salad e Fairies Ware Boots), o Blizzard Of Ozz (I Don't Know, Suicide Solution, Mr. Crowley e Crazy Train) e o No More Tears (I Don't Want to Change the World, Road to Nowhere e Mama I'm Coming Home), Bark at the Moon e uma música do seu último trabalho. O público se empolgou em todas as músicas, e cantou junto ao ídolo.
Espero que o câmbio continue valorizado para os próximos meses, pelo menos até o AC/DC e o Metallica voltarem a se apresentar no país.
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segunda-feira, abril 04, 2011
De Volta à Vida Acadêmica
Depois de quase dois anos, voltei para a vida acadêmica. Agora sou professor efetivo do Centro Universitário Euro-Americano (Unieuro), uma instituição privada de ensino superior do Distrito Federal. Estou lecionando Introdução à Economia para três turmas (Administração, Recursos Humanos e Gestão Pública).
Por isso, meu retorno à participação ativa na blogosfera continua (e deverá continuar) atrasado. Tenho que preparar aulas para minhas três turmas na faculdade e duas turmas no Curso JB (preparatório para o concurso Rio Branco, em que já trabalhava desde fevereiro), e isso toma todo o meu tempo. Dar aulas de Introdução à Economia nesses lugares não é o mesmo que os professores das universidades federais fazem (inclusive eu e meus colegas da UFMG), isto é, pegar um manual básico e o passar de cabo a rabo para os alunos. No Curso JB, eu tenho que "humanizar" a economia, tornando-a compreensível para alunos formados em relações internacionais, direito, ciências sociais e comunicação social. Na Unieuro, tenho que tornar a matéria a mais aplicada possível para os alunos já se sentirem aptos a sair utilizando os instrumentos de análise econômica em seus ambientes de trabalho. Além disso, tenho que usar e abusar de exemplos concretos para explicar os conceitos econômicos mais básicos.
Nessa nova experiência docente, passei a usar os recursos do Power Point. Quando era estudante, sempre tive dificuldades com aulas em slides, por vários motivos: dificulta a comunicação entre o professor e o aluno, torna a aula monótona e cansativa e, pior ainda, incentiva o professor a acelerar a transmissão de conteúdo, atropelando a atenção e o interesse dos discentes. Contudo, no caso do Curso JB, fui recomendado pela coordenação a não perder tempo de aula escrevendo no quadro e esperando que os alunos copiem. Já na Unieuro, como tenho turmas de 60 a 80 alunos por sala, a própria visualização de um conteúdo escrito no quadro já é difícil. Esperar que os alunos copiem meus resumos e esquemas seria o caos.
Para contornar os problemas da aula em Power Point, tomei algumas medidas. Meus slides são coloridos e cheios de figuras. Não ponho muito texto em um slide, ponho só o título dos pontos principais da matéria e os explico verbalmente. Antes de mudar de slide na aula, pergunto aos alunos se a matéria está clara, ou preciso repetir alguma coisa. Além disso, estou colecionando gráficos de estudos empíricos e cartas de conjuntura, para utilizá-los como exemplos de situações que podem ser explicadas pela teoria econômica básica.
Por isso, meu retorno à participação ativa na blogosfera continua (e deverá continuar) atrasado. Tenho que preparar aulas para minhas três turmas na faculdade e duas turmas no Curso JB (preparatório para o concurso Rio Branco, em que já trabalhava desde fevereiro), e isso toma todo o meu tempo. Dar aulas de Introdução à Economia nesses lugares não é o mesmo que os professores das universidades federais fazem (inclusive eu e meus colegas da UFMG), isto é, pegar um manual básico e o passar de cabo a rabo para os alunos. No Curso JB, eu tenho que "humanizar" a economia, tornando-a compreensível para alunos formados em relações internacionais, direito, ciências sociais e comunicação social. Na Unieuro, tenho que tornar a matéria a mais aplicada possível para os alunos já se sentirem aptos a sair utilizando os instrumentos de análise econômica em seus ambientes de trabalho. Além disso, tenho que usar e abusar de exemplos concretos para explicar os conceitos econômicos mais básicos.
Nessa nova experiência docente, passei a usar os recursos do Power Point. Quando era estudante, sempre tive dificuldades com aulas em slides, por vários motivos: dificulta a comunicação entre o professor e o aluno, torna a aula monótona e cansativa e, pior ainda, incentiva o professor a acelerar a transmissão de conteúdo, atropelando a atenção e o interesse dos discentes. Contudo, no caso do Curso JB, fui recomendado pela coordenação a não perder tempo de aula escrevendo no quadro e esperando que os alunos copiem. Já na Unieuro, como tenho turmas de 60 a 80 alunos por sala, a própria visualização de um conteúdo escrito no quadro já é difícil. Esperar que os alunos copiem meus resumos e esquemas seria o caos.
Para contornar os problemas da aula em Power Point, tomei algumas medidas. Meus slides são coloridos e cheios de figuras. Não ponho muito texto em um slide, ponho só o título dos pontos principais da matéria e os explico verbalmente. Antes de mudar de slide na aula, pergunto aos alunos se a matéria está clara, ou preciso repetir alguma coisa. Além disso, estou colecionando gráficos de estudos empíricos e cartas de conjuntura, para utilizá-los como exemplos de situações que podem ser explicadas pela teoria econômica básica.
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quinta-feira, março 31, 2011
Coisas Estranhas de Brasília 8
"Não aceitamos dinheiro."
Ouvi essa frase hoje à noite no Subway da 303 Norte. Sem comentários.
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Brasília é uma ilha
domingo, março 20, 2011
E depois, A Culpa É da Taxa de Câmbio (1)
Boa hora para criar um novo marcador no meu blog.
Em índice que vai até 10, Ensino Médio em SP tira 1,81
Estudo revela que 51% dos brasileiros acham que educação não melhorou
Pouco interesse pela carreira diminui número de professores
Brasil fica no 88º lugar em ranking de educação da Unesco
Em índice que vai até 10, Ensino Médio em SP tira 1,81
Estudo revela que 51% dos brasileiros acham que educação não melhorou
Pouco interesse pela carreira diminui número de professores
Brasil fica no 88º lugar em ranking de educação da Unesco
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quarta-feira, março 02, 2011
I Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia
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economia
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Estou Vivo
Caros leitores do blog,
Sim, estou vivo. Faz quase um mês desde que postei pela última vez, e notei, pelas estatísticas do Google, que o número de visitantes está caindo. Na verdade, o que aconteceu é que, desde que parei de trabalhar como pesquisador, tenho menos assuntos acadêmicos de economia para opinar publicamente.
No momento, sou professor do Curso JB, um tradicional cursinho preparatório para o Instituto Rio Branco em Brasília. Estou gostando muito da estrutura do lugar, das pessoas e do interesse e comprometimento dos alunos. É verdade, tenho alunos de mais de 30 anos e formados em direito ou relações internacionais que entendem muito mais de economia do que muitos dos meus ex-colegas de graduação. Além do mais, dar aulas é muito agradável e recompensador, principalmente para alunos motivados a aprender (e não necessariamente com uma sólida base prévia). Após mais de um ano trabalhando como consultor de microeconometria, estava com saudades de interagir com pessoas. Estatística e econometria são fundamentais para o desenvolvimento da profissão de economista, isso está fora de discussão, mas concluí que é muito mais agradável trabalhar com base de dados quando se tem o poder de coordenar o próprio projeto de pesquisa.
Para ministrar minhas aulas, venci meu preconceito e adotei o manual de Introdução à Economia do Mankiw. Sempre tive uma certa resistência a essa obra, tanto pela peculiar ordem dos capítulos (por exemplo, a teoria do consumidor, núcleo irredutível da teoria microeconômica está no capítulo 21, ao passo que noções sobre comércio internacional está logo no capítulo 3), como também pelo enfoque explicitamente liberal do autor. Isso para mim não é exatamente um grande problema, mas temo que pode parecer até mesmo ofensivo para profissionais das áreas de ciências humanas. Também sinto falta de um ou dois capítulos sobre a história do pensamento econômico. Contudo, o livro é mais completo e com uma linguagem menos técnica do que o Manual de Economia dos Professores da USP, que usei na minha graduação. Inclusive, me lembro de ficar incomodado e assustado com o "economês" daquele manual na primeira vez que o peguei para estudar, quando era calouro da UFRGS, em 2002.
Fora isso, tenho acompanhado a atual flame war entre os economistas blogueiros Adolfo Sachsida e "O Anônimo", que posta no blog do Alexandre Schwartzman. Isso me incentiva a revisar meus conhecimentos de teoria da política monetária. E também tenho torcido muito para que o povo da Líbia se liberte do seu opressor ditador, independente dos riscos a que se submetam no futuro próximo.
A partir dessa semana, quero voltar a postar com mais freqüência. Estou devendo vários posts para o público, desde uma análise da conjuntura política do Brasil pós-eleições até um discussão sobre metodologia da economia com o meu amigo ex-cedeplariano Victor Delgado.
Sim, estou vivo. Faz quase um mês desde que postei pela última vez, e notei, pelas estatísticas do Google, que o número de visitantes está caindo. Na verdade, o que aconteceu é que, desde que parei de trabalhar como pesquisador, tenho menos assuntos acadêmicos de economia para opinar publicamente.
No momento, sou professor do Curso JB, um tradicional cursinho preparatório para o Instituto Rio Branco em Brasília. Estou gostando muito da estrutura do lugar, das pessoas e do interesse e comprometimento dos alunos. É verdade, tenho alunos de mais de 30 anos e formados em direito ou relações internacionais que entendem muito mais de economia do que muitos dos meus ex-colegas de graduação. Além do mais, dar aulas é muito agradável e recompensador, principalmente para alunos motivados a aprender (e não necessariamente com uma sólida base prévia). Após mais de um ano trabalhando como consultor de microeconometria, estava com saudades de interagir com pessoas. Estatística e econometria são fundamentais para o desenvolvimento da profissão de economista, isso está fora de discussão, mas concluí que é muito mais agradável trabalhar com base de dados quando se tem o poder de coordenar o próprio projeto de pesquisa.
Para ministrar minhas aulas, venci meu preconceito e adotei o manual de Introdução à Economia do Mankiw. Sempre tive uma certa resistência a essa obra, tanto pela peculiar ordem dos capítulos (por exemplo, a teoria do consumidor, núcleo irredutível da teoria microeconômica está no capítulo 21, ao passo que noções sobre comércio internacional está logo no capítulo 3), como também pelo enfoque explicitamente liberal do autor. Isso para mim não é exatamente um grande problema, mas temo que pode parecer até mesmo ofensivo para profissionais das áreas de ciências humanas. Também sinto falta de um ou dois capítulos sobre a história do pensamento econômico. Contudo, o livro é mais completo e com uma linguagem menos técnica do que o Manual de Economia dos Professores da USP, que usei na minha graduação. Inclusive, me lembro de ficar incomodado e assustado com o "economês" daquele manual na primeira vez que o peguei para estudar, quando era calouro da UFRGS, em 2002.
Fora isso, tenho acompanhado a atual flame war entre os economistas blogueiros Adolfo Sachsida e "O Anônimo", que posta no blog do Alexandre Schwartzman. Isso me incentiva a revisar meus conhecimentos de teoria da política monetária. E também tenho torcido muito para que o povo da Líbia se liberte do seu opressor ditador, independente dos riscos a que se submetam no futuro próximo.
A partir dessa semana, quero voltar a postar com mais freqüência. Estou devendo vários posts para o público, desde uma análise da conjuntura política do Brasil pós-eleições até um discussão sobre metodologia da economia com o meu amigo ex-cedeplariano Victor Delgado.
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segunda-feira, fevereiro 07, 2011
Proposta de Regionalização do Salário Mínimo no Brasil
Cristiano Costa dá uma boa dica para novas medidas em relação à mitigação da desigualdade de renda no Brasil: a regionalização das políticas de salário mínimo.
A nossa proposta, então, seria a de criação de um salário mínimo regional, determinado pelos estados. Cada estado elaboraria sua própria política salarial, levando-se em conta as desigualdades de renda. Isto já acontece, parcialmente. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, por exemplo, possuem mínimos regionais acima do piso nacional. Em São Paulo, existem, inclusive, diferentes faixas salariais de acordo com a profissão. O que não acontece é uma mudança no sentido contrário, ou seja, um salário regional abaixo do nacional.
Este tipo de política permitiria uma separação dos problemas gerados pelo salário mínimo nacional: elevados custos para os estados/municípios pobres, desigualdade do poder de compra e efeitos de oferta e demanda no mercado de trabalho.
A nossa proposta, então, seria a de criação de um salário mínimo regional, determinado pelos estados. Cada estado elaboraria sua própria política salarial, levando-se em conta as desigualdades de renda. Isto já acontece, parcialmente. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, por exemplo, possuem mínimos regionais acima do piso nacional. Em São Paulo, existem, inclusive, diferentes faixas salariais de acordo com a profissão. O que não acontece é uma mudança no sentido contrário, ou seja, um salário regional abaixo do nacional.
Este tipo de política permitiria uma separação dos problemas gerados pelo salário mínimo nacional: elevados custos para os estados/municípios pobres, desigualdade do poder de compra e efeitos de oferta e demanda no mercado de trabalho.
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Bem-Estar Social
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Hipóteses sobre a Balança Comercial de Futebolistas Brasileiros
O Flamengo contratou o Ronaldinho Gaúcho (que leilou seu contrato com o Grêmio e o Palmeiras) e o Thiago Neves. O Fluminense contratou o Araújo e o Diego Cavalieri. O Inter acertou com o argentino Cavenaghi. O Santos buscou o Elano de volta. O Vasco importou o Eduardo Costa e o Elton. O Corinthians se reforçou (ainda que tardiamente) com o Liédson. E todos esses times só exportaram suas revelações do ano passado para times desconhecidos de campeonatos desconhecidos, como a Ucrânia, a China e os países do Oriente Médio, salvo raras exceções.
Nesses últimos meses, a imprensa esportiva vem nos brindando com informações sobre as transações dos times de futebol brasileiros com os times do exterior. Ao contrário do que qualquer torcedor com mais de 10 anos de idade está acustumado a ler e ouvir, agora são os times brasileiros que estão importando (ou repatriando) os jogadores do exterior. Para explicar esse fenômeno, levanto três hipóteses para serem testadas, caso alguém tenha uma boa planilha de dados a respeito.
Em primeiro lugar, a hipótese mais provável: a crise financeira e fiscal que assola os países europeus contagiou o mercado do futebol. Por isso, os clubes estão investindo menos em reforços, e se desfazendo de jogadores de alto salário. Contudo, cabe lembrar que uma parte significativa das cifras futebolísticas de vários grandes times europeus não é proveniente de geração própria, mas sim de repasses diretos de seus proprietários, muitos deles com negócios escusos em países da antiga União Soviética e do Oriente Médio. Por isso, acredito que esse fator, por si só, não explica o atual déficit em conta corrente futebolística da economia brasileira.
A segunda hipótese é a valorização cambial. O real valorizado está fazendo com que a compra de jogadores de futebol brasileiros por parte dos clubes europeus não valha a pena, pois esses têm que arcar com o risco da não-adaptação dos jogadores a sua realidade (risco entendido como saudade da praia, da cerveja gelada, do carnaval e do samba), afetando negativamente o seu desempenho. Por outro lado, o real valorizado significa a valorização dos salários no Brasil, incentivando alguns jogadores a procurar empregos nos clubes nacionais pelos mesmos motivos expostos anteriormente.
Por fim, levanto uma terceira hipótese, mais pessimista que as duas anteriores. Talvez o futebol brasileiro tenha perdido o seu brilho em relação às décadas passadas. Nos anos 90, Romário, Ronaldo Nazário, Rivaldo, Leonardo, e mais recentemente, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, eram os melhores jogadores do mundo. Atualmente, qual jogador brasileiro é considerado incontestavelmente um grande craque de reputação internacional, a não ser os veteranos como o zagueiro Lúcio? O Felipe Melo? Não se pode descartar a hipótese de que o mau futebol desempenhado pela Seleção Brasileira na última Copa do Mundo seja proveniente (não estou eximindo de culpa a escalação do ex-técnico Dunga) de uma crise de renovação dos jogadores brasileiros. Por isso, os clubes europeus podem estar querendo abrir vagas nas suas cotas de jogadores extrangeiros em benefício de africanos e hispano-americanos, às custas dos brasileiros.
Tudo isso são hipóteses, gostaria de ver dados mais concretos para ter uma opinião mais sólida a respeito do que está acontecendo. Provavelmente, o déficit na balança comercial do futebol brasileiro se deve a combinações entre as três hipóteses, mas qual delas seria a mais importante?
Nesses últimos meses, a imprensa esportiva vem nos brindando com informações sobre as transações dos times de futebol brasileiros com os times do exterior. Ao contrário do que qualquer torcedor com mais de 10 anos de idade está acustumado a ler e ouvir, agora são os times brasileiros que estão importando (ou repatriando) os jogadores do exterior. Para explicar esse fenômeno, levanto três hipóteses para serem testadas, caso alguém tenha uma boa planilha de dados a respeito.
Em primeiro lugar, a hipótese mais provável: a crise financeira e fiscal que assola os países europeus contagiou o mercado do futebol. Por isso, os clubes estão investindo menos em reforços, e se desfazendo de jogadores de alto salário. Contudo, cabe lembrar que uma parte significativa das cifras futebolísticas de vários grandes times europeus não é proveniente de geração própria, mas sim de repasses diretos de seus proprietários, muitos deles com negócios escusos em países da antiga União Soviética e do Oriente Médio. Por isso, acredito que esse fator, por si só, não explica o atual déficit em conta corrente futebolística da economia brasileira.
A segunda hipótese é a valorização cambial. O real valorizado está fazendo com que a compra de jogadores de futebol brasileiros por parte dos clubes europeus não valha a pena, pois esses têm que arcar com o risco da não-adaptação dos jogadores a sua realidade (risco entendido como saudade da praia, da cerveja gelada, do carnaval e do samba), afetando negativamente o seu desempenho. Por outro lado, o real valorizado significa a valorização dos salários no Brasil, incentivando alguns jogadores a procurar empregos nos clubes nacionais pelos mesmos motivos expostos anteriormente.
Por fim, levanto uma terceira hipótese, mais pessimista que as duas anteriores. Talvez o futebol brasileiro tenha perdido o seu brilho em relação às décadas passadas. Nos anos 90, Romário, Ronaldo Nazário, Rivaldo, Leonardo, e mais recentemente, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, eram os melhores jogadores do mundo. Atualmente, qual jogador brasileiro é considerado incontestavelmente um grande craque de reputação internacional, a não ser os veteranos como o zagueiro Lúcio? O Felipe Melo? Não se pode descartar a hipótese de que o mau futebol desempenhado pela Seleção Brasileira na última Copa do Mundo seja proveniente (não estou eximindo de culpa a escalação do ex-técnico Dunga) de uma crise de renovação dos jogadores brasileiros. Por isso, os clubes europeus podem estar querendo abrir vagas nas suas cotas de jogadores extrangeiros em benefício de africanos e hispano-americanos, às custas dos brasileiros.
Tudo isso são hipóteses, gostaria de ver dados mais concretos para ter uma opinião mais sólida a respeito do que está acontecendo. Provavelmente, o déficit na balança comercial do futebol brasileiro se deve a combinações entre as três hipóteses, mas qual delas seria a mais importante?
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segunda-feira, janeiro 31, 2011
O Ser Humano É um Micróbio
Clique para ampliar (a imagem, não o ser humano).

PS. Tenho outra prova no próximo domingo. Mais "férias de blog" pela frente.

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