Para responder essas perguntas, dei uma "enfeitada" no meu mapa (clique para ampliar):

Sublinhei em amarelo o Centro da cidade. Nele está localizada a Vila Chocolatão, uma pequena comunidade de carroceiros alojada em um terreno público não utilizado. Ao norte, está sublinhada em azul a chamada "Zona Norte", consistindo predominantemente de áreas comerciais e indistriais, assim como o aeroporto Salgado Filho. A pobreza nessa região está no seu noroeste, entre a Free-Way e a av. Voluntários da Pátria, o chamado "Núcleo Entrada da Cidade", e já abordado aqui no blog anteriormente.
Além disso, sublinhei em verde-limão os bairros residenciais mais tradicionais da cidade. Compreende duas áreas. A primeira, maior, está a leste do centro e ao sul da Zona Norte, sendo limitada pelos bairros do Jardim Lindóia, Passo da Areia, Jardim Europa, Chácara da Pedras, Jardim Botânico, a PUC, a av. Ipiranga e o Menino Deus. A outra, menor, conhecida como "Zona Sul", percorre o entorno do Lago Guaíba da Vila Assunção até o bairro Guarujá.
A maior parte das classes média e alta da cidade habitam essas áreas, e pouco conhecem sobre o que há entre elas. Por isso, as únicas vilas viséveis, para quem mora na Zona Leste são o beco Guaranha (uma comunidade quilombola na Cidade Baixa), a Vila Juliano (invasão no Jardim Botânico, meio escondida, difícil de ver), o quilombo da Família Silva, a vila Keddie (ambas no bairro Três Figueiras, um dos mais nobres da cidade), e a vila Cosme Galvão (no Passo da Areia). Na zona sul a pobreza é mais visível, ocupando o entorno dos bairros nobres e condomínios fechados.
O que essas vilas têm em comum, além da localização? Elas são pequenas, simples becos ou terrenos ocupados, sem proprietário definido. Os principais núcleos de pobreza da cidade estão em lugares onde poucas pessoas passam, mesmo de carro: a fronteira com Alvorada (vilas Santa Rosa e Safira), o morro Santana, a baixada entre a Protásio Alves e a Ipiranga, depois da Cristiano Fisher (vila Bom Jesus), o morro Santana (que, pelo mapa não tem NADA a dever para uma Rocinha-RJ ou para um Aglomerado da Serra-BH) e a região entre a av. Padre Cacique e a 3a Perimetral, próxima ao hipódromo e ao Estaleiro Só (vila Tronco, Cruzeiro e Foz Cavalhada).
A pobreza em Porto Alegre, como já se viu, está bem escondida. Mas deverá ser descoberta pela população e pela prefeitura aos poucos, conforme o mercado imobiliário for se expandindo para as periferias. Isso já está ocorrendo nos becos da Vila Jardim, no entorno do novo bairro Jardim Europa.

