quinta-feira, janeiro 12, 2012

Clipping Internacional - 12/01/2012

Estou sem tempo para fazer maiores comentários. Vou publicar diretamente o link dos principais assuntos macroeconômicos do dia.

* Nos Estados Unidos, o comércio varejista cresceu 0,1% em dezembro em comparação com outubro, e 6,5% na comparação com novembro de 2010. Esse resultado indica desaceleração em comparação com os últimos meses, e está abaixo das expectativas do mercado.

* Na Zona do Euro, a produção industrial caiu 0,1% em novembro na comparação com outubro e 0,3% em comparação com novembro de 2010. É a terceira queda mensal consecutiva do indicador.

* A taxa básica de juros na região foi mantida em 1,0% ao ano, de acordo com decisão do Banco Central Europeu.

* Na Alemanha, a inflação ao consumidor ficou em 0,7% em dezembro. O valor é maior do que a média dos últimos meses devido a efeitos sazonais (Natal e Ano Novo). O acumulado de 12 meses registra alta de 2,1% no mês, a terceira desaceleração consecutiva. O destaque é o preço da energia, com alta anual de 8,0%.

* Na Inglaterra, a produção industrial caiu 0,6% em novembro em comparação com outubro, e 3,1% em comparação com novembro de 2010. Desde março do ano passado o indicador vem apresentando taxas anuais negativas.

* O Banco da Inglaterra manteve a política monetária atual, com taxa básica de juros de 0,5% ao ano.

* Na China, a inflação mostra tendência de desaceleração. O índice de preços ao produtor (IPP) apresentou deflação de 0,3% em dezembro em relação a novembro. No ano, o indicador acumulou alta de 1,7%. Para efeitos de comparação, em julho, o IPP acumulava alta de 7,5%. A inflação ao consumidor apresentou alta mensal de 0,3%, e acumula alta de 4,1% no ano, com destaque para a alta de 9,1% no preço da alimentação.

Comércio Varejista Cresce 1,3% em Novembro

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), publicada pelo IBGE, o comércio varejista brasileiro continua crescendo, a despeito da desaceleração econômica. Em relação ao mês anterior, a alta foi de 1,3% do comércio varejista e de 1,5% do comércio varejista ampliado (que inclui veículos e materiais de construção).


Dentre os setores, os que apresentam maior crescimento no ano são o de equipamentos de informática (+28,8%), móveis e eletrodomésticos (+12,3%) e artigos de saúde (+8,6%), de acordo com a tabela acima. Esse comportamento muito acima da média dos três grupos reflete não apenas as condições de renda, emprego e crédito da economia brasileira, mas também de mudanças dos próprios hábitos de consumo da população brasileira.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Déficit Comercial do Reino Unido Sobe para 8,6 Bilhões de Libras

A balança comercial do Reino Unido fechou em déficit de 8,6 bilhões de libras em novembro, segundo relatório divulgado pelo Departamento Nacional de Estatísticas do país. No mês passado, o déficit tinha sido de 7,9 bilhões. Em novembro, as exportações somaram 25,7 bilhões de libras (+10,1% ante novembro de 2010), e as importações, 34,3 bilhões de libras (+6,9% na mesma base de comparação).

PIB Alemão Cresce 3,0% em 2011

De acordo com dados divulgados hoje pela agência Destatis, o PIB da Alemanha cresceu 3,0% em 2011. Dentre os seus componentes pelo lado da demanda, o destaque foram os gastos com formação bruta de capital fixo (+8,3%) e em construção (+5,4%).


O crescimento dos indicadores de investimento em capital fixo sugerem uma expansão do PIB potencial do país para os próximos períodos. Contudo, os últimos dados trimestrais mostram uma tendência de desaceleração do PIB alemão desde o primeiro trimestre de 2011. A produção industrial também está se desacelerando desde julho, e as encomendas da indústria têm apresentado taxas negativas nos últimos meses. Os indicadores mais favoráveis do país em 2011 se concentraram nos primeiros meses do ano. Tudo isso são fortes sinais de que a crise econômica que começou nos países da periferia da Zona do Euro, aos poucos, vão contagiando a sua maior economia.

Inflação do Aluguel Desacelera

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), também conhecido como "inflação do aluguel" por servir como indexador para contratos, desacelerou na primeira prévia de janeiro na comparação com o mês anterior. Ficou em -0,01%, ante 0,04% no mesmo período do mês anterior. Pesou a deflação do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que ficou em -0,23%.

Em São Paulo, o Índice de Preços ao Consumidor medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) ficou em 0,75% na primeira semana de janeiro, puxado pela alta de 0,92% no ítem Educação.

Novos Rumos para o Blog

Como os leitores do blog já sabem (ou não, já que tenho escrito cada vez menos sobre minha vida pessoal por aqui), deixei de vez a vida acadêmica. Troquei a vida de profesor universitário em Brasília para assumir uma vaga no BNDES, no Rio de Janeiro, em junho do ano passado. No momento, estou alocado no Departamento de Assessoria Econômica, e sou responsável pelas cartas de conjuntura macroeconômica internas ao banco e pela construção e manutenção dos bancos de dados macroeconômicos do departamento.

Por isso, o blog terá uma virada radical a partir de hoje. Vou falar (ainda) menos sobre pesquisas acadêmicas, e mais sobre informações sobre conjuntura macroeconômica. Optarei por textos simplificados, diretos ao assunto, com links para as fontes oficiais dos dados. De vez em quando vou publicar alguns gráficos e tabelas feitos por mim para ilustração.

Espero que assim eu consiga voltar a ter uma rotina de publicação nesse blog, que andou muito cíclico desde que terminei o mestrado, em 2009.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Mapa da Pobreza em Porto Alegre - Oficial

Segundo o blog Porto Imagem, o IBGE divulgou um mapa identificando as regiões censitárias consideradas favelas em Porto Alegre. O mapa não é muito diferente do que eu tinha divulgado aqui no blog em 2008.



O mapa oficial, por ser baseado em um critério diferente do meu (tinha considerado as regiões com ruas não pavimentadas e casas pequenas sem telhado), mostrou as favelas na zona norte maiores do que realmente são e ignorou as pequenas vilas espalhadas pela cidade.

Veraneio Gaúcho (por Paulo Wainberg)

Um texto que lamento que não tenha sido escrito por mim. Recebi por e-mail.

Está chegando o verão e com ele o veraneio, como chamamos aqui no Sul.
Não sei se vocês, de outros Estados, sabem, mas temos o mais fantástico litoral do País: de Torres ao Chuí, uma linha reta, sem enseadas, baias, morros, reentrâncias ou recortes. Nada! Apenas uma linha reta, areia de um lado, o mar do outro.
Torres, aliás, é um equívoco geográfico, contrário às nossas raízes farroupilhas e devia estar em Santa Catarina. Característica nossa, não gostamos de intermediários.

Nosso veraneio consiste em pisar na areia, entrar no mar, sair do mar e pisar na areia. Nada de vistas deslumbrantes, vegetações verdejantes, montanhas e falésias, prainhas paradisíacas e outras frescuras cultivadas aí para cima.
O mar gaúcho não é verde, não é azul, não é turquesa.

É marrom!

Cor de barro iodado é excelente para a saúde e para a pele! E nossas ondas são constantes, nem pequenas nem gigantes, não servem para pegar jacaré ou furar onda. O solo do nosso mar é escorregadio, irregular, rico em buracos. Quem entra nele tem que se garantir.

Não vou falar em inconvenientes como as estradas engarrafadas, balneários hiper-lotados, supermercados abarrotados, falta de produtos, buzinaços de manhã de tarde e de noite, areia fervendo, crianças berrando, ruas esburacadas, tempestades e pele ardendo, porque protetor solar é coisa de fresco e em praia de gaúcho não tem sombra. Nem nos dias de chuva, quase sempre nos fins-de-semana, provocando o alegre, intermitente, reincidente e recorrente coaxar dos sapos e assustadoras revoadas de mariposas.

Dois ventos predominam, em nosso veraneio: o nordeste – também chamado de nordestão – e o sul, cuja origem é a Antártida.

O nordestão é vento com grife e estilo... estilo vendaval. Chega levantando areia fina que bate em nosso corpo como milhões de mosquitos a nos pinicar. Quem entra no mar, ao sair rapidamente se transforma no – como chamamos com bom-humor – veranista à milanesa. A propósito, provoca um fenômeno único no universo, fazendo com que o oceano se coloque em posição diagonal à areia: você entra na água bem aqui e quando sai, está a quase um quilômetro para sul. Essa distância é variável, relativa ao tempo que você permanecer dentro da água. Outra coisa: nosso mar é pra macho! Água gelada vai congelando seus pés e termina nos cabelos. Se você prefere sofrer tudo de uma vez, mergulhe e erga-se, sabendo que nos próximos quinze minutos sua respiração voltará ao normal: é o tempo que leva para recuperar-se do choque térmico.

Noventa por cento do nosso veraneio é agraciado pelo nordestão que, entre outras coisas, promove uma atividade esportiva praiana, inusitada e exclusiva do Sul: Caça ao guarda-sol. Guarda-sol, você sabe, é o antigo guarda-sol, espécie de guarda-chuva de lona, colorida de amarelo, verde, vermelho, cores de verão, enfim, cujo cabo tem uma ponta que você enterra na areia e depois senta embaixo, em pequenas cadeiras de alumínio que não aguentam seu peso e se enterram na areia.

Chega o nordestão e... lá se vai o guarda-sol, voando alegremente pela orla e você correndo atrás. Ganha quem consegue pegá-lo antes de ele se cravar na perna de alguém ou desmanchar o castelo de areia que, há três horas, você está construindo com seu filho de cinco anos.

O vento sul, por sua vez, é menos espalhafatoso. Se você for para a praia de sobretudo, cachecol e meias de lã, mal perceberá que ele está soprando. É o vento ideal para se comprar milho verde e deixar a água fervente escorrer em suas mãos, para aquecê-las.

Raramente, mas acontece, somos brindados com o vento leste, aquele que vem diretamente do mar para a terra. Aqui no Sul, chamamos o vento leste de ‘vento cultural’, porque quando ele sopra, apreendemos cientificamente como se sentem os camarões cozinhados ao bafo.

E, em todos os veraneios, acontece aquele dia perfeito: nenhum vento, mar tranquilo e transparente, o comentário geral é: “foi um dia de Santa Catarina, de Maceió, de Salvador” e outras bichices. Esse dia perfeito quase sempre acontece no meio da semana, quando quase ninguém está lá para aproveitar. Mas fala-se dele pelo resto do veraneio, pelo resto do ano, até o próximo verão.

Morram de inveja, esta é outra das coisas de gaúcho!

Atenta a essas questões, nossa indústria da construção civil, conhecida mundialmente por suas soluções criativas e inéditas, inventou um sistema maravilhoso que nos permite veranear no litoral a uma distância não inferior a um quilômetro da areia e, na maioria dos casos, jamais ver o mar: os famosos condomínios fechados. A coisa funciona assim: a construtora adquire uma imensa área de terra (areia), em geral a preço barato porque fica longe do mar, cerca tudo com um muro e, mal começa a primavera, gasta milhares de reais em anúncios na mídia, comunicando que, finalmente agora você tem ao seu dispor o melhor estilo de veranear na praia: longe dela. Oferece terrenos de ponta a ponta, quanto mais longe da praia, mais caro é o terreno. Você vai lá e compra um.

Enquanto isso a construtora urbaniza o lugar: faz ruas, obras de saneamento, hidráulica, elétrica, salão de festas comunitário, piscina comunitária com águas térmicas, jardins e até lagos e lagoas artificiais onde coloca peixes para você pescar. Sem falar no ginásio de esportes, quadras de tênis, futebol, futebol-sete, se o lago for grande, uma lancha e um professor para você esquiar na água e todos os demais confortos de um condomínio fechado de Porto Alegre, além de um sistema de segurança quase, repito, quase invulnerável.

Feliz proprietário de um terreno, você agora tem que construir sua casa, obedecendo é claro ao plano-diretor do condomínio que abrange desde a altura do imóvel até o seu estilo.

O que fazemos nós, gaúchos, diante dessa fabulosa novidade? Aderimos, é claro. Construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores as dos vizinhos, colocamos piscinas térmicas nos nossos terrenos para não precisar usar a comunitária, mobiliamos e equipamos a casa com o que tem de melhor, sobretudo na questão da tecnologia: internet, TV à cabo, plasma ou LSD, linhas telefônicas, enfim, veraneamos no litoral como se não tivéssemos saído da nossa casa na cidade.
Nossos veraneios costumam começar aí pela metade de janeiro e terminar aí pela metade de fevereiro, depende de quando cai o Carnaval. Somos um povo trabalhador, não costumamos ficar parados nas nossas praias. Vamos para lá nas sextas-feiras de tarde e voltamos de lá nos domingos à noite. Quase todos na mesma hora, ida e volta.
É assim que, na sexta-feira, pelas quatro ou cinco da tarde, entramos no engarrafamento. Chegamos ao nosso condomínio lá pelas nove ou dez da noite. Usufruímos nosso novo estilo de veranear no sábado – manhã, tarde e noite – e no domingo, quando fechamos a casa.

Adoramos o trabalhão que dá para abrir, arrumar e prover a casa na sexta de noite, e o mesmo trabalhão que dá no domingo de noite. E nem vou contar quando, ao chegarmos, a geladeira estragou, o sistema elétrico pifou ou a empregada contratada para o fim-de-semana não veio.

Temos, aqui no Sul, uma expressão regional que vou revelar ao resto do mundo: Graças a Deus que terminou esta bosta de veraneio!

terça-feira, dezembro 27, 2011

Garimpando Discos em Porto Alegre

Eu tenho o hobby de colecionar os CDs oficiais das bandas e cantores de que mais gosto. Desde os 16 anos de idade, costumo procurar esses discos não nas grandes lojas dos shoppings (ok, abro uma exceção para as promoções da Multisom), mas sim nas pequenas lojas especializadas no Centro de Porto Alegre. Procurei essas lojas no meu tempo de adolescência por causa dos preços atraentes, já que os discos semi-novos, muitos sem um único arranhão, custavam cerca da metade de um novo. Hoje em dia, continuo freqüentando esses lugares, mas não tanto por causa do preço, mas sim porque está cada vez mais difícil encontrar discos clássicos de rock no mercado (além daqueles com horríveis capas de papelão encontrados nas Lojas Americanas).

Ontem, passei o meu único dia de férias desde que assumi meu atual emprego em Porto Alegre junto com minha família. Para não perder o costume, dei uma passada no Centro à tarde, para procurar discos de rock que dificilmente encontraria no Rio de Janeiro, cidade onde moro atualmente.

O primeiro lugar em que passei foi na rua Marechal Floriano, logo acima da Riachuelo. Lá tem duas lojas, ambas mais voltadas para o rock pesado, que sempre merecem uma conferida. Primeiro, a Stoned Discos, conhecida pela exposição não só de discos raros e importados, mas também de muita parafernália de fãs de rock (como vinis, vídeos, bonecos dos músicos, guitarras antigas, camisetas, etc.). O preço dos discos (seminovos) gira em torno de 30 reais. Também tem uma seção de saldos de 10 reais, com discos mais comuns. Os destaques que encontrei lá foram a discografia dos Ramones em versão expandida e remasterizada a 40 reais cada disco (metade do preço de um novo no Brasil). Além disso, a loja tem discos de metal importados, dificilmente encontrados em outros lugares de Porto Alegre, mas um pouco mais caros.



Nessa loja, comprei o disco "Against" do Sepultura - o único CD deles com o vocalista Derrick Green que eu gosto - por 20 reais. Eu tive esse disco na minha adolescência, comprei ele no lançamento em 1998-99, mas acabei trocando-o com um amigo na faculdade anos depois. Todavia, nesse último ano tive vontade de ouvi-lo de novo, uma espécie de saudade da minha juventude...

Mais acima, perto da rua Duque de Caxias tem outra loja, cujo nome não recordo, com discos mais comuns, mas mais baratos do que na Stoned. Os preços giram em torno de 20 reais, e o heavy metal predomina. Encontrei lá o Walls of Jericho, primeiro disco dos alemães do Helloween, por apenas 20 pilas. Mas como ele não estava na minha lista de prioridades, não o levei.

Descendo a Floriano Peixoto, cheguei na Rua da Praia, próximo à galeria Chaves. Essa galeria sempre foi uma espécie de "cluster" de sebos de discos no Centro de Porto Alegre, é possível encontrar opções para todos os gostos por lá. A galeria foi reformada nesse ano, e lojas importantes de roupas se instalaram nela, mas felizmente todas as de música continuavam por lá.

No térreo, gosto muito da Led Discos. O destaque dessa loja é o punk rock, com raridades nacionais e internacionais. Lá fiquei com o "TAITO Não Engole Fichas" dos cariocas do Carbona, que fazem um som punk-pop bem humorado, por 15 reais.

No segundo andar, tem uma loja dedicada à música clássica e ao jazz, para quem gosta.

No terceiro andar, tem a Tamba Discos, que se destaca pelo rock mais antigo. Essa loja é o meu ponto de referência para ir atrás dos clássicos dos Beatles e do Raul Seixas. Dessa vez, consegui o "Please Please Me" dos cabeludos de Liverpool, em versão importada, remasterizada e capa dura por incríveis 25 reais. E o disco é praticamente novo! Essa, com certeza, foi minha melhor garimpada dos últimos tempos.

No mesmo andar dessa galeria tem outra loja de discos usados, a Classic Rock (obrigado pela lembrança, Risco) maior e mais eclética do que a Tamba, mas com menos discos difíceis de encontrar. Passei para dar uma olhada, mas não levei nada.

Ainda pretendo procurar outras lojas desse tipo quando voltar a Porto Alegre no ano que vem. No viaduto da Borges tem vários lugares, mas são meio decadentes, e o foco deles é mais música popular brasileira e menos rock. Outros lugares que eu freqüentava nos meus tempos de estudante de graduação - Megaforce e Porto Alegre CDs - já fecharam. Espero que as lojas musicais do Centro da cidade não sumam de repente, como o que aconteceu nos grandes shoppings em meados da década passada.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

A Percepção Social da Pobreza no Brasil

O IPEA divulgou hoje um estudo empírico sobre a percepção social da pobreza no Brasil. Eu fico cada vez mais entusiasmado com estudos da área de bem-estar social baseados em pesquisa de opinião popular. Nossa realidade política, que para o bem ou para o mal, influencia os rumos do país passa por aí, pela cabeça do eleitorado mediano. Comecei a me interessar por esses estudos quando li o livro "A Cabeça do Brasileiro" durante o mestrado.


(clique no gráfico para ampliar)

Segundo o estudo do IPEA, e ilustrado pelo Gráfico 1, o principal problema do Brasil, na cabeça dos brasileiros, é a violência. Desagregando por nível de renda, os mais pobres se preocupam mais com o desemprego; os mais ricos, com a corrupção. Poucos acreditam no fator que a ciência (pelo menos a ciência econômica) aponta como um significativo determinante de longo prazo desses problemas: a educação. Ou seja, as pessoas se importam mais com um fator que está se deteriorando há pouco tempo (segurança pública) do que com outro que há muito tempo vai mal (a qualidade da educação).

Em relação especificamente sobre as causas da pobreza, a maior parte dos brasileiros acreditam que são os fundamentos do mercado de trabalho, sobretudo o desemprego. A educação vem em segundo lugar. Aqui, a desagregação por nível de renda tem o resultado esperado: os mais pobres acreditam mais na redução do desemprego (isso explica o resultado das últimas eleições), enquanto que os mais ricos ligam mais para a educação. Além disso, brasileiros de todas as classes acreditam que as causas da pobreza são mais estruturais (falta de oportunidades) do que individuais (falta de esforço). Contudo, regionalmente, os sulistas tendem a ser mais individualistas do que os demais.

Por fim, em relação às ações que o governo poderia relizar para mitigar a pobreza, os brasileiros se dividiram entre os que defendem o aumento do salário mínimo e a promoção de cursos profissionalizantes. Novamente, os mais pobres ficam na primeira opção; os mais ricos, com a segunda e com investimentos em moradia. Nesse último ítem da pesquisa, o que mais me incomodou não é o fato da maioria dos brasileiros desejar que o governo adote políticas que podem ter conseqüências indesejadas de acordo com a teoria econômica, ou mesmo que beneficiem mais os aposentados e pensionistas do que os trabalhadores mais pobres, mas sim que a opção "investimentos na educação básica", que criria o background para que todas as demais ações tivessem maior efeito, sequer foi considerada pelos pesquisadores.