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quarta-feira, março 28, 2012

Porto Alegre 360 Graus (2)

O site da Zero Hora divulgou várias fotos muito legais de Porto Alegre, vista de 360 graus. Boa oportunidade para conhecer a praia do Lami, o lugar mais remoto da cidade.

As fotos estão AQUI.

quarta-feira, março 07, 2012

É Isso que Eu Chamo de Virar a Casa de Pernas pro Ar


Pitoresca casa de festas na zona rural de Ribeirão das Neves (MG). Bela surpresa a caminho do sítio onde foi comemorado o aniversário de 5 anos da turma de pós-graduação em economia do Cedeplar-UFMG.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Veraneio Gaúcho (por Paulo Wainberg)

Um texto que lamento que não tenha sido escrito por mim. Recebi por e-mail.

Está chegando o verão e com ele o veraneio, como chamamos aqui no Sul.
Não sei se vocês, de outros Estados, sabem, mas temos o mais fantástico litoral do País: de Torres ao Chuí, uma linha reta, sem enseadas, baias, morros, reentrâncias ou recortes. Nada! Apenas uma linha reta, areia de um lado, o mar do outro.
Torres, aliás, é um equívoco geográfico, contrário às nossas raízes farroupilhas e devia estar em Santa Catarina. Característica nossa, não gostamos de intermediários.

Nosso veraneio consiste em pisar na areia, entrar no mar, sair do mar e pisar na areia. Nada de vistas deslumbrantes, vegetações verdejantes, montanhas e falésias, prainhas paradisíacas e outras frescuras cultivadas aí para cima.
O mar gaúcho não é verde, não é azul, não é turquesa.

É marrom!

Cor de barro iodado é excelente para a saúde e para a pele! E nossas ondas são constantes, nem pequenas nem gigantes, não servem para pegar jacaré ou furar onda. O solo do nosso mar é escorregadio, irregular, rico em buracos. Quem entra nele tem que se garantir.

Não vou falar em inconvenientes como as estradas engarrafadas, balneários hiper-lotados, supermercados abarrotados, falta de produtos, buzinaços de manhã de tarde e de noite, areia fervendo, crianças berrando, ruas esburacadas, tempestades e pele ardendo, porque protetor solar é coisa de fresco e em praia de gaúcho não tem sombra. Nem nos dias de chuva, quase sempre nos fins-de-semana, provocando o alegre, intermitente, reincidente e recorrente coaxar dos sapos e assustadoras revoadas de mariposas.

Dois ventos predominam, em nosso veraneio: o nordeste – também chamado de nordestão – e o sul, cuja origem é a Antártida.

O nordestão é vento com grife e estilo... estilo vendaval. Chega levantando areia fina que bate em nosso corpo como milhões de mosquitos a nos pinicar. Quem entra no mar, ao sair rapidamente se transforma no – como chamamos com bom-humor – veranista à milanesa. A propósito, provoca um fenômeno único no universo, fazendo com que o oceano se coloque em posição diagonal à areia: você entra na água bem aqui e quando sai, está a quase um quilômetro para sul. Essa distância é variável, relativa ao tempo que você permanecer dentro da água. Outra coisa: nosso mar é pra macho! Água gelada vai congelando seus pés e termina nos cabelos. Se você prefere sofrer tudo de uma vez, mergulhe e erga-se, sabendo que nos próximos quinze minutos sua respiração voltará ao normal: é o tempo que leva para recuperar-se do choque térmico.

Noventa por cento do nosso veraneio é agraciado pelo nordestão que, entre outras coisas, promove uma atividade esportiva praiana, inusitada e exclusiva do Sul: Caça ao guarda-sol. Guarda-sol, você sabe, é o antigo guarda-sol, espécie de guarda-chuva de lona, colorida de amarelo, verde, vermelho, cores de verão, enfim, cujo cabo tem uma ponta que você enterra na areia e depois senta embaixo, em pequenas cadeiras de alumínio que não aguentam seu peso e se enterram na areia.

Chega o nordestão e... lá se vai o guarda-sol, voando alegremente pela orla e você correndo atrás. Ganha quem consegue pegá-lo antes de ele se cravar na perna de alguém ou desmanchar o castelo de areia que, há três horas, você está construindo com seu filho de cinco anos.

O vento sul, por sua vez, é menos espalhafatoso. Se você for para a praia de sobretudo, cachecol e meias de lã, mal perceberá que ele está soprando. É o vento ideal para se comprar milho verde e deixar a água fervente escorrer em suas mãos, para aquecê-las.

Raramente, mas acontece, somos brindados com o vento leste, aquele que vem diretamente do mar para a terra. Aqui no Sul, chamamos o vento leste de ‘vento cultural’, porque quando ele sopra, apreendemos cientificamente como se sentem os camarões cozinhados ao bafo.

E, em todos os veraneios, acontece aquele dia perfeito: nenhum vento, mar tranquilo e transparente, o comentário geral é: “foi um dia de Santa Catarina, de Maceió, de Salvador” e outras bichices. Esse dia perfeito quase sempre acontece no meio da semana, quando quase ninguém está lá para aproveitar. Mas fala-se dele pelo resto do veraneio, pelo resto do ano, até o próximo verão.

Morram de inveja, esta é outra das coisas de gaúcho!

Atenta a essas questões, nossa indústria da construção civil, conhecida mundialmente por suas soluções criativas e inéditas, inventou um sistema maravilhoso que nos permite veranear no litoral a uma distância não inferior a um quilômetro da areia e, na maioria dos casos, jamais ver o mar: os famosos condomínios fechados. A coisa funciona assim: a construtora adquire uma imensa área de terra (areia), em geral a preço barato porque fica longe do mar, cerca tudo com um muro e, mal começa a primavera, gasta milhares de reais em anúncios na mídia, comunicando que, finalmente agora você tem ao seu dispor o melhor estilo de veranear na praia: longe dela. Oferece terrenos de ponta a ponta, quanto mais longe da praia, mais caro é o terreno. Você vai lá e compra um.

Enquanto isso a construtora urbaniza o lugar: faz ruas, obras de saneamento, hidráulica, elétrica, salão de festas comunitário, piscina comunitária com águas térmicas, jardins e até lagos e lagoas artificiais onde coloca peixes para você pescar. Sem falar no ginásio de esportes, quadras de tênis, futebol, futebol-sete, se o lago for grande, uma lancha e um professor para você esquiar na água e todos os demais confortos de um condomínio fechado de Porto Alegre, além de um sistema de segurança quase, repito, quase invulnerável.

Feliz proprietário de um terreno, você agora tem que construir sua casa, obedecendo é claro ao plano-diretor do condomínio que abrange desde a altura do imóvel até o seu estilo.

O que fazemos nós, gaúchos, diante dessa fabulosa novidade? Aderimos, é claro. Construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores as dos vizinhos, colocamos piscinas térmicas nos nossos terrenos para não precisar usar a comunitária, mobiliamos e equipamos a casa com o que tem de melhor, sobretudo na questão da tecnologia: internet, TV à cabo, plasma ou LSD, linhas telefônicas, enfim, veraneamos no litoral como se não tivéssemos saído da nossa casa na cidade.
Nossos veraneios costumam começar aí pela metade de janeiro e terminar aí pela metade de fevereiro, depende de quando cai o Carnaval. Somos um povo trabalhador, não costumamos ficar parados nas nossas praias. Vamos para lá nas sextas-feiras de tarde e voltamos de lá nos domingos à noite. Quase todos na mesma hora, ida e volta.
É assim que, na sexta-feira, pelas quatro ou cinco da tarde, entramos no engarrafamento. Chegamos ao nosso condomínio lá pelas nove ou dez da noite. Usufruímos nosso novo estilo de veranear no sábado – manhã, tarde e noite – e no domingo, quando fechamos a casa.

Adoramos o trabalhão que dá para abrir, arrumar e prover a casa na sexta de noite, e o mesmo trabalhão que dá no domingo de noite. E nem vou contar quando, ao chegarmos, a geladeira estragou, o sistema elétrico pifou ou a empregada contratada para o fim-de-semana não veio.

Temos, aqui no Sul, uma expressão regional que vou revelar ao resto do mundo: Graças a Deus que terminou esta bosta de veraneio!

terça-feira, dezembro 27, 2011

Garimpando Discos em Porto Alegre

Eu tenho o hobby de colecionar os CDs oficiais das bandas e cantores de que mais gosto. Desde os 16 anos de idade, costumo procurar esses discos não nas grandes lojas dos shoppings (ok, abro uma exceção para as promoções da Multisom), mas sim nas pequenas lojas especializadas no Centro de Porto Alegre. Procurei essas lojas no meu tempo de adolescência por causa dos preços atraentes, já que os discos semi-novos, muitos sem um único arranhão, custavam cerca da metade de um novo. Hoje em dia, continuo freqüentando esses lugares, mas não tanto por causa do preço, mas sim porque está cada vez mais difícil encontrar discos clássicos de rock no mercado (além daqueles com horríveis capas de papelão encontrados nas Lojas Americanas).

Ontem, passei o meu único dia de férias desde que assumi meu atual emprego em Porto Alegre junto com minha família. Para não perder o costume, dei uma passada no Centro à tarde, para procurar discos de rock que dificilmente encontraria no Rio de Janeiro, cidade onde moro atualmente.

O primeiro lugar em que passei foi na rua Marechal Floriano, logo acima da Riachuelo. Lá tem duas lojas, ambas mais voltadas para o rock pesado, que sempre merecem uma conferida. Primeiro, a Stoned Discos, conhecida pela exposição não só de discos raros e importados, mas também de muita parafernália de fãs de rock (como vinis, vídeos, bonecos dos músicos, guitarras antigas, camisetas, etc.). O preço dos discos (seminovos) gira em torno de 30 reais. Também tem uma seção de saldos de 10 reais, com discos mais comuns. Os destaques que encontrei lá foram a discografia dos Ramones em versão expandida e remasterizada a 40 reais cada disco (metade do preço de um novo no Brasil). Além disso, a loja tem discos de metal importados, dificilmente encontrados em outros lugares de Porto Alegre, mas um pouco mais caros.



Nessa loja, comprei o disco "Against" do Sepultura - o único CD deles com o vocalista Derrick Green que eu gosto - por 20 reais. Eu tive esse disco na minha adolescência, comprei ele no lançamento em 1998-99, mas acabei trocando-o com um amigo na faculdade anos depois. Todavia, nesse último ano tive vontade de ouvi-lo de novo, uma espécie de saudade da minha juventude...

Mais acima, perto da rua Duque de Caxias tem outra loja, cujo nome não recordo, com discos mais comuns, mas mais baratos do que na Stoned. Os preços giram em torno de 20 reais, e o heavy metal predomina. Encontrei lá o Walls of Jericho, primeiro disco dos alemães do Helloween, por apenas 20 pilas. Mas como ele não estava na minha lista de prioridades, não o levei.

Descendo a Floriano Peixoto, cheguei na Rua da Praia, próximo à galeria Chaves. Essa galeria sempre foi uma espécie de "cluster" de sebos de discos no Centro de Porto Alegre, é possível encontrar opções para todos os gostos por lá. A galeria foi reformada nesse ano, e lojas importantes de roupas se instalaram nela, mas felizmente todas as de música continuavam por lá.

No térreo, gosto muito da Led Discos. O destaque dessa loja é o punk rock, com raridades nacionais e internacionais. Lá fiquei com o "TAITO Não Engole Fichas" dos cariocas do Carbona, que fazem um som punk-pop bem humorado, por 15 reais.

No segundo andar, tem uma loja dedicada à música clássica e ao jazz, para quem gosta.

No terceiro andar, tem a Tamba Discos, que se destaca pelo rock mais antigo. Essa loja é o meu ponto de referência para ir atrás dos clássicos dos Beatles e do Raul Seixas. Dessa vez, consegui o "Please Please Me" dos cabeludos de Liverpool, em versão importada, remasterizada e capa dura por incríveis 25 reais. E o disco é praticamente novo! Essa, com certeza, foi minha melhor garimpada dos últimos tempos.

No mesmo andar dessa galeria tem outra loja de discos usados, a Classic Rock (obrigado pela lembrança, Risco) maior e mais eclética do que a Tamba, mas com menos discos difíceis de encontrar. Passei para dar uma olhada, mas não levei nada.

Ainda pretendo procurar outras lojas desse tipo quando voltar a Porto Alegre no ano que vem. No viaduto da Borges tem vários lugares, mas são meio decadentes, e o foco deles é mais música popular brasileira e menos rock. Outros lugares que eu freqüentava nos meus tempos de estudante de graduação - Megaforce e Porto Alegre CDs - já fecharam. Espero que as lojas musicais do Centro da cidade não sumam de repente, como o que aconteceu nos grandes shoppings em meados da década passada.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Congresso da Anpec

Na semana passada, passei dois dias em Foz do Iguaçu (PR). Fui apresentar o paper empírico elaborado a partir da minha dissertação de Mestrado em economia, o mesmo que já tinha apresentado em agosto, no encontro da AKB.

Infelizmente, não foi um dos melhores congressos que já participei. A maior parte das seções estava vazia, assim como os seminários e outras atividades. Mesmo o coquetel de encerramento, do qual não participei, teve baixo quorum. O pessoal estava mais interessado em visitar as cataratas e fazer as compras de Natal no Paraguai do que em participar das atividades do encontro. Muito diferente do congresso de 2007 em Recife, o primeiro que participei, ainda que apenas para assistir.

Por outro lado, o jantar dos cedeplarianos (incluindo professores, alunos e ex-alunos) na Argentina foi excelente. Bife de chorizo ao ponto, com molho funghi e batatas noizettes , acompanhado de vinho Terrazas Malbec Reserva. De sobremesa, panquecas de doce de leite. Tudo isso por meros 60 reais.

domingo, julho 03, 2011

Arrastão na Praia do Leme

Hoje no final da manhã, sofri um arrastão na praia do Leme, aqui no Rio de Janeiro. Ali pelas 11 da manhã, durante minha caminhada matutina pelo calçadão da praia, parei para tomar água de coco no final da praia do Leme, próximo à barra dos pescadores, em um quiosque com mesas, cadeiras e uma vista muito agradável. Em seguida, comprei amendoins torrados e um coco no mesmo quisque.

Mas eis que o inesperado aconteceu. Um arrastão breve, mas intenso e avassalador acabou com o meu "lanche", e de todos os demais clientes do quisque. Uma nuvem de pombos subiu na minha mesa e no meu colo, impávidos perante minhas ameaças, e devorou todos os amendoins a minha frente. Quando olhei para os lados, outros pombos atacavam pipocas, batatas fritas e demais petiscos das mesas ao lado, sem medo dos humanos que tentavam se protejer.

Após o ataque, os clientes do quisque concluímos: os pombos são os novos farofeiros das praias cariocas.

sexta-feira, julho 01, 2011

quarta-feira, junho 22, 2011

Away no Feriado

Nesse feriado, estarei fora. Conhecerei Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Irei apresentar o paper "A Macroeconomia da Inclusão Social", extraído do capítulo 3 da minha dissertação de Mestrado, no congresso da SEP.

É sempre bom conhecer o Brasil em atividades acadêmicas. E o melhor é que o meu atual emprego me permite participar de congressos como apresentador sem descontar dias de férias.

Novidades do Rio

Estou a três semanas morando no Rio de Janeiro. Resido em um flat simples, porém aconchegante, em Copacabana, próximo à estação de metrô de Cantagalo. Já estou procurando apartamentos para alugar em um futuro próximo.

Nesses fins-de-semana, já aproveitei para caminhar pelos pontos turísticos mais próximos. Já fui do Leme ao Boulevard do Leblon, próximo ao morro do Vidigal, pelo calçadão. No sábado passado, dei a volta caminhando na lagoa Rodrigo de Freitas, sempre acompanhado da minha velha máquina fotográfica.

Eis meus registros (as imagens dispensam descrições prolongadas):

Leme

Leblon

Ipanema

Copacabana

Lagoa


Em relação a minha nova rotina na cidade, faço algumas observações pontuais:

- Paulistas e cariocas não se dão bem. A rivalidade não diz respeito a piadas e brincadeiras, mas à implicância, mesmo.

- O skate é um esporte predominantemente feminino.

- O inglês é a língua oficial da orla de Copacabana, e estou falando apenas dos gringos. E nem dos residentes de classe alta.

- A maior parte dos habitantes de Copacabana corresponde a idosas, cachorros de estimação e idosos. Nessa ordem.

- A população judaica, inclusive ortodoxa, é considerável. No supermercado Pão de Açúcar aqui perto de casa, vendem as bolachas matzah (o pão ázimo), que ficam ótimas no café-da-manhã cobertas de Nutella, tal como aprendi em meu intercâmbio em Toronto, em 2001. Mas o pacote custa quase 50 reais...

- A cidade tem duas linhas de metrô que correm nos mesmos trilhos e fazem (quase) o mesmo trajeto. Mas, se um dia eu precisar pegar um do Centro para a Zona Norte, precisarei de uma máscara de oxigênio.

- A Barra da Tijuca é uma Brasília com praia. A Linha Vermelha, que engloba os complexos da Maré, do Alemão (mais de longe) e da Penha, é uma Porto Alegre de casebres.

- É possível almoçar yakissoba de camarão (grandes!) e tomar suco natural de bergamota (tangerina, na língua local) no boteco da esquina. A variedade de sucos de frutas nas lancherias das ruas é comparável à variedade de cachaças nos botecos de Belo Horizonte.

- Todas as quadras, mas todas mesmo, têm obrigatoriamente: uma banca de revistas, uma (ou mais) lancheria que serve sucos naturais, uma lavanderia a quilo e um minimercado Pão de Açúcar ou Zona Sul.

- É possível caminhar nas ruas de Copacabana de madrugada. Das cidades que já morei, Porto Alegre é a mais perigosa.

terça-feira, maio 31, 2011

No Rio

Cheguei no Rio de Janeiro no domingo à tarde, e estou bem acomodado na cidade. Estou morando num flat simples em Copacabana, próximo à estação Cantagalo do metrô. Nos próximos dias, devo começar a procurar apartamento para alugar com amigos que já estão por aqui.

Essa é a minha terceira vinda ao Rio. Já tive por aqui em julho de 1995, de férias com minha família, e em novembro de 2006, quando fui conhecer a UFRJ. Por isso, ao contrário dos dias em que cheguei em Belo Horizonte (2007) e em Brasília (2009), não tive nenhum choque com a nova cidade. Em Belo Horizonte, cheguei em um sábado à noite de muita chuva, e, no dia seguinte, me impressionei com o centro da cidade cinzento, tanto pelo concreto das construções humanas como pelo nublado céu de janeiro, e deserto, tal como descrevi aqui no blog. Em Brasília, me chamou a atenção a paisagem seca do cerrado e a abundância do espaço entre os blocos residenciais e estatais. Copacabana é muito diferente das duas cidades. É tão abarrotada de gente e de prédios nas três quadras mais próximas do mar como o centro de Belo Horizonte em um dia de semana, mas, a partir da quarta quadra, o clima muda. A partir daí começam uma série de enormes prédios residenciais, antigos, mas bem conservados, habitados principalmente por idosos e por seus cachorrinhos de estimação.

O comércio e os serviços abundam nas avenidas Nossa Senhora de Copacabana e Barata Ribeiro. Tudo o que eu precisar posso encontrar a no máximo duas quadras do flat. O metrô fica a uma quadra de onde eu estou, vai me ajudar muito para chegar no meu emprego, a partir de amanhã.

Caminhei no calçadão nos três dias desde que estou aqui. A praia não está muito cheia, já que a temperatura de vinte e poucos graus não atrai a população local ao mar. Já caminhei do Arpoador ao Leme, prestando atenção nos atrativos de cada lugar que eu passo.

Hoje, fui almoçar com ex-colegas de graduação na UFRGS e de participação do diretório acadêmico, em um boteco arrumadinho, chamado "Botequim Informal", na av. Nossa Senhora de Copacabana. Depois disso, caminhamos até o Leme, e sentamos para conversar próximos aos pescadores.

Quero ver as histórias que a capital fluminense me reservará para os próximos dias, meses e anos...

quinta-feira, maio 26, 2011

O Tempo Passa, O Tempo Voa

Agora paro para pensar... morei em Porto Alegre do nascimento aos 22 anos e um mês (83,3% da minha vida), em Belo Horizonte dos 22 anos e dois meses aos 24 anos e 11 meses (10,7% da minha vida) e em Brasília dos 25 anos aos 26 anos e meio (6% da minha vida). Acabei o colégio há quase dez anos, me formei na faculdade há quase cinco anos e defendi o mestrado há dois anos. Me lembro daquela velha propaganda do finado banco Bamerindus, no início da década de 90.



Há exato um ano atrás, em maio do ano passado, estava concluindo a minha mudança de BH para Brasília, carregando minhas últimas pastas de artigos que tinha deixado na saudosa "República do Buraco" com meus amigos. Passei exatos 8 meses carregando minhas coisas aos poucos, cada vez que ia visitar minha namorada em BH, voltava com uma mala cheia. Além disso, estava acompanhando a Copa do Mundo, e tinha uma rotina tranqüila como pesquisador do IPC-UNDP, um mês antes de começar a correria que iria durar até o final do meu contrato, em dezembro.

Agora, devo passar algumas décadas no Rio de Janeiro, se tudo der certo. Minha vida nômade deve se limitar a endereços dentro de uma única cidade. Ainda bem. Morar em diferentes cidades é uma boa experiência de vida, principalmente quando aprendo a comparar diferentes hábitos e culturas dos habitantes. Todavia, o processo de mudança (encaixotar os livros, arrumar as malas, procurar lugar para ficar, carregar a bagagem, despachar a bagagem, desarrumar as malas, carregar uma geladeira pelas escadas de um prédio sem elevadores) é muito cansativo e estressante, mesmo que até agora nada tenha dado errado. Essa será minha sétima mudança de endereço desde 2007 (Porto Alegre, Hotel Normandy (BH), Cidade Nova (BH), Centro (BH), Morato (BSB), 703 Norte (BSB), 316 Norte (adivinha?)). Se o ditado popular conta que "duas mudanças equivalem a um incêndio", sete mudanças equivalem ao transtorno de um tsunami sobre uma usina nuclear.

Última Semana em Brasília

Ainda não tinha postado aqui no blog, mas esta é minha última semana em Brasília, depois de um ano e oito meses. Domingo, embarco para o Rio de Janeiro, para assumir emprego.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

domingo, setembro 12, 2010

Coisas Estranhas de Brasília 5

Sem comentários sobre as escadas do setor de embarque do aeroporto daqui da capital federal. Ou é mais uma brilhante idéia pós-moderna de algum Niemeyer da vida, ou houve desvio de verba.

sábado, setembro 11, 2010

terça-feira, setembro 07, 2010

Porto Alegre, Três Anos e Meio Depois

Em julho passado, passei uma semana de férias em Porto Alegre com minha família. Morei lá durante 22 anos de minha vida, de 1984 até janeiro de 2007, quando saí de casa para fazer mestrado na UFMG. Hoje, quase quatro anos depois, notei como a cidade mudou. Praticamente, me sinto um turista na minha cidade natal.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o aumento exponencial do número de carros nas ruas da capital gaúcha. Em conseqüência, o trânsito está belorizontino (mas ainda não deve estar paulistano), e procurar lugar para estacionar em supermercados e shoppings, assim como nas próprias calçadas fora da região central (dentro, sempre foi difícil), é um desafio para a paciência. A propriedade de carros está cada vez mais popular, de modo que os lugares mais movimentados fora da hora do rush são em frente às obras de prédios nos bairros Mont Serrat e Bela Vista. É isso mesmo: os trabalhadores da construção civil estão indo de carro para o trabalho. Muito provavelmente, isso se deve à falta de infra-estrutura de transporte público nos bairros da zona leste da cidade - onde se concentram boa parte dos bairros mais populares - e nas cidades periféricas de Viamão, Alvorada, Gravataí e Cachoeirinha. O metrô local, o Trensurb, serve como ligação do centro de Porto Alegre a algumas cidades ao norte, deixando a maior parte da população de trabalhadores descoberta.

Além disso, o tamanho dos carros aumentou. Agora, 1.0 é (mesmo) carro de operário da construção civil. Nos bairros de maior renda per capita, localizados ao redor do Centro, há uma grande frota de caminhonetões, que, pelo tamanho, ajudam a piorar o trânsito a o acesso a vagas de estacionamento. Por isso, o apelido do Rio Grande do Sul de "Texas Brasileiro" parece que deixou de valer apenas para as preferências políticas e está agora incluindo as preferências automotivas de sua população.

A cidade se verticalizou. A Bela Vista é um grande canteiro de obras. A Terceira Perimetral continua seu caminho de se tornar uma miniatura da Faria Lima (avenida de São Paulo). Sei que isso é uma conseqüência natural do crescimento econômico dos últimos anos e da expansão do crédito imobiliário às famílias. Contudo, isso está fazendo com que em Porto Alegre a noite chega mais cedo. Além disso, algumas partes da cidade, particularmente no bairro Três Figueiras perderam sua identidade bucólica. Por fim, algumas construções recentes me parecem muito feias, como é o caso daquele prédio branco que fizeram em cima da antiga sede do Yázigi na Nilo Peçanha (onde estudei inglês de 1993 até 1999).



O policiamento na cidade melhorou bastante, sobretudo no Centro. Agora, é possível tirar fotos na Praça da Alfândega (que está sendo reformada) com tranqüilidade, pela presença de brigadianos.





Destaco também que me sinto velho caminhando pela cidade. Isto é, não me identifico mais com os jovens portoalegrenses. No meu tempo de colégio e de graduação, havia uma distinção clara entre duas facções entre os adolescentes e jovens adultos na cidade: os "playboys surfistas", predominantes nos colégios particulares mais caros e habitantes do shopping Iguatemi, das casas noturnas do bairro Moinhos de Vento e da avenida Goethe; e os "rockeiros alternativos", muito comuns em vários cursos da UFRGS (todos menos Medicina, Direito, Administração e Relações Internacionais) e habitantes dos bares da Cidade Baixa, das casas de shows na Avenida Independência e do Shopping Total. Ambas facções eram rivais, ainda que choques de violência não eram muito comuns. Pelo que eu me lembre, até o nome da banda "Engenheiros do Hawaii" era uma provocção dos rockeiros contra os surfistas.

Hoje, caminhando pelos mesmos lugares que freqüentava até 2006, não vi indivíduos dessas tribos. O que vi são aqueles mesmos estilos que aparecem nos programas da MTV, e que são comuns na vida noturna da Rua Augusta, em São Paulo: "manos" fãs de hip-hop, emos e alguns tipos espalhafatosos coloridos de sexo indefinido. Quando saía de casa com alguma camiseta dos Ramones ou do AC/DC, me sentia meio "tiozão". Talvez, muito provavelmente, esteja ocorrendo uma convergência cultural do Rio Grande do Sul em relação à região Sudeste do país, iniciando-se pelas camadas mais jovens da população.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Coisas Estranhas de Brasília 3

Hoje, quando íamos almoçar na Vila Planalto, vi pela primeira vez diante de mim uma queimada. Uma nuvem de fumaça branca cobria parte de um campo aberto à margem da Via N Dois Leste, com alguns focos de incêndio isolados, e muitas cinzas no chão. Alguns bombeiros tentavam conter as chamas usando mangueiras.

Perguntei para o chefe do meu grupo de trabalho se aquilo seria perigoso para os prédios da cidade e para a população. Despreocupadamente, ele me contou que não, e que desde o mês passado, ele vê pelo menos duas queimadas no caminho de casa.

terça-feira, junho 08, 2010

Impressões sobre São Luís

Em relação à cidade de São Luís, gostei muito da experiência de visitá-la. De fato, é a capital brasileira mais pobre que já visitei, ainda que seja melhor do que alguns municípios nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte e de Recife em que já passei. O trajeto do aeroporto até o Centro Histórico, em que se localizava o hotel em que ficamos para o congresso de Economia Política, era parecido com o que se vê nos documentários sobre o terremoto no Haiti. Por outro lado, o centro histórico é uma verdadeira aula de história, e os bairros ao seu norte são melhores.

O centro histórico de São Luís é um aglomerado de casarões coloniais portugueses dos séculos XVIII e XIX. É algo similar às cidades históricas mineiras (Diamantina, Ouro Preto e Mariana), mas com uma densidade populacional muito maior. Muitos desses casarões parecem abandonados, mas felismente há obras de restauração em todos os lugares. Já os prédios públicos estavam em perfeito estado de conservação. Não há trânsito de veículos nas ruas mais estreitas, de modo que caminhar e tirar fotos pelos lugares são atividades muito agradáveis (menos no auto-explicativo "Beco da Bosta", ao lado da principal igreja da cidade), sobretudo após às quatro horas da tarede, em que o Sol dá uma trégua.




Um ponto que me chamou a atenção na cidade como um todo, e no Centro Histórico em particular é a grande população de gatos de rua. Eram familhas inteiras de preguiçosos bichanos caminhando juntas pelas calçadas sem demonstrar medo dos transeuntes humanos e caninos, como se fossem verdadeiros cidadãos do lugar. Como apreciador de felinos, muitas vezes tive que segurar meu impulso de romper com todas as normas de higiente e pegar um filhote no colo.


Os bairros ao norte do centro se assemalham mais as demais metrópoles brasileiras. O mais próximos à praia estão ainda em construção, existe muita área verde cercada por placas de construtoras na região. Talvez em uns cinco a dez anos aquilo vire algo parecido como a avenida da Boa Viagem, em Recife (PE). O calçadão é extenso e repleto de quiosques, mas estava tudo vazio. Segundo uma habitante local, isso era efeito do feriado, já que São Luís é uma cidade que exporta seus turistas, isto é, ainda não se firmou como pólo turístico nacional. Para atrapalhar, o mar é poluído e de cor marrom mar-do-rio-grande, já que recebe as águas de um grande estuário localizado a oeste da cidade.


Em relação à comida local, não tive coragem de experimentar pratos feitos à base de camarão, mariscos e carangueijos com temperos locais, já que tive experiências anteriores, em outros locais, muito desagradáveis. Mas tomei várias doses do que eles chamam de "Guaraná Jesus", um refrigerante cor-de-rosa muito doce, com sabor de bala Sete-Belo. Até comprei como souvenir uma caneca decorada de acordo com o rótulo da latinha do refrigenrante.


Da próxima vez que visitar a cidade, espero ter a oportunidade de visitar os lençóis maranhenses, que são muito elogiados pelos turistas, mas que ficam a um dia inteiro de viagem em relação à capital.

XV Encontro Nacional de Economia Política (São Luís-MA)

Na semana passada, estive em São Luís, capital do Maranhão (feudo de Sir Ney, o Terrível) para o encontro nacional da Sociedade de Economia Política. Passei, junto com ex-colegas de pós-graduação da UFMG, quatro dias sob clima amazônico: calor abafado de 40 graus todos os dias, sob sol muito forte. Esse clima era brevemente, mas diariamente, interrompido por violentas tempestades tropicais de meia hora, que, todavia, não ajudavam a refrescar o ambiente. E o pior foi que a faculdade de ciências sociais aplicadas da UFMA, sede do evento, é toda construída em concreto, de modo que as mesas de apresentações de trabalhos se tornaram verdadeiras chocadeiras. Pelo menos, as seções principais foram apresentadas em um auditório improvisado, dotado de potentes ar-condicionados.

Eu apresentei o meu clássico artigo - veterano de quatro congressos - sobre a metodologia da economia sob os conceitos de Imre Lakatos. Minha seção foi muito boa, como foram apenas duas apresentações, tive meia hora para expôr o trabalho, e mais uma hora para debater com os ouvintes. A outra apresentação da sessão foi da Angela Ganem (UFRJ), que fez um excelente paralelo entre a metodologia da ciência em Popper e na Escola de Frankfurt. O debate com o público (umas dez pessoas), comandado pela professora Leda Paulani (UFRJ) e pelo simpático professor uruguaio Ramon Garcia Fernandez (FGV-SP) foi frutífero e desafiador. Recebi críticas e comentários muito pertinentes que certamente vão me ajudar para a futura publicação do artigo em periódico.

Além desses comentários, recebi outros bastante - digamos - criativos. Quando expliquei que, segundo Lakatos, todo programa de pesquisa científico é fundamentado por um núcleo de hipóteses metafísicas, uma aluna da UFRJ me perguntou qual era o conceito de metafísica que o autor utilizava. Respondi que simplesmente ele se referia a hipóteses que não podiam ser testadas empiricamente, e que eram simplesmente aceitas pelos cientistas integrantes de um determinado programa. A moça, então, comentou que eu deveria explorar melhor a relação entre o conhecimento científico e a metafísica a partir da filosofia budista e dos Vedas do hinduísmo. Em seguida, outro aluno de mestrado (não sei de que instituição), dissertou durante uns dez minutos sobre a metafísica de Hegel, com passagens em alemão!

No mais, não gostei muito das outras seções do congresso que assisti. A maior parte dos apresentadores parece dominar o pensamento de seus autores favoritos, mas, na hora de aplicar esse conhecimento à conjuntura e aos problemas da economia real, faltam métodos analíticos e sobram distorções teórico-empíricas, retórica de esquerda e adjetivos de impacto (tipo, o sistema financeiro mundial é "perverso"; a economia norte-americana está "fodida", etc.). Esse problema é o que considero o mais grave na heterodoxia econômica em geral, isto é, a insistência em tentar entender questões contemporâneas baseadas em referências a autores clássicos em seus originais.

Outro ponto que achei controverso foi em relação ao debate sobre política econômica brasileira. O representante do governo expôs as diretrizes institucionais da política fiscal no Brasil e gráficos sobre os principais indicadores de análise. Porém, ao contrário do que eu esperava, não houve um confronto ideológico após a sua apresentação. Mesmo os marxistas mais radicais, que consideram fatores como o câmbio flutuante e o superávit primário como insultos pessoais, ficaram calados, ou quando muito fazendo sugestões pontuais, no geral apoiando o governo.