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quinta-feira, julho 05, 2012

Gráfico do Dia

Preços das commodities nos mercados internacionais e taxa de crescimento do PIB brasileiro.



Dica do Leonardo Monastério.

segunda-feira, junho 18, 2012

Uma Partida de Civilization II de 10 Anos

Um dos maiores vícios da minha junventude é o jogo de computador Civilization II. Ganhei ele de Natal da minha avó em 1997, e ainda atualmente o jogo às vezes quando bate uma saudade. O software é, em resumo, um simulador da história mundial, em que o jogador lidera uma civilização do ano de 4.000 A.C. até o ano de 2.000 D.C., e, em sua trajetória, coopera e - principalmente - compete com outras civilizações controladas pelo computador. O vencedor do jogo é a civilização que dominar as demais, seja militarmente (pela conquista mundial), seja tecnologicamente (por ser a pioneira na exploração espacial). Além disso, é possível jogar cenários históricos, que são facilmente encontrados para download na internet, e é o que eu mais aprecio pessoalmente.

Hoje, li na internet que um outro viciado está jogando a mesma partida há 10 anos, e não pretende desistir tão cedo. Segundo o simulador, como seria o mundo no ano 4.000 D.C.? A resposta está no mapa abaixo:



Segundo o jogo, o futuro da humanidade não é nada animador. As características do mundo são as seguintes:

- Três civilizações dominam o mundo, e estão em eterna guerra entre si. Uma, a do jogador humano, é uma ditadura comunista. As demais, controladas por inteligência artificial, são teologias fundamentalistas. A guerra permanente inviabilizou governos mais abertos.

- As armas nucleares provocaram o derretimento das calotas polares, transformando o mundo em um grande pântano (com excessão das áreas montanhosas). A agricultura se tornou impraticável, 90% da população mundial morreu de fome, e as grandes cidades viraram coisa do passado.

- Toda a produção das cidades é voltada à guerra e à construção de estradas para as tropas passarem. Nenhuma melhoria de infra-estrutura é viável.

Contudo, para não deixar o post fatalista, faço duas observações pertinentes, relacionadas ao realismo do jogo.

Em primeiro lugar, no Civilization II original, tal como eu ganhei em 1997, a ênfase da competição entre as civilizações era o domínio tecnológico. As partidas eram mais pacíficas, e os protagonistas mais cooperavam   (via trocas de pesquisas, alianças, etc.) do que se enfrentavam em guerra. Na década seguinte, no entanto, os desenvolvedores do jogo criaram uma versão tida como mais "emocionante", em que a inteligência artificial do simulador se tornou extremamente hostil e belicosa. Tão logo atingem a Revolução Industrial, as civilizações controladas pelo computador tendem a adotar regimes fundamentalistas e atacar todos os demais adversários. Essa é a única versão do jogo compatível com Windows Vista e Windows 7, e a jogo desde 2007.

Em segundo lugar, o Civilization II se baseia no princípio que o "motor do desenvolvimento" é o crescimento populacional. Conforme a população de uma civilização cresce, ela aumenta a produção, cria trabalhadores, faz obras de infra-estrutura e pesquisa tecnologia de modo a aumentar a produtividade. Segue mais ou menos uma lógica marxista: o trabalho humano é o único fator de produção. E isso vale durante o jogo inteiro, com uma aceleração brusca da produtividade quando a população atinge a industrialização. Por isso, para uma civilização crescer, é necessária a contínua conquista de novas terras para a construção de novas cidades e a ocupação do solo para atividades agrícolas. Se o algoritmo do jogo fosse aberto para outros fatores de produção, como a acumulação de capital privado, o capital humano e o desenvolvimento endógeno de tecnologia, o resultado poderia ser bem diferente.

PS 1: Observo que na macroeconomia moderna, o modelo unificado de crescimento de Galor admite que a importância dos fatores de produção para o desenvolvimento das economias varia de acordo com o tamanho do produto. Assim, em sociedades primitivas, o crescimento populacional de fato é o motor do crescimento econômico. Contudo, quando o produto atinge um determinado patamar, o processo de acumulação de capital baseado em poupança e investimento assume o seu lugar, e, mais para a frente, o desenvolvimento tecnológico e a sua incorporação pelas pessoas se tornam mais relevantes. Por isso, o jogo pode ser resumido a uma simulação sobre o que aconteceria se bárbaros tivessem armas modernas.

PS 2: Durante um tempo, tentei jogar o Civilization Call to Power, uma continuação da série, que inclui aspectos mais complexos do desenvolvimento das sociedades. Mas achei tão complexo que ficou chato.


terça-feira, maio 22, 2012

Sinopse Internacional - Abril de 2012

Foi publicada na internet a Sinopse Internacional n. 17, a carta de conjuntura macroeconômica semestral do BNDES. Ela é uma publicação conjunta entre a Assessoria Econômica da Presidência, a Área de Comércio Exterior e a Área Internacional do banco, e destaca os principais acontecimentos do panorama macroeconômico mundial, as tendências do investimento externo global e do comércio exterior.

A publicação pode ser conferida neste link.

Deu trabalho montar essa sinopse, principalmente de coletar os dados em várias fontes internacionais e comparar nossas interpretações com as de outras cartas de conjuntura divulgadas pelas demais instituições (como a do FMI, do IIF, do IPEA, etc.). Mas o resultado final ficou bom.

quarta-feira, maio 09, 2012

Entrevista com Amartya Sen

A revista Veja (azar o meu, para a galera à esquerda) entrevistou o economista indiano Amartya Sen nessas últimas semanas. O link esta aqui.
É um erro buscar o crescimento pelo crescimento, sem levar em conta os seus efeitos mais amplos e as suas consequências. É preciso ponderar, entre outros fatores, o impacto ambiental. É fundamental também usar os frutos do crescimento para aprimorar a qualidade de vida da população de maneira abrangente, e não apenas favorecendo certos grupos. A Índia teve uma expansão econômica, nas duas últimas décadas, mais elevada do que a de Bangladesh. A renda per capita indiana é hoje equivalente ao dobro da de Bangladesh. Porém, apesar de ter crescido menos, Bangladesh ultrapassou a Índia em diversos indicadores de desenvolvimento social. Precisamos prestar atenção em como tirar o melhor proveito do enriquecimento do país. O crescimento é um meio extraordinário de alcançar avanços sociais e beneficiar a população em geral, como já apontara Adam Smith (filósofo escocês, 1723-1790).

Amartya Sen é um dos economistas que mais influenciaram minha carreira. Desde que li o livro "Desenvolvimento como Liberdade", no segundo semestre da graduação, me interessei em trabalhar com desenvolvimento econômico e indicadores sociais, temas que me são caros ainda hoje. Incluí algumas das principais idéias dele no artigo "Um Ensaio sobre os Aspectos Teóricos e Metodológicos da Economia da Pobreza", publicado na Revista Economia Ensaios (REE) no ano passado.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Debate sobre a Política Fiscal Norte-Americana

O Mansueto Almeida, especialisa em política fiscal, faz uma excelente resenha sobre uma entrevista do Paul Krugman sobre a crise econômica nos Estados Unidos e as alternativas fiscais para o estímulo à demanda agregada. Vale a pena conferir.


A defesa que Krugman faz do aumento dos gastos públicos pelo governo norte-americano para mitigar os efeitos da desaceleração da economia nos últimos trimestres chega a ser assustador para uma parte dos economistas brasileiros. Mas é bom destacar que os Estados Unidos, ao contrário do Brasil, é um país de instituições fortes. A regra macroeconômica dos manuais de graduação, de que o governo deve elevar seus gastos quando as despesas privadas estiverem deprimidas e reduzir os mesmos quando as despesas privadas estiverem aquecidas, pode ser seguida pelos governantes de lá. Aqui nos trópicos, infelizmente, a política fiscal é rígida para baixo. Elevar os gastos públicos sempre é fácil, mas raramente os governos têm força o suficiente para manter seus gastos sob controle durante longos períodos, pois sofre pressão dos partidos políticos e de grupos de interesse. E, para não alimentar (mais) a inflação e o endividamento, acaba recorrendo ao aumento da arrecadação, via elevação dos impostos.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

As Causas dos Altos Juros de Mercado no Brasil

O Cristiano Costa publicou um excelente post explicando por que os juros bancários são tão altos no Brasil. De todo o spread bancário apropriado pelos bancos públicos e privados (que é a diferença entre os juros que cobram dos consumidores e a taxa básica de juros da economia), dois terços cobrem os seus custos administrativos e operacionais e os impostos. A margem líquida dos bancos equivale a, portanto, um terço do spread, o que, nos cálculos do autor, dá cerca de 12% ao ano. Essa é uma taxa relativamente elevada frente aos demais setores da economia, e é explicada, dentre outros fatores, pela elevada concentração do mercado de bancos comerciais no Brasil e pela inadimplência do devedor.

No post original, tem tabelas bastante demonstrativas.

Essa Tal de Concorrência...

... é assim mesmo que funciona. Exemplo pedagógico aos consumidores brasileiros.

sábado, dezembro 17, 2011

Estudar Economia Pode nos Tornar Free-Riders?

Sim, segundo estudo de Yoram Bauman. O experimento dele me pareceu limitado, mas não deixa de ser interessante.

Eu gostaria de ver o seguinte experimento para testar a mesma hipótese: dentre uma amostra de alunos universitários pegos dirigindo bêbados, qual seria a proporção de estudantes de economia?

quarta-feira, dezembro 14, 2011

A FIESP e os Juros Altos (Reviravolta na Blogosfera Brasileira)

Um dos principais blogs brasileiros de economia, "A Consciência de Dois Liberais", escrito pelos USPianos Fabio Kanczuk e Celso Toledo, foi descontinuado desde o início do mês após uma forte crítica ao posicionamento político da FIESP. Antes que o site deles seja apagado do domínio da Exame.com, vou transcrever o post aqui. Algumas das passagens são quase que pedagógicas para alunos de economia.


Há alguns dias, a TV Globo me convidou a comentar um estudo preparado pela FIESP sobre a questão dos juros altos no Brasil. Para quem tiver paciência de ver o vídeo, o arquivo está aqui.

É normal que as partes puxem a brasa para suas sardinhas no debate de questões econômicas. Afinal, não há verdades indiscutíveis e, convenhamos, o juro realmente é muito alto no Brasil. Não conheço brasileiro que não deseje ver as taxas menores.

Feito o comentário, há um limite a partir do qual a adoção de artimanhas retóricas para a defesa de teses reconhecidamente falsas beira o desrespeito. O estudo apresentado é um festival de equívocos que salta aos olhos mesmo quando se leva em conta o baixo nível geral da discussão cotidiana sobre assuntos econômicos por aqui.

O que leva uma entidade tradicional a arranhar a reputação de forma tão pouco lisonjeira?

O fato de os juros serem altos no Brasil é amplamente conhecido. Ao fazer alarde para o fato, a FIESP anuncia com solenidade o descobrimento da América. A parte interessante e inacreditavelmente simplória do estudo é a conclusão de que o fenômeno é obra perversa de quem não quer que a economia brasileira se desenvolva.

Na tentativa de dar credibilidade a esta preciosidade, o estudo lança mão de falácias que não sobrevivem até mesmo a uma inspeção diagonal das páginas. Uma delas é tão óbvia que foi rapidamente identificada por uma pessoa de bom senso – não economista – que estava perto enquanto passava os olhos pela obra prima antes da entrevista.

Mencionar aqui, por exemplo, o problema tão conhecido de relações espúrias seria alçar o trabalho a um patamar de seriedade que, evidentemente, ele nunca teve a pretensão de alcançar. O espetáculo vai longe e envolve seleção parcial e criteriosa de dados favoráveis ao argumento, adoção de vínculos causais inexistentes – enfim, um verdadeiro laboratório para quem quiser ver na prática a aplicação da “arte de estar correto” de Schopenhauer.

As tentativas honestas para explicar o fenômeno dos juros altos têm consumido neurônios de alguns dos melhores economistas do país – vejam, por exemplo, este texto e a bibliografia sugerida. A questão é complicada e nenhuma explicação isolada é capaz de explicar satisfatoriamente o problema.

Provavelmente, os juros são altos por uma soma de fatores como (i) o histórico de instabilidade (felizmente cada vez mais distante), (ii) a atrofia do mercado de crédito (e o fato dela estar diminuindo), (iii) as restrições à alocação livre de recursos financeiros, (iv) a atuação maciça do governo como emprestador de recursos com taxas subsidiadas, (v) a lentidão do judiciário e a precariedade das regras de proteção ao credor e (vi) a propensão a gastar do setor público.


Apesar de tudo isso, os juros têm caído sistematicamente, indicando que a superação gradual de alguns óbices e a condução da política monetária com responsabilidade (procedimento que a FIESP propõe implicitamente abandonar) têm feito com que, gradualmente, a jabuticaba deixe de existir – o ponto é corretamente frisado pelo Sardenberg no vídeo.

A questão realmente relevante – que a FIESP em momento algum procura responder – é saber por que a demanda agregada cresce tanto aqui no Brasil apesar do patamar elevado das taxas de juros (agradeço ao Bernard Appy por me fazer olhar a questão sob este prisma). Alternativamente, deve-se indagar porque a inflação resiste em cair apesar dos juros recordistas. Ou ainda, porque os juros altos não inibem a demanda de crédito.

O Genilson Santana – vulgo Totó – criticou-me por escrever textos longos e, nesta altura, passei novamente do razoável. Comentarei oportunamente estas questões em um próximo post.

Em tempo, tenho amigos de longa data que trabalham na FIESP e que, tenho certeza, não concordam com uma vírgula do que está na apresentação – independentemente de terem ou não participado do projeto.


É caso de concordar com a FIESP ou com os dois economistas? Uma coisa ficou clara: os primeiros levantaram um discurso do tipo "nós geramos empregos, renda e desenvolvimento e por isso somos moralmente superior aos outros; logo estamos certos mesmo quando estamos errados". Os últimos, por outro lado, levantaram hipóteses testáveis sobre a baixa elasticidade da inflação frente aos juros no Brasil.

quarta-feira, novembro 02, 2011

IDH 2011

Hoje foi publicado um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o ranking dos países de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice busca mensurar a qualidade de vida dos países ponderando indicadores de três dimensões: renda per capita, saúde e educação.

De acordo com o ranking, o Brasil é o 84o país mais desenvolvido do mundo, e o vigésimo na América Latina. Os melhores, como sempre, são os do norte da Europa. Os pioras, também como sempre, estão na África Subsaariana.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Lakatos: Ainda Não

Meu histórico artigo do Imre Lakatos foi rejeitado pela revista Nova Economia. É o quarto toco que esse trabalho leva de revistas. E olha que, nos congressos, ele está invicto. O parecer foi muito semelhante ao que recebi na primeira submissão, na Economia e Sociedade: o tema é interessante, mas não trás contribuições originais. O pior é que tive trabalho para arrumá-lo nessa última tentativa: mais de um ano lendo os originais da metodologia da economia desde os anos 70, defendendo ou criticando a aplicação da metodologia dos programas de pesquisa no mainstream.

Agora, é hora de pensar em outra revista para submeter. O bom desses trabalhos de HPE e de metodologia é que nunca ficam obsoletos. Podem sair ou voltar à moda, mas nunca são totalmente descartados a médio prazo.

PS. Meu outro artigo, na Revista Economia Ensaios, já foi publicado on-line. Está no site da revista.

quarta-feira, setembro 21, 2011

O Lado Macroeconômico da Primavera Árabe



Tunísia, Egito, Sudão, Síria, Yêmen e provavelmente a Líbia são alguns dos países cujo crescimento foi mais afetado pela crise de 2008-09. A fonte é o World Economic Outlook, do FMI.

domingo, setembro 18, 2011

O Aumento do IPI para os Automóveis Importados

O assunto recente mais comentado pelos economistas na última semana é a elevação em 28% do IPI sobre carros produzidos fora do Mercosul. Os resultados esperados por esse tipo de política são conhecidos por todos os iniciados em teoria econômica: no curto prazo, elevação de preços ao consumidor; no longo prazo, a barreira à entrada de novas firmas no mercado interno (devido à exigência de que 65% das peças sejam produzidas em território nacional) reduzirá a oferta de automóveis, inibindo a geração de empregos e diminuindo a competitividade internacional da indústria automotiva brasileira. Em resumo, haverá uma transferência de bem-estar do consumidor para as montadoras de carros instaladas no país.

Mas o que fez com que o governo tomasse essa medida? Acredito que seja a combinação de dois fatores: um de relacionado à economia política, e outro de natureza puramente fiscal.

Em primeiro lugar, as montadoras de automóveis no Brasil estão organizadas em uma associação, a ANFAVEA (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores). Essa organização defende os seus interesses perante o governo, e como essas empresas são importantes para o financiamento de campanhas eleitorais, seu poder de barganha é alto. Ou seja, há aquilo que na economia política é chamado de rent-seeking, isto é, a captura das políticas de estado por grupos de interesse.

Em segundo lugar, todos sabemos que o processo orçamentário do Brasil é caótico. Parlamentares do Congresso têm o poder de redigir emendas no orçamento da União que extrapolam os planos de gastos e as metas fiscais estipuladas pelo Ministério da Fazenda. Por isso, há muito tempo o governo federal precisa aumentar impostos para manter o superávit primário dentro da meta, e evitar (mais) pressões inflacionárias. É sempre uma alíquota do IPI sendo reajustada para cima aqui, uma alíquota do IOF acolá. Como não vejo nenhuma solução para a ineficiência do Congresso brasileiro, a tendência é isso continuar acontecendo.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Estados Brasileiros como Países

Segundo mapa divulgado pela The Economist, eu nasci no Gabão. Aos 22 anos, migrei para o Líbano não fugindo da fome, da guerra civil ou do vírus do ebola, mas em busca de oportunidades educacionais. Pós-graduado, fui ser consultor das Nações Unidas e professor universitário em Portugal. Há três meses atrás, fui convocado em um exame de seleção para trabalhar no Banco de Desenvolvimento da Rússia.

Essa história bem poderia dar um filme, ou descrever algo parecido com a biografia do Barrack Obama, mas é o resultado do estudo da Economist, que comparou os estados brasileiros com países equivalentes de acordo com o seu PIB, população e PIB per capita.

O resultado final do mapa do PIB per capita é o seguinte: os estados brasileiros mais ricos não são tão ricos assim internacionalmente. Equivalem aos países do leste europeu. Os estados mais pobres também não estão tão mal na foto, estão próximos aos demais países latino-americanos as nações do Oriente Médio. É claro que a base de comparação inclui países institucionalmente caóticos, mas que exportam petróleo, o que infla sua riqueza sem distribuí-la à população, como Gabão e Venezuela. Isso atrapalha um pouco a interpretação, mas não muda o padrão.

Para controlar o problema da distribuição de renda, assim como os efeitos da valorização do câmbio real, eu bem que queria ver um mapa desses para o índice de desenvolvimento humano (IDH).

quarta-feira, agosto 31, 2011

Evolução dos Rendimentos Médios Reais no Brasil Recente

Na semana passada, o IBGE divulgou dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) referentes ao mês de julho. Essa pesquisa aborda uma amostra de trabalhadores, ocupados, desocupados ou inativos, em seis metrópoles brasileiras (Porto Alegre, Sâo Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador e Recife). Um dado que sempre me chama a atenção em pesquisas de mercado de trabalho é o salário médio real, isto é, o poder de compra do rendimento do trabalhador, que considero o melhor indicador de bem-estar. Nessa pesquisa, a evolução desse índice é o seguinte:



Para controlar os efeitos de sazonalidade, já que o mercado de trabalho é sempre mais aquecido no início do ano e mais retraído em julho, considerei na tabela apenas os meses de julho desde o início da série histórica, em 2002. A tabela mostra um resultado surpreendente: na maior parte das grandes regiões metropolitanas, o ciclo de crescimento econômico iniciado em 2004 mal conseguiu repor para os trabalhadores as perdas acumuladas pela crise de 2002-2003. Marquei em amarelo o ano em que o indicador, para cada série, é superior ao patamar de 2002. Em São Paulo e em Recife, isso ainda não aconteceu. As exceções foram Belo Horizonte e Salvador, onde o rendimento médio real do trabalho principal foi acima de 25% maior no final da série do que no seu início.

É importante destacar que a amostra compreende apenas essas seis regiões metropolitanas. Regiões que aparentaram ter desempenho econômico mais próspero na última década, como o Centro-Oeste e a cidade de Vitória, no Espírito Santo, ficaram de fora. Contudo, dado o peso populacional das maiores regiões metropolitanas do país, esse resultado indica que a situação do mercado de trabalho no país está menos cor-de-rosa do que muita gente divulga por aí.