domingo, maio 07, 2006

A Teoria do Investimento de John Maynard Keynes

Obs: essa é uma breve resenha que eu fiz e apresentei na cadeira de Macro II com o Conceição, a partir de um texto de Mário Luiz Possas. Em época de provas, minha criatividade para escrever sobre novos assunto fica muito limitada.

Para Keynes, o investimento depende da interação entre a eficiência marginal do capital e da taxa de juros, deve-se analisar alguns pontos fundamentais de sua teoria. Keynes não considera, como muitos dos autores neoclássicos, a taxa de juros como um custo de empréstimo ou de financiamento, nem mesmo um custo de oportunidade correspondente ao retorno proporcionado pelos ativos aplicados no mercado financeiro, em relação ao investimento em bens de capital produtivo. A taxa de juros, segundo o próprio autor, é “uma medida da relutância daqueles que possuem dinheiro em desfazer-se do seu controle líquido sobre ele”. Ou seja, é o prêmio que um agente econômico recebe ao privar-se de sua liquidez.

Os agentes econômicos demandam dinheiro em termos líquidos, segundo o autor, não apenas em função de seus níveis de transações econômicas esperadas, mas também por motivo especulação, no sentido de preferir guardar dinheiro consigo caso não considerem a taxa de juros do mercado alta o suficiente para cobrir os riscos de depositar seu dinheiro nas instituições financeiras. A grande contribuição de Keynes para a ciência econômica, de fato, foi ter introduzido os conceitos de incerteza e risco na análise, tornando e economia menos exata, como queriam os clássicos, e mais probabilística.

Em outras palavras, a preferência pela liquidez de seus ativos por parte dos agentes econômicos se justifica por causa de incerteza quanto ao futuro dos eventos econômicos e do resultado futuro dos investimentos passados e presentes. Por isso, segundo Keynes, a taxa de juros representa um limite ao investimento produtivo, apenas por ser um trade-off do investidor, quando aplica seu capital em uma ampla carteira de ativos, entre o investimento (capital produtivo) e a liquidez (capital monetário).

O declínio da eficiência marginal do capital decorre de sua escassez decrescente com o volume demandado, como ocorre com qualquer ativo de capital. Para ativos de capital produtivo, o limite para o investimento é dado pelo mercado dos bens produzidos com esse capital. O declínio do seu rendimento marginal se dá devido aos crescentes custos financeiros decorrentes de amortizações e dívidas contraídas pela empresa investidora, ou ainda o fluxo de desembolsos para o pagamento desses mesmos bens de capital, o que reduz a condição de liquidez da empresa. Esses fatores aumentam os riscos financeiros assumidos pelos investidores, o que faz com que as suas expectativas de retorno sejam cada vez menores.

Matematicamente, isso significa que:
I'(EMgK) > 0
I'(i)

Ou seja, o nível de investimentos na economia é diretamente proporcional às expectativas dos agentes econômicos e inversamente proporcional a sua preferência pela liquidez, representada pela taxa de juros que reflete o grau de risco e incerteza frente ao ambiente da economia.

Outra contribuição de Keynes para a economia foi a desvinculação da identidade clássica entre poupança e investimento. Segundo os antigos postulados econômicos, os agentes que não consomem toda a sua renda depositariam seus montantes excedentes nos bancos, os quais repassariam os mesmos na íntegra aos agentes deficitários. A taxa de juros de mercado seria o preço que equilibraria o fluxo de recursos dos agentes superavitários para os deficitários, fazendo com que nunca faltassem ou sobrassem recursos para ninguém e que o dinheiro poupado por um equivalesse a um investimento por outro. Keynes percebeu que a função poupança depende não apenas da taxa de juros, mas também do nível de renda dos agentes. Além, disso, como agora parece óbvio, não basta que simplesmente existam recursos para que os mesmos sejam investidos. Os empreendedores precisam ter ânimo, ter expectativas favoráveis, para pôr seus planos em prática.

Formalizando, temos para Keynes:
S(i,Y) = Y - C0 - c(Y - T) + di , ou seja, a poupança equivale à renda não consumida.
I(i, PMgK) = aPmgK - bi, sendo a, b, c, d parâmetros arbitrários.

O equilíbrio dos mercados financeiros, portanto, seria muito mais impresvisível e complexo do que o antigo modelo S(i) = I(i). Contudo, deve-se ter claro que o autor pensou no equilíbrio de curto prazo. Qualquer economista contemporâneo sabe que, no longo prazo, há uma estreita correlação entre o nível de poupança e o crescimento das atividades econômicas.

A peculiaridade das expectativas de longo prazo associadas ao investimento produtivo está principalmente na maior duração do período de comprometimento do investidor com ativos produtivos duráveis, isto é, de baixa liquidez, o que acarreta a dificuldade ou impossibilidade dos erros de correção, por baixos custos, dos erros de previsão quanto aos futuros da economia e dos mercados. Torna-se, portanto, essencial para que os agentes econômicos tomem decisões seguras, buscando minimizar a incerteza.

Porém, como Keynes considera a incerteza uma força endógena ao sistema capitalista, a solução adotada pelos agentes econômicos que possuem ativos é, ao invés de eliminar, contornar as incertezas de suas expectativas pelo recurso da adoção de normas de comportamento convencionais. Essas normas de comportamento convencionais, segundo Keynes, consistem em “supor que o presente estado de coisas continuará indefinidamente a menos que haja razões específicas para esperar mudanças”. As expectativas de longo prazo não estão sujeitas à revisão repentina, e por isso não podem ser afetadas pelos resultados futuros, e nem eliminadas.

Contudo, deve-se reconhecer que essa abordagem das espectativas convencionais, muito embora dê o mérito a Keynes por ter introduzido os conceitos de risco e incerteza na ciência econômica, é empiricamente muito frágil. A economia funciona em um sistema de informações assimétricas, sendo que os agentes com maior volume de informações sempre obtém vantagens sobre os menos informados. Nesse caso, é de se esperar que os investidores não sejam tão ingênuos a ponto de ignorar sinais de mudança no clima da economia. Tampouco podem ser permanentemente influenciados por políticas expansionistas de curto prazo pelos governos. Ou seja, é natural que os agentes econômicos busquem prever (a probabilidade de sucesso é exógena) as condições econômicas futuras, sejam guiados pelo comportamento passado, como na abordagem friedmaniana das expectativas adaptativas, sejam guiados pelas sinalizações do futuro, como no caso das expectativas racionais.

4 comentários:

Gabi disse...

Nada a declarar de Evo?! :P

Anônimo disse...

parabens aê cara!
muito legal seu texto!

C.Carvalho disse...

Gostei do texto,me ajudou a ter idéias melhores sobre keynes...

Anônimo disse...

Boa tarde.

Qual é o texto de Possas que você utilizou para fazer está resenha?